O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) desenvolveu uma nova tecnologia para gerar dados de desmatamento em polígonos de meio hectare. A iniciativa visa atender aos requisitos da nova regulamentação da União Europeia (UE) sobre produtos livres de desmatamento (EUDR). O anúncio foi feito em fevereiro de 2026 e busca auxiliar exportadores brasileiros a se adequarem às exigências da legislação europeia. De acordo com informações do Mongabay Brasil, a ferramenta estará disponível para produtores rurais a partir de dezembro de 2025.
A EUDR, que entrará em vigor no final de 2026, exigirá que os fornecedores comprovem, por meio de dados geolocalizados e documentação, que seus produtos exportados para a UE não provêm de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. A legislação tem como alvo sete produtos principais: soja, gado, borracha, óleo de palma, café, cacau e madeira. O objetivo é combater o desmatamento ilegal associado às importações do bloco europeu, inclusive na Amazônia.
O sistema de monitoramento por satélite do INPE, o Prodes, já fornece dados oficiais de desmatamento da Amazônia em áreas de um hectare. No entanto, a nova tecnologia permite analisar áreas menores, de meio hectare, atendendo a um dos requisitos da EUDR. “Foi a primeira vez que a gente fez [essa análise] abaixo de 1 hectare”, disse Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento BiomasBR do Inpe, à Mongabay.
Como o Brazil Data Cube auxilia no mapeamento?
A criação do mapa enfrentou desafios devido ao início da estação chuvosa na Amazônia em dezembro, o que dificulta o rastreamento do desmatamento devido à alta incidência de nuvens. Para solucionar essa questão, o INPE desenvolveu o Brazil Data Cube (BDC). Essa tecnologia captura todas as imagens de sensoriamento remoto de um período, processando-as e analisando-as em uma plataforma computacional que utiliza inteligência artificial, aprendizado de máquina (machine learning) e análise de séries temporais de imagens.
Com essa tecnologia do BDC, que faz esses cubos de dados [estruturas de dados multidimensionais que organizam informações agregadas], eu consigo selecionar o melhor. Isso porque ele pega um pedaço do pixel de uma imagem, outro pixel da outra, outro pixel da outra e consegue montar uma cena [que seja] o mais livre de nuvens possível. Com isso, você consegue fazer um mapeamento num período em que, normalmente, a gente não faria.
Além do BDC, imagens de radar foram utilizadas para obter informações mais precisas em áreas com cobertura de nuvens persistente. O mapeamento abrange 100% do território brasileiro, não se restringindo apenas à Amazônia, para atender integralmente à legislação europeia.
Onde os dados estarão disponíveis?
O mapa do INPE foi encomendado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que disponibilizou os dados no final de dezembro de 2025 por meio da plataforma Agro Brasil + Sustentável. A plataforma visa integrar bancos de dados oficiais públicos e privados para gerar informações rastreáveis e confiáveis sobre a sustentabilidade da produção agropecuária do país, considerando aspectos socioambientais e de governança. A ferramenta busca consolidar diversas fontes de dados para facilitar a geração de relatórios de conformidade para os exportadores.
Quais os benefícios da plataforma Agro Brasil + Sustentável?
- Integração de bancos de dados públicos e privados
- Geração de informações rastreáveis e confiáveis
- Avaliação da sustentabilidade da produção agropecuária
- Atendimento aos requisitos socioambientais e de governança
- Facilitação da geração de relatórios de conformidade para exportadores
A legislação europeia exige, além da comprovação da ausência de desmatamento, evidências de que as áreas onde as commodities são produzidas respeitam os direitos humanos, as leis trabalhistas e as normas ambientais do país de origem.