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MPRS debate violência extrema e riscos digitais para crianças e adolescentes

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Mesa de debate com autoridades do Ministério Público discutindo proteção infantil e segurança digital.
Reprodução / www.mprs.mp.br

O Ministério Público do Rio Grande do Sul realizou na sexta-feira, 20 de março de 2026, o seminário Precisamos Falar sobre Violência para discutir a propagação da violência extrema, o consumo excessivo de telas por crianças e adolescentes, as dinâmicas de radicalização e conteúdos digitais que mascaram violência. O encontro ocorreu por iniciativa do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema, o NUPVE, com mediação do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional, reunindo integrantes do MPRS, forças de segurança, pesquisadores e profissionais da educação para debater formas de prevenção. O tema tem alcance nacional, já que a circulação de conteúdos violentos e a exposição de crianças e adolescentes a riscos em ambientes digitais mobilizam escolas, famílias e autoridades em diferentes estados brasileiros.

De acordo com informações do MP-RS, o destaque da programação foi o Projeto Sinais, criado para identificar, analisar e compreender comportamentos e indicadores em crianças e adolescentes que possam estar associados ao risco de envolvimento em episódios de violência extrema. Segundo o órgão, a iniciativa atua com metodologias próprias, capacitações e articulação com redes de proteção e segurança pública. No Rio Grande do Sul, o MPRS é o ramo estadual do Ministério Público responsável, entre outras atribuições, pela defesa de direitos coletivos e pela articulação com órgãos públicos em ações de prevenção.

O que foi discutido no seminário do MPRS?

O seminário abordou desafios contemporâneos ligados à circulação de conteúdos violentos em ambientes digitais e aos impactos desse cenário sobre crianças e jovens. A proposta foi reunir diferentes áreas para examinar práticas, riscos e mecanismos de prevenção, com foco na detecção de sinais de alerta e na atuação integrada entre instituições.

Na abertura do evento, o procurador-geral de Justiça, Alexandre Saltz, destacou os resultados atribuídos ao Projeto Sinais. Segundo ele, desde o início da iniciativa, foram enfrentados 703 eventos, com cumprimento de 69 mandados de busca e apreensão decorrentes de informações e investigações realizadas pelo MPRS em parceria com órgãos de segurança pública. O procurador também afirmou que foram promovidas 162 capacitações, alcançando quase 20 mil pessoas em 272 municípios gaúchos.

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“Quero registrar minha alegria ao ver esse auditório lotado por pessoas que representam poderes, instituições, a sociedade civil, todas envolvidas em um grande objetivo, que é garantir segurança para as crianças e os adolescentes. O Projeto Sinais tem resultados importantíssimos, porque passamos a identificar e conversar sobre esses sinais que as crianças e adolescentes arregimentados para episódios de violência extrema apresentam e que antes não conseguíamos entender e captar.”

O que é o fenômeno chamado cutgore?

Logo no início da programação, o coordenador do NUPVE e do Projeto Sinais, procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, apresentou o painel “Cutgore: a camuflagem da violência”. No seminário, ele explicou que o cutecore ou cutgore é uma subcultura baseada em estética suavizada que mascara conteúdos como sadismo, automutilações, transtornos alimentares, satanismo e outras práticas extremistas.

Segundo a apresentação, esse tipo de linguagem visual usa cores suaves, elementos infantis, personagens considerados fofos e símbolos aparentemente inofensivos para aproximar o conteúdo violento de um universo visual associado à inocência. A avaliação exposta no evento é que essa combinação pode facilitar a circulação do material entre crianças e adolescentes e reduzir a percepção de risco por parte de famílias e educadores.

“Estamos diante de uma estética que seduz pela aparência, mas adoece pelo conteúdo. Entender o cutgore é fundamental para que famílias, escolas e instituições consigam enxergar além do que é ‘bonitinho’, identificando riscos reais que muitas vezes passam despercebidos.”

Quem participou do evento e quais foram os principais pontos?

Além das falas de abertura e do painel sobre cutgore, a programação incluiu outros debates voltados a prevenção, investigação, comportamento e consumo digital. O seminário reuniu representantes de diferentes áreas públicas e institucionais, reforçando a proposta de atuação articulada diante de situações que possam envolver violência extrema. Esse tipo de integração entre Ministério Público, escolas, redes de proteção e forças de segurança é apontado por diferentes órgãos públicos como um dos eixos de resposta ao avanço de ameaças e conteúdos violentos no ambiente digital.

Entre os pontos centrais apresentados pelo MPRS durante o encontro, estiveram:

  • prevenção da violência extrema entre crianças e adolescentes;
  • riscos associados ao consumo excessivo de telas;
  • novas dinâmicas de radicalização em ambientes digitais;
  • identificação de sinais de alerta por meio do Projeto Sinais;
  • necessidade de integração entre educação, proteção e segurança pública.

Participaram da mesa de abertura, além de Alexandre Saltz e Fábio Costa Pereira, os subprocuradores-gerais de Justiça Heriberto Roos Maciel e Alessandra Moura Bastian da Cunha; o secretário-geral do MPRS, João Ricardo Santos Tavares; a ouvidora das Mulheres do MPRS, Denise Casanova Villela; o presidente da AMP/RS, Fernando Andrade Alves; o representante da Corregedoria-Geral do MPRS, Thomás Henrique de Paola Colletto; o representante do Tribunal de Justiça, Leonardo Vanoni; o secretário municipal-geral de Governo Adjunto, major Gelson Guarda; o chefe da Casa Militar do Estado, coronel Luciano Chaves Boeira; o chefe de Polícia do Estado, delegado Heraldo Chaves Guerreiro; e o representante da OAB/RS, Roque Reckziegel.

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