O presidente do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), Nilson Pinto, apresentou na última quinta-feira, 16 de abril de 2026, em Belém, o painel intitulado “Áreas Protegidas e Biodiversidade: a mineração como vetor de conservação”. O evento integrou a programação do IV Congresso Técnico do Simineral, servindo como plataforma para discutir a integração estratégica entre o setor mineral e as metas de preservação ambiental no território paraense.
De acordo com informações da Agência Pará, a apresentação buscou evidenciar como as atividades econômicas podem coexistir com a agenda de proteção da Amazônia. Durante a palestra, foram expostos dados atualizados sobre a malha de áreas protegidas no estado, que compreende uma vasta extensão territorial voltada para a manutenção do equilíbrio ecológico regional.
Qual o papel das áreas protegidas no cenário mineral do Pará?
Durante a exposição técnica, o presidente do Ideflor-Bio detalhou um mapa detalhado que reúne as unidades de conservação em diferentes esferas: federal, estadual e municipal. O levantamento também incluiu a localização de terras indígenas e territórios quilombolas, reforçando que a gestão integrada desses espaços é fundamental para a governança ambiental do estado.
A organização dessas áreas é dividida pelo governo estadual em dois grandes grupos: as unidades de uso sustentável e as de proteção integral. Enquanto as de proteção integral possuem regras mais restritivas, os modelos de uso sustentável são desenhados para permitir atividades econômicas controladas, desde que respeitem o plano de manejo e a legislação vigente.
Como a mineração pode atuar como vetor de conservação?
O argumento central de Nilson Pinto foi a viabilidade de coexistência entre a extração mineral e a preservação de biomas. Para sustentar a tese, o gestor citou exemplos consolidados no estado, como a Floresta Nacional de Carajás e a Floresta Nacional do Saracá-Taquera. Nestas localidades, as operações minerais são executadas sob regimes rigorosos de monitoramento e controle ambiental.
Segundo o órgão ambiental, esse modelo de desenvolvimento permite que a exploração de recursos naturais gere recursos e infraestrutura que, por sua vez, podem ser revertidos para a vigilância e proteção das próprias áreas de floresta. A proposta é transformar o setor mineral em um agente ativo na manutenção da biodiversidade, indo além da simples mitigação de impactos.
Quais são as iniciativas para a recuperação de áreas degradadas?
Além da exploração controlada, o painel destacou projetos voltados para a restauração florestal e o fortalecimento do conceito de “floresta em pé”. O setor mineral tem potencial para liderar projetos de recomposição vegetal em áreas que sofreram intervenção humana anterior, utilizando tecnologias de plantio e manejo para recuperar serviços ecossistêmicos essenciais.
- Ampliação do monitoramento em unidades de conservação estaduais;
- Incentivo a práticas sustentáveis em todo o território paraense;
- Recuperação de passivos ambientais através de parcerias técnico-científicas;
- Fortalecimento da economia da biodiversidade no entorno das minas.
Ao encerrar sua participação no congresso, o presidente do instituto reforçou a necessidade de diálogo entre o governo, a iniciativa privada e a sociedade civil. O objetivo final é consolidar um modelo em que a proteção ambiental não seja vista como um entrave, mas como um componente indispensável da viabilidade econômica a longo prazo.
O desafio é transformar a mineração em uma aliada da conservação. O Pará possui um patrimônio ambiental singular, e é possível avançar com responsabilidade, garantindo que a atividade mineral contribua para a proteção da biodiversidade, a recuperação de áreas degradadas e a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável para o nosso Estado.
O congresso reuniu especialistas, autoridades e representantes do setor produtivo para debater o futuro da indústria mineral, com foco especial nas exigências de sustentabilidade que dominam o cenário global atual. O posicionamento do Ideflor-Bio indica uma tendência de maior rigor técnico e integração nas políticas de licenciamento e gestão florestal no Pará.