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Mineração no Arizona: Tribo processa EUA por ameaça à coruja-manchada

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Uma coalizão formada por ambientalistas e lideranças indígenas abriu um processo judicial contra o governo federal dos Estados Unidos devido aos impactos de uma exploração mineral no estado do Arizona. De acordo com informações do Inside Climate News, a ação acusa as agências reguladoras de ignorarem a presença da coruja-manchada-mexicana, uma espécie ameaçada, na região de perfuração do projeto da mineradora Faraday Copper. O conflito expõe falhas no licenciamento ambiental e levanta debates sobre a preservação da biodiversidade nas montanhas do sudoeste americano.

As organizações responsáveis pela ação incluem o Centro para Diversidade Biológica, a Aliança da Bacia do Baixo San Pedro e a Tribo Apache de San Carlos. Os alvos do litígio são o Bureau of Land Management (BLM) e o Serviço de Peixes e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS). Os ativistas alegam que a aprovação governamental violou a Lei de Espécies Ameaçadas, uma vez que câmeras de monitoramento flagraram as corujas a menos de oitocentos metros dos locais de perfuração, contrariando a versão oficial de que não haveria habitat adequado para as aves na área.

Por que as agências federais estão sendo processadas no Arizona?

O processo judicial questiona a liberação do projeto Copper Creek, aprovado em junho do ano passado pelo BLM. A autorização permite que a empresa realize perfurações diárias, 24 horas por dia, ao longo de dois a três anos, em 67 locais distribuídos em 18 acres de terra. Atualmente, o empreendimento encontra-se na fase de exploração, etapa na qual os recursos minerais são analisados antes de uma decisão final sobre a instalação de uma mina a céu aberto. O local fica a poucos quilômetros da pequena cidade de Mammoth e tem gerado forte oposição local.

Representantes da proteção ambiental destacam que as provas fotográficas foram sumariamente ignoradas pelas autoridades.

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“Autoridades federais foram avisadas de que as corujas-manchadas-mexicanas estão na área, mas levaram esse projeto de mineração adiante de qualquer maneira e pularam etapas exigidas por lei”

, afirmou Russ McSpadden, defensor da conservação do sudoeste no Centro para Diversidade Biológica. Ele acrescentou que a legislação deveria proteger a vida selvagem antes que os danos ocorressem, classificando a perfuração industrial como ilegal.

Quais são os impactos ambientais apontados pelas organizações?

As preocupações dos moradores e dos grupos ambientais vão além do impacto sonoro e luminoso sobre as corujas, que constam na lista de espécies ameaçadas desde o ano de 1993. O ecossistema local é considerado uma das últimas paisagens naturais intactas do Arizona. Os principais pontos de alerta incluem:

  • O consumo de 70 mil galões de águas subterrâneas por mês para cada plataforma de perfuração.
  • Ameaça ao habitat do cuco-de-bico-amarelo, outro pássaro protegido pela legislação federal.
  • Riscos de contaminação ao Copper Creek, que deságua no rio San Pedro, o último grande rio sem represas da região sudoeste.
  • A degradação das chamadas “ilhas do céu”, montanhas que servem como refúgios isolados e corredores ecológicos vitais.

A região afetada pelo projeto já sofre com secas severas, e o lençol freático tem sido esgotado pela agricultura, pelo desenvolvimento residencial e pelas atividades industriais. Documentos obtidos pelas entidades ambientais apontam que o Departamento de Caça e Pesca do Arizona não teve tempo hábil para analisar o caso adequadamente. Comunicações internas revelam que o cronograma do projeto foi adiantado de setembro de 2025 para junho de 2025 devido à pressão corporativa.

Como o projeto de mineração avançou em meio às críticas?

Apesar da oposição comunitária e das evidências de risco ambiental, o projeto Copper Creek ganhou tração após ser incluído na lista de transparência FAST-41 do governo federal, ainda sob a administração anterior. A iniciativa acelerou os trâmites burocráticos. Em paralelo, há negociações corporativas em andamento, incluindo planos da mineradora Faraday para a aquisição da mina desativada de San Manuel, pertencente à BHP.

Caso o acordo seja concretizado, a BHP assumirá uma participação de 30 por cento no projeto. O litígio atual argumenta que o BLM não consultou devidamente o USFWS sobre os impactos às aves protegidas e falhou ao avaliar as consequências de longo prazo da extração de água subterrânea. O desfecho da ação judicial poderá definir um precedente importante para a aplicação da Lei de Espécies Ameaçadas frente aos avanços da indústria extrativista.

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