A Meta, controladora de Facebook e Instagram, pretende iniciar em 20 de maio uma primeira rodada de demissões em massa, com cortes adicionais previstos para os meses seguintes, segundo três fontes familiarizadas com o plano ouvidas pela Reuters. De acordo com informações do Valor Empresas, a empresa deve cortar cerca de dez por cento de sua força de trabalho global na etapa inicial, o equivalente a aproximadamente oito mil funcionários, como parte de uma reestruturação ligada ao avanço da inteligência artificial.
Segundo a reportagem, novas demissões podem ocorrer no segundo semestre, embora a data e o tamanho dessas etapas ainda não tenham sido definidos. As fontes afirmaram que os executivos podem ajustar os planos conforme observarem a evolução das capacidades de inteligência artificial da companhia. A Meta não comentou o assunto na sexta-feira, 17.
Quantos funcionários podem ser afetados nesta primeira rodada?
Uma das fontes citadas disse que a primeira onda deverá atingir cerca de dez por cento do quadro global da companhia. Com base no último registro da empresa, a Meta empregava cerca de 79 mil pessoas em 31 de dezembro do ano passado. Nessa estimativa, os cortes iniciais alcançariam aproximadamente oito mil trabalhadores.
A Reuters havia informado no mês anterior que a empresa planejava eliminar 20% ou mais de sua força de trabalho global. No texto atual, porém, o foco está em uma primeira fase de dez por cento, seguida de novas reduções ainda sem detalhes públicos sobre alcance ou calendário.
Por que a Meta estaria promovendo uma nova reestruturação?
A reportagem aponta que a empresa vem investindo centenas de bilhões de dólares em inteligência artificial e busca reorganizar de forma ampla seu funcionamento interno em torno dessa tecnologia. A estratégia acompanha um movimento mais amplo entre grandes companhias dos Estados Unidos, especialmente no setor de tecnologia, que têm associado cortes de pessoal a ganhos de eficiência com ferramentas de IA.
De acordo com as fontes, a Meta projeta um futuro com menos camadas de gerenciamento e maior eficiência operacional. Diferentemente do cenário observado na grande reestruturação do fim de 2022 e início de 2023, a empresa agora estaria em uma posição financeira mais confortável, embora mantenha o objetivo de simplificar estruturas e acelerar a adaptação ao novo ciclo tecnológico.
Como o movimento da Meta se relaciona com outras empresas do setor?
O texto compara a decisão da Meta a medidas recentes adotadas por outras empresas. A Amazon.com demitiu 30 mil funcionários corporativos nos últimos meses, o que representa quase dez por cento de seus empregados administrativos. Já a fintech Block cortou quase metade de sua equipe em fevereiro. Em ambos os casos, executivos relacionaram as medidas aos ganhos de eficiência proporcionados pela inteligência artificial.
O site Layoffs.fyi, que monitora demissões no setor de tecnologia no mundo, informou que 73.212 funcionários perderam seus empregos até agora neste ano. Em todo o ano de 2024, o número reportado pelo rastreador foi de 153.000. Os dados reforçam que as reduções de quadro continuam presentes no setor, mesmo em empresas que seguem investindo pesadamente em novas tecnologias.
O que muda dentro da Meta com essa reorganização?
Nas últimas semanas, a companhia reorganizou equipes da divisão Reality Labs e transferiu engenheiros de diferentes áreas para uma nova estrutura de “IA aplicada”. Segundo a reportagem, essa organização foi criada para acelerar o desenvolvimento de agentes de inteligência artificial capazes de programar software e executar tarefas complexas de forma autônoma.
Uma das fontes também afirmou que parte dos funcionários deverá ser transferida para a Meta Small Business, unidade criada no mês passado como parte da reestruturação. Assim, o processo não envolve apenas demissões, mas também remanejamentos internos em áreas consideradas estratégicas.
- Primeira rodada prevista: 20 de maio
- Corte inicial estimado: cerca de dez por cento da força de trabalho global
- Novas demissões: possibilidade no segundo semestre
- Foco da reorganização: inteligência artificial e simplificação da estrutura
- Movimentos recentes: mudanças na Reality Labs e criação da área de IA aplicada
Se confirmadas, as demissões deste ano serão as mais significativas na Meta desde o chamado “ano da eficiência”, expressão usada pela própria empresa para a reestruturação realizada entre o fim de 2022 e o início de 2023, quando cerca de 21 mil trabalhadores foram desligados. Naquele período, a companhia enfrentava queda acentuada das ações e tentava corrigir projeções de crescimento da era da covid que se mostraram insustentáveis.