MC Ryan é citado em áudios reunidos pela Polícia Federal em uma investigação sobre um suposto esquema de apostas online e lavagem de dinheiro, segundo reportagem publicada pela Revista Fórum com base em informações exibidas pelo Fantástico. As gravações integram a Operação Narcofluxo, deflagrada em 15 de abril, com prisões em Bertioga, em São Paulo, e no Rio de Janeiro. De acordo com informações da Revista Fórum, a apuração aponta movimentações financeiras ligadas à promoção de plataformas de jogos online e ao uso de estruturas para ocultação patrimonial.
Segundo o material citado na reportagem, as conversas envolvem MC Ryan, o contador Rodrigo Morgado e Tiago de Oliveira. A investigação apura um esquema estimado em R$ 1,6 bilhão. A operação também prendeu MC Poze do Rodo e Rodrigo Morgado. Foram apreendidos bens avaliados em R$ 20 milhões, ainda de acordo com a Polícia Federal.
O que mostram os áudios citados na investigação?
Nas gravações, MC Ryan aparece negociando valores para divulgar casas de apostas. Em um dos trechos reproduzidos pela reportagem, o cantor afirma:
“Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 [mil]. Mas se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 [mil]”.
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Em outra conversa, ele faz referência ao período de maior visibilidade de jogos conhecidos popularmente como “tigrinho”. O conteúdo foi incorporado ao inquérito que investiga a circulação de recursos supostamente ilícitos por meio de contas e operações financeiras.
“Nunca é bom falar dos resultados das plataformas, tá ligado? Na época do Tigrinho tava bom mesmo, eu tava arregaçando”.
A reportagem também relata diálogos atribuídos a Rodrigo Morgado sobre a compra de imóvel sem uso do nome de MC Ryan, com referência a uma holding. Em outro áudio, MC Ryan pede a Tiago de Oliveira ajuda para sacar valores em criptomoedas.
Como a Polícia Federal descreve o suposto esquema?
De acordo com a Polícia Federal, os artistas investigados teriam papel relevante na circulação de valores sob apuração. O delegado Roberto Costa da Silva afirmou que as contas ligadas aos investigados eram usadas para movimentar recursos e misturá-los a receitas consideradas lícitas.
“Eles tinham um papel importante no esquema de lavagem de dinheiro. Eram eles que detinham as contas utilizadas para que o dinheiro obtido de maneira ilícita pudesse circular, pudesse se confundir com os recursos lícitos”.
Segundo o delegado, a exposição dos investigados nas redes sociais também era um fator relevante para o funcionamento do esquema apurado.
“As redes sociais são utilizadas para captar seguidores e isso impulsiona o fluxo financeiro nas contas que eles detêm, permitindo que outros recursos de origem ilícita também ingressem e gerem essa confusão”.
A investigação indica ainda que recursos de diferentes origens ilícitas teriam passado pelas contas analisadas, incluindo crimes relacionados ao sistema financeiro, apostas e jogos ilegais. A PF também mencionou possíveis conexões com PCC e CV.
“Pelas contas dos investigados, passaram recursos de origem ilícita de uma diversa gama de crimes, dentre os quais tráfico de drogas e crimes relacionados ao sistema financeiro, como apostas e jogos ilegais”.
O que dizem as defesas dos investigados?
A defesa de Rodrigo Morgado afirmou, segundo a reportagem, que o contador atua dentro da legalidade. Já as defesas de MC Ryan e MC Poze do Rodo negam envolvimento com atividades criminosas e sustentam que as movimentações financeiras têm origem lícita.
Até o momento, o caso está no campo da investigação. Os elementos divulgados pela Polícia Federal incluem áudios, movimentações financeiras e apreensão de bens. Entre os principais pontos mencionados na apuração estão:
- áudios sobre divulgação de plataformas de apostas;
- suspeita de lavagem de dinheiro estimada em R$ 1,6 bilhão;
- prisões realizadas em 15 de abril;
- apreensão de bens avaliados em R$ 20 milhões;
- uso de criptomoedas e estruturas patrimoniais sob investigação.
O inquérito prossegue para esclarecer a participação de cada investigado, a origem dos recursos movimentados e o alcance das conexões apontadas pela Polícia Federal.