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Madeira nativa da Amazônia em MT exige mais rastreabilidade e manejo sustentável

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Mato Grosso reúne condições para ampliar sua liderança na produção sustentável de madeira nativa da Amazônia, mas ainda precisa avançar em manejo florestal, rastreabilidade e diversificação de espécies e produtos. A avaliação consta em análise do Imaflora sobre o setor no estado, divulgada em 25 de abril de 2026, com base em dados oficiais e monitoramento da cadeia madeireira. De acordo com informações da Página 22, o estudo aponta potencial produtivo relevante, mas também destaca fragilidades ligadas à exploração sem autorização e à necessidade de maior controle sobre a origem dos produtos.

Segundo a análise “Produção madeireira sustentável no estado de Mato Grosso: realidade e oportunidades”, da plataforma Timberflow, criada pelo Imaflora com apoio de especialistas da Universidade de São Paulo, o estado combina ampla base florestal manejável, parque industrial robusto, escala, diversidade de espécies e demanda internacional crescente. Ao mesmo tempo, convive com desafios estruturais para se consolidar como referência nacional e internacional no segmento.

Por que Mato Grosso é estratégico na produção de madeira nativa?

O estudo indica que Mato Grosso se consolidou como principal polo de produção de madeira nativa da região amazônica. Entre 2010 e 2023, o estado respondeu, em média, por 44% das transações de madeira amazônica em tora, cerca de 64 milhões de metros cúbicos, e por 40% de outros produtos madeireiros. Desse volume, 99,45% foi processado localmente, dado apresentado como sinal de uma indústria instalada com capacidade de absorver e transformar a produção.

Apesar desse protagonismo, o cenário recente mostra mudanças de mercado. Em 2024, Mato Grosso registrou retração de 38% nas vendas para o mercado interno, com destaque para a queda da demanda nos estados do Sul e do Sudeste. Em contrapartida, houve crescimento de 81% nas exportações, com Estados Unidos, China e Europa liderando o consumo da madeira produzida no estado.

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Essa migração comercial elevou a exigência por rastreabilidade e conformidade ambiental. O texto cita a iminente entrada em vigor da lei europeia antidesmatamento, a EUDR, além de acordos sino-brasileiros em favor de um comércio mais sustentável e da participação do Brasil na CITES, convenção internacional voltada à regulação do comércio de espécies ameaçadas.

Quais são os principais gargalos apontados pelo estudo?

De acordo com o Imaflora, um dos pontos de atenção está na concentração da exploração em um grupo restrito de espécies, entre elas cedrinho, cupiúba, mandioqueira e itaúba. Já espécies como ipê e cumaru, incluídas em listas de controle internacional, passaram a enfrentar mais restrições operacionais. Para a análise, a diversificação de espécies e produtos aparece como uma das medidas necessárias para fortalecer a atividade.

Outro problema destacado é a regularização da exploração madeireira. No período estudado, a atividade abrangeu 2,95 milhões de hectares, dos quais 1,15 milhão de hectares, ou 39%, não possuíam plano de manejo nem autorização oficial para desmate. O texto classifica essa área como de extração possivelmente ilegal, o que reforça a necessidade de ampliar fiscalização, monitoramento e governança territorial.

“Em um mercado que já não separa competitividade de sustentabilidade, a atividade madeireira tem a missão e o desafio de ordenar, monitorar e fiscalizar os territórios onde atua”, diz Leonardo Sobral, diretor da área de Florestas e Restauração Florestal do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

Em outro trecho, Sobral afirma que a pressão do mercado por comprovação de origem e legalidade tende a crescer.

“O mercado, cada vez mais, exige informações sobre origem, legalidade e regularidade socioambiental dos produtos florestais. Esse é um ponto estratégico para a indústria madeireira, e Mato Grosso tem oportunidade de avançar nesse quesito”, afirma Sobral.

Onde estão os polos de manejo e os focos de exploração sem autorização?

Os municípios de Aripuanã, Colniza e Juara concentram cerca de um terço da área de manejo florestal de Mato Grosso. Aripuanã e Colniza lideram o ranking, cada um com 13% da produção total de toras no período analisado, enquanto Juara aparece em terceiro lugar, com 9,6%. Os três estão na região Norte-Noroeste do estado, área ainda marcada por presença florestal relevante e tradição na atividade madeireira.

Ao mesmo tempo, dados do Simex, produzidos pelo Instituto Centro de Vida, mostram que 22% da exploração sem autorização ocorreu nos municípios de Aripuanã, Nova Maringá e Colniza. O monitoramento é feito com base em imagens de satélite e no cruzamento com planos de manejo e autorizações oficiais, o que, segundo o texto, reforça a importância de instrumentos de controle mais eficazes.

O estudo também contextualiza esse cenário com a pressão histórica sobre o território. Mato Grosso é o segundo estado com maior área desmatada da Amazônia, segundo dados do MapBiomas. Embora o avanço da agropecuária tenha determinado a maior parte da supressão de vegetação nativa, ainda existe uma base florestal expressiva apta ao manejo, o que sustenta a avaliação de que o estado pode ampliar a produção legal e sustentável se conseguir reduzir riscos de ilegalidade e elevar a rastreabilidade da cadeia.

  • Ampliar o manejo florestal legal
  • Fortalecer a rastreabilidade dos produtos madeireiros
  • Diversificar espécies e produtos
  • Reforçar governança, monitoramento e fiscalização
  • Responder às exigências de mercados internacionais

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