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Jaqueiras na Mata Atlântica causam danos severos ao solo e à fauna local

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Um estudo recente conduzido por cientistas do Departamento de Ecologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) revelou que a proliferação de jaqueiras está causando danos profundos ao ecossistema da Mata Atlântica. A pesquisa, focada na Reserva Biológica de Duas Bocas, localizada no estado do Espírito Santo, demonstrou como essa espécie exótica altera a composição do solo e prejudica o desenvolvimento da fauna nativa, simplificando de forma drástica o habitat natural onde se instala.

De acordo com informações da Radioagência Nacional, o levantamento foi publicado na renomada revista científica internacional Biological Invasion e contou com o financiamento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Os dados apontam que a presença descontrolada da planta atua de forma nociva sobre os recursos essenciais do solo florestal.

Como a árvore exótica altera o ecossistema florestal?

Os especialistas constataram que as áreas dominadas pelas jaqueiras apresentam uma camada de folhas significativamente mais rasa no chão da floresta. Essa alteração física no ambiente resulta em uma menor presença de insetos e de outros invertebrados, que são organismos fundamentais para a base da cadeia alimentar do bioma. A ausência desses pequenos animais gera um efeito cascata que atinge predadores maiores e desequilibra todo o ciclo ecológico.

A líder da pesquisa, Juliane Ribeiro, esclarece os motivos biológicos que tornam a planta tão prejudicial à biodiversidade brasileira.

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Apesar de ser muito comum no Brasil, a jaqueira não é uma espécie nativa. Ela é uma espécie exótica invasora. Foi introduzida há séculos atrás e hoje se espalhou por várias áreas de floresta, inclusive dentro de unidades de conservação. E a jaqueira tem algumas características que ajudam ela a dominar esses ambientes: ela produz muitos frutos, o que facilita a dispersão, e também libera substâncias químicas no solo, um processo que a gente chama de alelopatia, o que pode dificultar o crescimento de outras plantas ali.

Quais são os impactos diretos na fauna nativa da região?

A pesquisa detalhou os efeitos negativos da invasão botânica sobre grupos específicos de animais, com destaque para as populações de sapos que habitam o Espírito Santo. Os resultados indicaram que os impactos variam entre os organismos, sendo que as espécies consideradas generalistas apresentam maior capacidade de resistência às transformações ambientais induzidas pelas jaqueiras. Em contrapartida, as espécies mais sensíveis correm sérios riscos de declínio populacional.

O fenômeno documentado não se restringe apenas aos anfíbios. A pesquisadora recorda que investigações anteriores corroboram a gravidade da situação.

E esse padrão não aparece só nos sapos. Em 2020, nós também fizemos um estudo com pequenos mamíferos na mesma área e vimos um resultado muito semelhante. Algumas espécies são favorecidas, enquanto outras diminuem em áreas que têm muita jaqueira. Ou seja, a jaqueira não afeta apenas um grupo, ela pode reorganizar toda a comunidade de animais.

O que pode ser feito para conter o avanço da espécie?

Ao funcionar como um rigoroso filtro ecológico, a árvore de origem asiática torna a floresta muito menos diversa e, consequentemente, mais vulnerável a futuras mudanças climáticas e ambientais. Diante deste cenário preocupante, a equipe científica enfatiza que a compreensão minuciosa dos efeitos dessa invasão é um passo absolutamente central para o planejamento de um manejo ambiental eficiente e seguro.

A responsabilidade pelo controle do problema exige uma atuação conjunta entre o poder público e os cidadãos.

Mostra que as ações de controle precisam considerar esses efeitos mais amplos, inclusive sobre os animais. E também tem um papel importante da sociedade nisso. A jaqueira foi espalhada ao longo do tempo, principalmente por ação humana. Então, evitar plantar espécies exóticas em áreas naturais e não descartar sementes ou restos das frutas na floresta são atitudes simples que ajudam a reduzir a dispersão.

Por fim, o estudo propõe um conjunto de medidas corretivas essenciais para mitigar os danos ao bioma. Os cientistas argumentam que o plano de contenção deve obrigatoriamente englobar os seguintes pontos:

  • A remoção contínua e sistemática das espécies exóticas invasoras nas unidades de conservação.
  • O desenvolvimento de ações de restauração direcionadas ao solo afetado.
  • A recuperação estrutural da serrapilheira, garantindo a proteção e a umidade da terra.
  • O replantio e o incentivo ao crescimento da vegetação nativa do sub-bosque florestal.

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