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Limpeza incorreta de painéis solares pode reduzir geração em até 5,6%, alerta estudo

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Uma pesquisa do Fraunhofer Center for Silicon Photovoltaics (CSP), da Alemanha, apontou que alguns produtos de limpeza usados em módulos fotovoltaicos podem danificar o revestimento antirreflexo do vidro e reduzir a geração de energia em até 5,6%. O estudo, divulgado em 23 de março de 2026, avaliou cinco agentes de limpeza comercializados para manutenção de sistemas solares, além de água deionizada pura como referência, em testes conduzidos com exposição por 24 horas a 55 °C. De acordo com informações da PV Magazine, o objetivo foi verificar se limpadores químicos podem degradar o revestimento antirreflexo aplicado com frequência ao vidro dos módulos.

Segundo o pesquisador Marko Turek, do Fraunhofer CSP, os produtos avaliados estão entre os líderes de mercado e são vendidos livremente na Europa. Embora o teste tenha sido feito com produtos comercializados no mercado europeu, o tema também é relevante no Brasil, que tem uma das maiores bases de geração solar do mundo e utiliza módulos fotovoltaicos em usinas e sistemas de geração distribuída. Apenas um deles era um limpador de uso específico, enquanto os demais eram promovidos como limpadores multiuso para sistemas fotovoltaicos. O pesquisador afirmou à publicação que o trabalho não buscou reproduzir um cenário único de aplicação, mas comparar os produtos em condições controladas e reproduzíveis.

Como o estudo avaliou os produtos de limpeza para painéis solares?

Nos experimentos, o vidro dos módulos foi exposto aos agentes de limpeza na concentração de uso por 24 horas a 55 °C. De acordo com Turek, esse intervalo corresponderia ao tempo total de molhamento ao longo da vida útil dos módulos em um cenário de limpezas frequentes, enquanto a temperatura adotada não seria incomum sob luz solar direta.

Após a exposição, os pesquisadores mediram o desempenho óptico do vidro, com atenção especial à transmissão óptica. A equipe concluiu que alguns produtos tiveram impacto maior do que outros e que houve ampla variação entre os cinco limpadores testados. Segundo o pesquisador, a alteração no desempenho óptico se traduz diretamente em perda de potência dos módulos fotovoltaicos, já que a degradação do revestimento antirreflexo reduz a capacidade de geração.

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O estudo não incluiu análise química da composição dos limpadores. Conforme Turek, a intenção principal não era fazer engenharia reversa dos produtos, mas oferecer um teste objetivo de triagem e alertar proprietários de sistemas fotovoltaicos para a necessidade de verificar previamente se o produto de limpeza não causa danos aos módulos.

Quais foram os resultados observados pelos pesquisadores?

Três dos cinco agentes de limpeza testados causaram degradação mensurável do revestimento antirreflexo, provocando perdas ópticas que resultaram em queda de desempenho dos módulos. Nos casos mais severos, os pesquisadores calcularam perdas de até 5,6%. Esse percentual se refere à perda de corrente do módulo solar em comparação com um módulo com revestimento de vidro não danificado.

Por outro lado, dois dos produtos não causaram degradação significativa, de forma semelhante à água deionizada usada como referência. Imagens de microscopia confirmaram a diferença entre os resultados: amostras expostas aos produtos mais agressivos apresentaram degradação visível na superfície, enquanto aquelas tratadas com os agentes não danosos preservaram o revestimento em grande parte intacto.

“Vimos o revestimento antirreflexo realmente ser danificado”, explicou Turek. “Com os três limpadores que tiveram forte impacto, há partes em que ele ainda está presente e outras em que foi removido. Já com os outros dois limpadores, ele ainda parece muito uniforme. A mudança é visível a olho humano. A aparência da cor fica um pouco irregular, então você vê algo como um efeito de arco-íris.”

De acordo com o pesquisador, a mudança visual pode ser percebida a olho nu, com aparência de cor irregular no vidro. Ele também afirmou que alguns produtos agressivos são comercializados como certificados ou testados como compatíveis com materiais, mas observou que essas avaliações podem seguir condições muito diferentes entre si ou até padrões inadequados para essa aplicação.

Por que o resultado preocupa operadores e investidores de usinas solares?

Os pesquisadores afirmam que o dano ao revestimento antirreflexo é permanente e provavelmente decorre de reação química, já que não foi detectado esforço mecânico nos experimentos. Turek disse que existem empresas que trabalham com reparo ou adaptação dos módulos com novo revestimento, mas ressaltou que isso não é uma prática rotineira no setor.

O tema preocupa porque agentes químicos de limpeza são usados justamente para reduzir o estresse mecânico causado por robôs ou escovas em parques solares. No caso brasileiro, isso afeta tanto grandes usinas quanto sistemas instalados em telhados e comércios, já que a escolha de produtos de manutenção pode influenciar a geração ao longo do tempo. Nesse contexto, o ganho esperado com a diminuição de riscos de abrasão pode ser anulado se o produto químico, por sua vez, causar dano ao revestimento do vidro.

  • cinco agentes de limpeza comerciais foram testados;
  • três causaram degradação mensurável do revestimento antirreflexo;
  • dois não apresentaram degradação significativa;
  • a perda máxima estimada de desempenho foi de 5,6%;
  • o dano observado foi descrito como permanente.

Na próxima etapa, a equipe do Fraunhofer CSP pretende investigar a relação entre a eficiência real da limpeza e os possíveis danos ao revestimento antirreflexo. Segundo os pesquisadores, a meta é aprofundar a análise da interação entre efeitos químicos e mecânicos para formular recomendações à indústria.

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