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Juro alto reflete desequilíbrio fiscal desde 2014, diz economista da CNC

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O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que os juros elevados no Brasil são o preço de um desequilíbrio fiscal acumulado desde 2014 e avaliou que o endividamento recorde das famílias foi impulsionado pelo aperto monetário dos últimos anos. A declaração foi dada em entrevista publicada na segunda-feira, 13 de abril de 2026, em Brasília, após a divulgação de um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo sobre o avanço das dívidas das famílias. Segundo ele, medidas como um novo Desenrola Brasil e a liberação de recursos do FGTS podem aliviar a situação no curto prazo, mas não resolvem a causa estrutural do problema.

De acordo com informações do Poder360, a CNC informou que o endividamento das famílias brasileiras subiu 0,2 ponto percentual em março e chegou a 80,4%, o maior nível da série histórica iniciada em 2015. Em fevereiro, o índice estava em 80,2%.

Por que Fabio Bentes associa juro alto ao desequilíbrio fiscal?

Na avaliação de Bentes, o atual patamar dos juros tem relação direta com a situação fiscal do país ao longo da última década. Ele defendeu que o ciclo de alta da taxa básica foi tecnicamente justificado, mas disse que o nível dos juros no Brasil precisa ser repensado diante de um quadro estrutural de desequilíbrio nas contas públicas.

“A gente precisa quebrar nosso padrão de endividamento em taxas extremamente elevadas, que estão lá no fundo, na raiz mesmo do problema, associadas a um Estado que é altamente deficitário e que, por isso, pratica patamares de juros historicamente elevados”.

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O economista também declarou que uma política fiscal mais equilibrada seria o cenário ideal. Para ele, os juros básicos elevados representam o custo atual de um desequilíbrio fiscal crônico observado desde 2014.

“O ideal seria que a gente tivesse uma política fiscal mais equilibrada. A gente paga, de certa forma, hoje, um preço elevado, na forma de juros básicos elevados, por esse desequilíbrio fiscal crônico que o país apresentou desde 2014”.

O que mostram os dados sobre endividamento e inadimplência?

O levantamento citado pela CNC mostra que o endividamento das famílias avançou em março, enquanto a inadimplência ficou estável no mês. O percentual de dívidas em atraso permaneceu em 29,6%, embora tenha registrado alta de 1,0 ponto percentual na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Segundo a confederação, esse movimento reforça o efeito do ciclo de alta da Selic sobre o custo do crédito. Após sucessivos aumentos, a taxa básica teve em 2026 sua primeira redução, passando de 15% para 14,75% ao ano. Bentes afirmou que a taxa média de empréstimos e financiamentos no Brasil registrou recordes sucessivos ao longo de 2025 e que, em março, estava próxima de 60% nas operações com recursos livres, patamar que, segundo ele, não era observado para esse período do ano desde 2017.

  • Endividamento das famílias em março: 80,4%
  • Endividamento em fevereiro: 80,2%
  • Inadimplência em março: 29,6%
  • Selic após redução em 2026: 14,75% ao ano

Desenrola Brasil e FGTS resolvem o problema?

Para Bentes, não. O economista avaliou que um novo Desenrola Brasil e a liberação de até R$ 7 bilhões do FGTS para cerca de 10 milhões de trabalhadores podem produzir alívio temporário, mas não enfrentam a origem do endividamento elevado.

Na leitura dele, essas iniciativas funcionam como medidas paliativas, capazes de melhorar o cenário apenas no curto prazo. Bentes acrescentou que o problema também passa pela falta de educação financeira, além do peso dos juros altos sobre o orçamento das famílias.

“mas não ataca a raiz do problema”

Que outros fatores pressionam a economia, segundo o economista?

Bentes disse ainda que a guerra no Irã pressiona a inflação, sobretudo para as famílias de renda mais baixa, mais expostas ao aumento de preços de produtos impactados pelo custo dos fretes. O cenário inflacionário, segundo a reportagem, ganhou força com a alta do IPCA para 0,88% em março, acima das projeções de economistas.

Esse resultado pode influenciar a política monetária e reduzir o ritmo de flexibilização dos juros. No mesmo contexto, os dados citados na entrevista mostram que o setor público consolidado acumulou rombo nominal de R$ 1,09 trilhão em 12 meses até março, enquanto o gasto com juros da dívida chegou a R$ 1,036 trilhão, de acordo com levantamento do Banco Central mencionado na reportagem.

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