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Javier Milei e José Antonio Kast firmam aliança regional na Argentina

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El presidente Milei junto con el presidente electo de Chile, José Antonio Kast.
El presidente Milei junto con el presidente electo de Chile, José Antonio Kast. Foto: Gobierno de la República Argentina — CC BY 4.0

O presidente da Argentina, Javier Milei, recebeu nesta segunda-feira (6) o novo líder do Chile, José Antonio Kast, na Casa Rosada, em Buenos Aires. O encontro diplomático, selado com um longo abraço entre os chefes de Estado, marca a primeira viagem oficial do mandato do presidente chileno e consolida um forte realinhamento ideológico e político na América do Sul.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a reunião privada entre os dois políticos conservadores abordou temas cruciais para a relação bilateral. A aproximação substitui a dinâmica anterior, marcada por constantes distanciamentos entre a gestão de Gabriel Boric, ex-presidente do Chile, e Alberto Fernández, antecessor na chefia do Executivo argentino.

Quais foram os principais temas debatidos no encontro?

Durante a cúpula, os presidentes discutiram uma ampla agenda de cooperação mútua. Considerando a extensa fronteira de mais de cinco mil quilômetros que separa as duas nações, as conversas focaram em estratégias conjuntas de segurança e desenvolvimento econômico. Após a reunião, o chefe de Estado chileno classificou o diálogo bilateral como muito produtivo.

Os principais pontos de discussão incluíram:

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  • Fomento ao turismo e ao comércio bilateral;
  • Atração de investimentos e novos projetos na área de mineração;
  • Combate à imigração irregular, com foco em expulsões planejadas para os próximos meses;
  • Ações coordenadas contra o crime organizado na região.

Como fica a situação do ex-guerrilheiro Galvarino Apablaza?

O combate ao crime organizado esbarra em um ponto diplomático sensível: a extradição frustrada de Galvarino Apablaza. O ex-guerrilheiro chileno é acusado de participação no assassinato do ex-senador Jaime Guzmán, ocorrido no ano de 1991. Guzmán foi um dos fundadores da União Democrata Independente (UDI), partido basilar de apoio ao regime de ditadura de Augusto Pinochet.

Apablaza estava refugiado em território argentino desde 2010. No entanto, ele perdeu esse status em fevereiro por decisão judicial e tornou-se foragido após a expedição de um mandado de prisão na semana anterior ao encontro. O Ministério da Segurança argentino ofereceu uma recompensa de aproximadamente 14 mil dólares por informações que levem à sua captura. Antes de embarcar, Kast afirmou que “a justiça prevalecerá e, mais cedo ou mais tarde, Apablaza terá que responder perante a justiça chilena”. A defesa do acusado argumenta que a prisão seria ilegal e promete recorrer a instâncias internacionais.

Qual é o impacto dessa aliança no cenário político sul-americano?

A aliança entre a Argentina e o Chile reflete uma reorganização das forças políticas no continente. Os dois políticos já mantinham laços anteriores, com encontros registrados na Conferência Política de Ação Conservadora (CPAC), no estado de São Paulo, em 2022, e logo após a eleição do líder chileno.

Neste ano, eles também se reuniram em Miami com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de chefes de Estado como Rodrigo Paz, da Bolívia, Daniel Noboa, do Equador, Nayib Bukele, de El Salvador, e Santiago Peña, do Paraguai. O grupo formou a coalizão denominada Escudo das Américas para enfrentar a criminalidade, movimento que evidencia o isolamento regional do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o cenário brasileiro, essa divergência ideológica com nações fronteiriças impõe novos desafios diplomáticos ao Itamaraty e pode impactar o andamento de pautas conjuntas e a dinâmica interna do Mercosul.

Apesar da força internacional, ambos enfrentam desafios internos severos. A aprovação do líder no Palácio de La Moneda caiu para 42%, enquanto o chefe da Casa Rosada acumula mais de 61% de desaprovação. Pesquisas apontam que a insatisfação popular argentina é impulsionada por fatores como desemprego, inflação e suspeitas de corrupção, incluindo a recente polêmica sobre a compra de imóveis por parte de seu chefe de Gabinete, Manuel Adorni.

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