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Irã segue carregando petróleo em navios mesmo com bloqueio dos EUA à rota

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O Irã continua carregando milhões de barris de petróleo em superpetroleiros, mesmo com o bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos para dificultar a saída do óleo iraniano. Segundo o texto publicado pela Rigzone, com base em reportagem da Bloomberg, imagens de satélite registradas na segunda-feira, 24 de abril de 2026, mostram movimentação de navios na ilha de Kharg, principal terminal de exportação do país, em meio ao esforço de Washington para restringir as vendas externas de Teerã e reduzir uma fonte central de receita do governo iraniano. De acordo com informações da Rigzone, a carga parece estar sendo direcionada a embarcações já disponíveis na região.

As imagens do satélite Sentinel 1, da União Europeia, mostram um navio do tipo VLCC, com capacidade para cerca de dois milhões de barris, atracado no píer da ilha de Kharg. Em um registro anterior, feito no sábado, não havia embarcações atracadas no local. Já na segunda-feira, 13 navios, a maioria também do tipo VLCC, apareciam ancorados a leste da ilha. Segundo a reportagem, esse número é aproximadamente o dobro do observado na véspera do início do bloqueio, em 13 de abril.

O que as imagens e os dados indicam sobre a estratégia do Irã?

Sem evidências de que grandes volumes de petróleo estejam conseguindo contornar o bloqueio dos Estados Unidos, a avaliação apresentada é que o petróleo carregado esteja ocupando petroleiros que o Irã ainda mantém à disposição nas proximidades. A continuidade desse processo, no entanto, pode se tornar mais difícil caso a barreira marítima americana seja mantida.

O governo dos Estados Unidos afirmou que sua barreira no Mar de Omã impediu a passagem de quase três dezenas de embarcações iranianas, interrompendo o caminho do petróleo até os compradores. A medida ocorre enquanto o governo do presidente Donald Trump busca reduzir a receita petroleira iraniana, considerada essencial para as finanças do país.

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A reportagem informa ainda que o Irã tentou diversas vezes romper o bloqueio. Segundo a Marinha dos Estados Unidos, ao menos dois superpetroleiros foram interceptados nesta semana no Golfo de Omã e no Mar Arábico. As forças americanas teriam obrigado essas e outras embarcações a retornar para um porto iraniano, o que contribuiu para uma concentração de petroleiros e outros navios nas proximidades do porto de Chabahar, perto da fronteira com o Paquistão.

Como o bloqueio tem afetado a logística e a produção de petróleo iraniana?

Além das interceptações, forças dos Estados Unidos teriam abordado o navio-tanque Majestic X, que transportava petróleo iraniano no Oceano Índico, dias depois de atingir o navio Tifani quando ele estava entre o Sri Lanka e o Estreito de Malaca. De acordo com o texto original, as duas embarcações estão sob sanções americanas, e esses episódios indicam que o alcance do bloqueio vai além do Mar de Omã.

A análise citada pela reportagem aponta que, caso os petroleiros deixem de conseguir transitar, os efeitos sobre a produção do Irã tendem a aparecer com o tempo. Em nota datada de 21 de abril, analistas do JPMorgan Chase & Co., incluindo Natasha Kaneva, afirmaram que a medida limitaria os volumes de forma mecânica, e não apenas financeira, reduzindo o espaço para rotas alternativas e, gradualmente, forçando o país a cortar a produção.

“would constrain volumes mechanically, not just financially, leaving far less room for workaround trade, and, over time, forcing Iran to curtail production”

Apesar disso, o impacto não deve ser imediato. A consultoria FGE NexantECA afirmou, em nota mencionada na reportagem, que o Irã dispõe de 90 milhões de barris em capacidade de armazenamento e poderia manter a produção atual, de cerca de 3,5 milhões de barris por dia, por mais dois meses, mesmo se o bloqueio americano conseguir interromper as exportações do país.

O ex-funcionário do Tesouro dos Estados Unidos Miad Maleki, que trabalhou com política de sanções no primeiro mandato de Trump e hoje atua na Foundation for Defense of Democracies, avaliou que o enchimento dos navios dá algum tempo adicional ao Irã antes do esgotamento da capacidade de armazenagem.

“They’re getting tankers filled up, that does give them additional time”

“So that kind of gives them a relief from running out of storage”

Por que pode demorar para saber se algum navio conseguiu escapar do bloqueio?

Segundo a reportagem, a maior parte dos petroleiros que transportam petróleo iraniano navega rotineiramente com os sinais automáticos de posição desligados. Mesmo antes do conflito mais recente, navios ligados ao Irã já costumavam interromper a transmissão ao entrar no Estreito de Hormuz, retomando o sinal apenas mais adiante, já na região do Estreito de Malaca, cerca de 13 dias de navegação a partir da ilha de Kharg.

Por isso, embarcações que eventualmente tentem escapar do bloqueio dos Estados Unidos podem adotar o mesmo procedimento. Na prática, isso significa que pode levar mais de uma semana até que algum navio que tenha conseguido passar pela Marinha americana, se houver casos, volte a aparecer nos sistemas de rastreamento.

  • Imagens de satélite mostraram um VLCC atracado na ilha de Kharg na segunda-feira
  • Ao todo, 13 navios apareciam ancorados a leste da ilha
  • Os Estados Unidos dizem ter barrado quase três dezenas de embarcações iranianas
  • O Irã poderia manter a produção por mais dois meses com a capacidade de armazenamento citada

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