As ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assumir controle da Groenlândia e interferir na Venezuela contradizem seu discurso de que as mudanças climáticas são falsas. De acordo com informações da Folha Ambiente, Trump tem dado passos geopolíticos que, segundo especialistas, só fazem sentido em um mundo mais quente.
Por que Trump está interessado na Groenlândia?
A obsessão do presidente americano com a Groenlândia é o exemplo mais recente. Com o degelo acelerado do Ártico, a região tem virado alvo de uma espécie de “corrida do ouro” moderna.
“Trump entende que pode estar acontecendo essa história de derretimento de gelo porque todo mundo quer alguma coisa [na região], e ele tem essa postura de querer ser sempre o primeiro da corrida”,
diz Karina Spohr, professora da London School of Economics and Political Science.
Como as mudanças climáticas afetam as rotas marítimas?
As rotas marítimas da região estão se tornando mais navegáveis, e a Rússia, principal potência ártica, vem realizando investimentos no mar do Norte.
“Não é que, de repente, a rota da passagem marítima do Norte vai virar o canal do Panamá. Vai continuar tendo gelo, vai continuar tendo problema, vai continuar sendo um lugar relativamente difícil”,
afirma Claudio Angelo, coordenador de política internacional do Observatório do Clima.
Quais são as implicações econômicas e estratégicas?
A Groenlândia é considerada uma possível grande fornecedora de terras raras, essenciais para indústrias como a de tecnologia e a de carros elétricos. Garantir para os Estados Unidos uma grande quantidade de terras raras faria sentido economicamente, já que a principal detentora de reservas no mundo é a China. Além disso, a segurança é outro motivo alegado por Trump para querer a posse do território dinamarquês.
Qual é a relação com a Venezuela?
A captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro de 2026, teve entre seus objetivos declarados o de permitir a exploração do petróleo local pelos EUA. Embora a fixação de Trump com combustíveis fósseis possa parecer uma manifestação clássica de negacionismo, há quem veja diferente.
“Eu acho que os EUA querem quebrar a competição com a China vendendo e impondo ao máximo de países que conseguirem uma tecnologia ultrapassada”,
diz Claudio Angelo.
Fonte original: Folha Ambiente.