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Industrialização da construção ganha força com foco em produtividade e sustentabilidade

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A industrialização da construção civil tem sido apontada por especialistas como um caminho para ampliar a produtividade do setor no Brasil, enfrentar a escassez e o alto custo de mão de obra e avançar em metas de sustentabilidade, incluindo a neutralidade de carbono até 2050. O tema foi discutido em uma live promovida pelo Modern Construction Show. De acordo com informações do Monitor Mercantil, representantes de entidades do setor destacaram o papel de sistemas construtivos industrializados, como concreto pré-fabricado, estruturas metálicas e madeira engenheirada, na modernização das obras.

Segundo a engenheira Íria Doniak, presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), esses sistemas oferecem benefícios como previsibilidade, redução de riscos, menor demanda de mão de obra no canteiro e diminuição de aditivos contratuais. Ela afirmou que os métodos podem ser usados de forma isolada ou combinada, inclusive com soluções convencionais, de acordo com as necessidades de cada projeto.

Por que o projeto é decisivo na construção industrializada?

Os especialistas afirmaram que o desempenho da industrialização depende diretamente da etapa de projeto. No caso de empreendimentos que combinam concreto, aço e madeira, as interfaces entre os materiais exigem detalhamento técnico e testes específicos. De acordo com Ulysses Barbosa Nunes, diretor executivo da Associação Brasileira da Construção Metálica (Abcem), falhas nessa compatibilização podem comprometer o resultado estrutural.

“Os maiores desafios estão nas interfaces. As ligações entre concreto, aço e madeira precisam ser detalhadas e testadas, considerando aspectos como deformações, dilatações e transferência de cargas. Quando isso não é bem resolvido, pode comprometer o desempenho da estrutura”

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Nesse contexto, o uso do BIM, sigla para Building Information Modeling, foi apontado como ferramenta essencial. Segundo os participantes, a tecnologia ajuda a antecipar conflitos, compatibilizar projetos e ampliar a previsibilidade da execução, o que tende a reduzir retrabalho e erros durante a obra.

Como a industrialização muda a lógica do canteiro de obras?

A avaliação dos especialistas é que a industrialização representa uma mudança de paradigma na construção civil. Em vez de concentrar grande parte da execução no canteiro, o processo passa a ser mais planejado e baseado em montagem. Para Clóvis Nakai, presidente da Associação Brasileira da Construção Industrializada em Madeira Engenheirada (Abracime), essa lógica exige planejamento mais rigoroso desde o início.

“A industrialização começa no projeto. É preciso planejar mais para errar menos, reduzir retrabalho e garantir maior precisão. Isso resulta em obras mais rápidas, com menos riscos e maior previsibilidade de custos”

Entre os efeitos apontados para esse modelo estão:

  • maior previsibilidade de custos;
  • redução de retrabalho;
  • menor necessidade de mão de obra no canteiro;
  • mais rapidez na execução;
  • menor exposição a riscos operacionais.

Qual é o impacto ambiental e de mão de obra no setor?

Outro ponto destacado no debate foi a contribuição dos sistemas industrializados para reduzir impactos ambientais. Com processos mais controlados, há menos desperdício, menor geração de resíduos e uso mais eficiente de materiais. Nakai afirmou que a construção civil responde por cerca de 38% das emissões globais de carbono, o que, segundo ele, reforça a necessidade de soluções mais sustentáveis no setor.

“Qualquer redução já tem um impacto significativo. E os sistemas industrializados caminham nessa direção”

A industrialização também altera o perfil profissional demandado pela construção civil. De acordo com Ulysses Barbosa Nunes, a necessidade de qualificação técnica e o uso intensivo de tecnologia podem tornar o setor mais organizado, seguro e atrativo para novos trabalhadores, especialmente os mais jovens.

“A construção passa a ser mais organizada, segura e tecnológica, o que ajuda a atrair jovens para o setor”

Qual é o estágio atual da industrialização no Brasil?

Apesar do avanço do debate e da adoção de novas soluções, a industrialização ainda representa cerca de 10% da construção no Brasil, segundo os especialistas ouvidos no evento. Para Íria Doniak, esse percentual indica espaço para expansão, mas também revela desafios, como financiamento e maior integração do ecossistema da construção para atender à demanda crescente.

O texto original também informa que a Francal anunciou a Mecânica Comunicação Estratégica como agência responsável pelo atendimento e relacionamento com a imprensa do Modern Construction Show 2026. O evento está marcado para ocorrer de 29 de setembro a 1º de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, e tem correalização da Abcic, da Abcem e da Abracime.

Segundo a organização, o encontro reúne sistemas construtivos e segmentos ligados à construção industrializada, incluindo pré-fabricados, estruturas metálicas, madeira engenheirada, materiais, tecnologias e outros sistemas construtivos. A programação prevê atividades voltadas à troca de conhecimento e à apresentação de tendências e inovações do setor.

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