Um grupo de 13 moradores do abrigo Lar da Providência, unidade vinculada à Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), participou na última quinta-feira, 16 de abril de 2026, de uma programação especial na Caixa Cultural Belém. O espaço, situado no Complexo Porto Futuro, na capital paraense, recebeu os idosos para uma série de atividades que uniram lazer, aprendizado e socialização, como parte de um cronograma voltado ao fortalecimento de vínculos comunitários.
De acordo com informações da Agência Pará, a iniciativa foi organizada pelo setor de terapia ocupacional da instituição estadual em parceria com a Caixa Econômica Federal. Durante a visita, os participantes tiveram a oportunidade de explorar exposições artísticas e integrar uma oficina prática, permitindo uma vivência direta com a produção cultural fora do ambiente de acolhimento institucional.
A ação foi acompanhada por uma equipe técnica de apoio, que garantiu a segurança e a acessibilidade de todos os presentes. O passeio integra uma estratégia contínua do governo paraense para promover a autonomia e o bem-estar da pessoa idosa. Ao proporcionar o contato com novas linguagens visuais e manuais, o projeto busca mitigar os efeitos do isolamento e estimular a memória afetiva e cognitiva dos acolhidos.
Qual o objetivo da oficina e do passeio cultural?
O principal propósito das atividades externas é oferecer uma alternativa à rotina tradicional do Lar da Providência. Segundo o relato oficial, a oficina realizada na Caixa Cultural possibilitou que os idosos exercessem a expressão individual por meio da arte, enquanto a circulação pelo Complexo Porto Futuro permitiu uma interação direta com o espaço urbano de Belém. Esse tipo de vivência é fundamental para que o cidadão institucionalizado se perceba como parte integrante da sociedade.
A programação foi estruturada para que os participantes pudessem ter um repertório cultural ampliado. A escolha da Caixa Cultural como sede não foi aleatória, uma vez que o local oferece infraestrutura adequada para receber grupos com mobilidade reduzida e propicia um ambiente de imersão educativa. A colaboração entre o setor público e a instituição financeira reforça a viabilidade de projetos de inclusão social em larga escala.
Como a terapia ocupacional auxilia no acolhimento?
A condução técnica da atividade ficou sob a responsabilidade da terapeuta ocupacional Juciane Melo. Segundo a profissional, o impacto dessas ações vai muito além de um simples momento de descontração, atingindo camadas profundas do desenvolvimento psicossocial dos idosos. Ela destaca que o resgate do sentimento de pertencimento é um dos pilares do tratamento não farmacológico oferecido no abrigo.
Essas atividades externas fazem parte dos objetivos da terapia ocupacional, que busca promover autonomia, participação social e qualidade de vida. Quando levamos essas pessoas para espaços culturais, estimulamos funções cognitivas, emocionais e sociais, além de resgatar o sentimento de pertencimento à comunidade.
Além da expressão individual, a terapeuta ressalta que o passeio em grupo é essencial para fortalecer os laços entre os próprios moradores da unidade. Ao compartilhar a mesma experiência estética e lúdica, os idosos desenvolvem uma rede interna de apoio e socialização, diminuindo quadros de apatia e depressão que podem surgir no cotidiano institucionalizado.
Quais os benefícios da integração social para idosos?
O titular da Seaster, Inocêncio Gasparim, reafirmou o compromisso da gestão estadual em manter o acolhimento humanizado. Para o secretário, garantir o acesso à cultura é uma forma de assegurar os direitos fundamentais estabelecidos pelo Estatuto do Idoso. A integração social é vista como uma ferramenta de saúde pública, pois previne o declínio cognitivo acelerado e melhora o humor dos atendidos.
Quando a gente vê esses idosos saindo da rotina, sorrindo, participando, se sentindo parte da cidade, isso mostra o quanto essas ações fazem diferença. Nosso trabalho é justamente esse: cuidar, acolher e garantir que eles tenham não só assistência, mas também momentos de alegria e pertencimento.
A continuidade dessas ações reflete o papel da assistência social em transformar a realidade de pessoas em situação de vulnerabilidade. O passeio cultural encerra-se como um exemplo de boa prática na gestão de abrigos públicos, destacando os seguintes pontos principais da jornada:
- Promoção da autonomia e da livre expressão artística dos idosos;
- Estímulo à memória e às funções cognitivas através de oficinas;
- Fortalecimento dos vínculos afetivos entre os acolhidos e a comunidade;
- Quebra da rotina institucional e reintegração ao cenário urbano de Belém;
- Acesso democrático a espaços de cultura e lazer.
A iniciativa evidenciou que a oferta de momentos de lazer qualificado é indissociável de um cuidado integral. Com a participação de 13 residentes, o Lar da Providência demonstra que a idade avançada e a institucionalização não devem ser barreiras para o usufruto da vida cultural da cidade.