A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) reuniu mais de 1.700 pessoas no auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, em Curitiba, na última quinta-feira, dia 16, para a abertura da Série Ouro com o concerto “Festival Gershwin!”. O evento, que homenageia o legado do compositor norte-americano George Gershwin, marcou o início das celebrações da temporada com casa cheia e terá uma nova apresentação programada para o próximo domingo, 19 de abril, às 10h30. De acordo com informações da Agência Paraná, os ingressos remanescentes podem ser adquiridos via plataforma digital ou na bilheteria oficial da instituição.
Sob a regência do maestro titular e diretor musical Roberto Tibiriçá, a apresentação contou com a colaboração do pianista convidado Fabio Martino. A proposta curatorial do festival busca unir a sofisticação da música de concerto com a espontaneidade rítmica do jazz, proporcionando uma experiência imersiva na obra de um dos maiores nomes da música do século XX. O pianista destacou que a programação é uma celebração da capacidade da arte de atravessar diferentes estilos e se comunicar com diversos públicos.
Quais obras compõem o repertório do festival?
A abertura do programa foi dedicada à peça “Porgy and Bess: A Symphonic Picture”, um arranjo orquestral desenvolvido por Robert Russell Bennett a partir da ópera original de 1935. A obra é historicamente reconhecida como a primeira grande ópera dos Estados Unidos, retratando a vida da comunidade afro-americana em Charleston, na Carolina do Sul. Na sequência, a Orquestra Sinfônica do Paraná executou a célebre “Rhapsody in Blue”, composta em 1924, que se tornou um marco da identidade musical americana ao fundir melodias clássicas com síncopas de jazz.
O encerramento da noite ficou a cargo do “Concerto em Fá”, obra de 1925 que consolida o diálogo entre o ambiente sinfônico e o blues. Para o pianista Fabio Martino, a música de Gershwin oferece uma comunicação direta:
É um programa que mistura sofisticação e comunicação direta, com uma música que emociona tanto pela sua construção quanto pela sua espontaneidade. Mas acima de tudo, é uma celebração da genialidade de Gershwin e da capacidade da música de atravessar estilos e falar com todos.
Como foi a recepção do público no Guairão?
A diversidade do público presente no Teatro Guaíra evidenciou o alcance da proposta. Estudantes universitários como Sabrina de Sá De Freitas Paz e Eduardo Nascimento relataram que a curiosidade despertada pelas redes sociais os levou pela primeira vez a um concerto da orquestra paranaense. A consultora de softwares Marcia Lode, frequentadora habitual do espaço, ressaltou que, embora já acompanhasse o trabalho da OSP, o contato inédito com as obras de Gershwin, especialmente a execução do piano, foi surpreendente.
Para o economista Persio Leonardo de Oliveira e Silva, a emoção de ouvir “Rhapsody in Blue” ao vivo foi o ponto alto da noite. Ele elogiou o virtuosismo técnico do pianista convidado e a precisão da orquestra. O festival cumpre, assim, o papel de apresentar grandes clássicos para veteranos enquanto atrai novas gerações para o Centro Cultural.
Quem foi o compositor George Gershwin?
George Gershwin (1898–1937) é uma das figuras mais influentes da história da música mundial. De ascendência russa e origem humilde no Brooklyn, em Nova Iorque, ele iniciou sua formação musical de maneira tardia, mas revelou um talento precoce como improvisador. Ao longo de sua carreira, compôs aproximadamente 500 canções e alcançou sucesso tanto na Broadway quanto nas grandes salas de concerto europeias e americanas.
O compositor faleceu aos 38 anos em decorrência de um tumor cerebral, mas seu impacto permanece vivo através de obras que celebram a diversidade cultural. Sua habilidade em aproximar o universo clássico das raízes populares do jazz transformou a percepção da música norte-americana, garantindo-lhe um lugar de destaque no cânone artístico global.
Qual é a trajetória da Orquestra Sinfônica do Paraná?
Fundada em 28 de maio de 1985, a Orquestra Sinfônica do Paraná completa quase quatro décadas de atividade como a principal instituição pública de música sinfônica do Estado. Iniciada com 61 músicos sob o comando de Alceo Bocchino, a orquestra hoje conta com 73 profissionais e um acervo que ultrapassa 900 obras de 250 compositores, incluindo brasileiros como Heitor Villa-Lobos e Henrique Morozowicz.
O atual regente, Roberto Tibiriçá, ocupa o posto de titular desde 2022. Com uma carreira internacional premiada, Tibiriçá recebeu o título de Doutor em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais e detém a Ordem do Ipiranga, honraria máxima do Estado de São Paulo. Sob sua liderança, a OSP segue expandindo seu alcance com apresentações que vão do repertório clássico tradicional a montagens de grandes balés e óperas.
Os interessados em acompanhar a segunda apresentação do Festival Gershwin devem se atentar aos detalhes do serviço:
- Data: 19 de abril, domingo.
- Horário: 10h30 (lugares livres por ordem de chegada).
- Local: Teatro Guaíra (Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto).
- Ingressos: R$ 20 para o público geral e R$ 10 para beneficiários da meia-entrada.
- Venda: Disponível no site DiskIngressos e na bilheteria física do teatro.