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Homens ampliam mobilização contra machismo e violência contra a mulher

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Homens têm sido envolvidos em grupos, cursos, rodas de conversa, campanhas e ações educativas para enfrentar o machismo e a violência contra a mulher no Brasil, em iniciativas promovidas por programas sociais, empresas, redes de apoio, escolas e instituições públicas. De acordo com informações da Agência Brasil, essas ações buscam ampliar o engajamento masculino, estimular a responsabilização e promover mudanças de comportamento em diferentes espaços, como o ambiente doméstico, corporativo, comunitário e escolar.

A reportagem reúne relatos de especialistas e participantes de projetos que defendem uma participação maior dos homens nesse debate, tanto na prevenção quanto no enfrentamento da violência. As iniciativas citadas incluem programas previstos em lei, espaços terapêuticos online, campanhas permanentes e atividades educacionais voltadas à reflexão sobre masculinidades e igualdade de gênero.

Como grupos e programas buscam responsabilizar homens?

O psicólogo Flávio Urra, do programa E Agora, José?, afirma que ainda é pequeno o número de homens engajados pelo fim da violência contra a mulher. Segundo ele, a inserção masculina nessa discussão é urgente. O programa atua como grupo socioeducativo de responsabilização de homens, e a Lei Maria da Penha prevê o comparecimento obrigatório de agressores a programas de recuperação e acompanhamento psicossocial.

Ao comentar a resistência ao tema, Urra avalia que muitos homens não se veem como responsáveis pelo machismo, o que dificulta o debate. Entre autores de violência, essa resistência, segundo ele, é ainda maior. A iniciativa oferece 20 encontros de duas horas, e o psicólogo relata que os participantes dizem perceber mudanças ao fim do processo.

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“Se a gente for olhar o número de homens hoje engajados pelo fim da violência contra a mulher, ainda é muito pequeno. Então, é urgente a gente inserir mais homens nessa discussão”

Urra também afirma que cerca de 2 mil homens já passaram pelo projeto. Na avaliação dele, alterar a forma como esses participantes se relacionam pode produzir efeitos na convivência familiar e social.

Que resistências aparecem nas empresas e nas rodas de conversa?

Com experiência de sete anos como facilitador de grupos de homens, o consultor Felipe Requião identifica padrões recorrentes, como desresponsabilização individual, invisibilização do impacto e, em alguns casos, vitimização. Para ele, esses comportamentos decorrem de aprendizado cultural, o que torna as rodas de conversa um instrumento importante no processo de mudança.

No ambiente corporativo, Requião diz que uma resistência frequente é a sensação de perda de espaço entre homens. Ele defende o envolvimento das lideranças nas pautas de diversidade, equidade, inclusão e pertencimento e afirma que esse trabalho precisa ser contínuo, não restrito a ações isoladas.

“Uma mudança real acontece quando a gente, homem, percebe que não está perdendo. Está se libertando de um modelo que nos restringe, que nos limita, que nos cerceia e que a gente pode fazer diferença performando uma masculinidade de um outro lugar.“

A reportagem traz ainda o exemplo do engenheiro Carlos Augusto Souza Carvalho, que levou para os funcionários da própria empresa de engenharia a experiência que conheceu em um grupo de homens. Segundo ele, as reuniões mostram que homens de diferentes perfis têm experiências e questões a compartilhar sobre masculinidade.

Que iniciativas online e comunitárias também atuam nesse debate?

Desde 2017, o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral oferece um espaço terapêutico online e gratuito para homens. Segundo ele, a melhora começa quando eles percebem que podem expor dores ou apenas acompanhar conversas sobre machismo e masculinidades. O terapeuta familiar defende também o diálogo entre pais, inclusive em grupos de mensagens de escolas, para troca de experiências e construção de parâmetros comuns.

Na avaliação de Amaral, a comunidade funciona como ponte entre a família e as políticas públicas. Para ele, fortalecer esse espaço intermediário é importante para produzir discursos e práticas que ultrapassem o ambiente doméstico.

“A comunidade é esse meio do caminho entre a família e as políticas públicas e a lei.”

O que faz a campanha Laço Branco no Brasil?

O movimento global Laço Branco definiu no Brasil o dia 6 de dezembro como Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A campanha mantém ações ao longo do ano, entre elas o projeto Homens de Honra, voltado à formação de multiplicadores, além de atividades como o Orange Day.

Segundo Patricia Zapponi, fundadora e diretora do Instituto Laço Branco Brasil, faz diferença quando homens falam sobre enfrentamento ao machismo em espaços como escolas, clubes e templos. Ela afirma que o engajamento masculino é um dos destaques da iniciativa e relata que os voluntários passam por verificação para impedir a aproximação de ofensores. A campanha também participa de ações continuadas, como núcleos integrados de acolhimento à mulher com atendimento jurídico prestado por advogados.

Qual é o papel das escolas nesse processo?

Na área educacional, a reportagem destaca o programa Maria da Penha Vai à Escola, realizado há dez anos pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. A iniciativa busca prevenir e coibir a violência contra a mulher e reúne instituições como o TJDFT, o Ministério Público do Distrito Federal e a Secretaria de Estado de Educação do DF. Recentemente, o programa passou a integrar as ações previstas no Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio.

A psicóloga e pesquisadora Valeska Zanello afirma que já existem boas práticas em vários estados brasileiros e defende a troca de conhecimento para aprimorar essas experiências. Segundo ela, a escola tem papel relevante nas transformações sociais e na promoção de reflexão sobre relações de gênero.

  • Programas socioeducativos com participação obrigatória prevista em lei
  • Rodas de conversa e ações permanentes em empresas
  • Espaços terapêuticos online e gratuitos para homens
  • Campanhas nacionais com formação de multiplicadores
  • Projetos escolares de prevenção à violência contra a mulher

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