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Google pode testar captura de carbono em megadata center proposto em Nebraska

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Fachada de um grande centro de dados com estrutura industrial, cercado por gramado e céu aberto.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Documentos obtidos por veículos de imprensa indicam que a Google, a desenvolvedora de energia Tenaska e a Tallgrass Energy aparecem vinculadas a uma proposta para construir, no estado de Nebraska, nos Estados Unidos, um grande centro de dados abastecido por uma usina a gás natural com possível uso de captura e armazenamento de carbono. O projeto, discutido no estado enquanto avança um projeto de lei sobre conexão de usinas privadas à rede elétrica, poderia entrar em operação a partir de 2029, caso se concretize. De acordo com informações do Grist, a proposta também envolve aquisição de terras no sudeste de Nebraska. O tema tem relevância para o Brasil porque a expansão global de data centers pressiona a demanda por energia e recoloca no debate o uso de gás natural e de tecnologias de captura de carbono, assuntos que também aparecem em discussões sobre transição energética e infraestrutura no país.

A reportagem informa que a Tenaska firmou, desde dezembro de 2025, acordos com proprietários rurais para mais de 2.600 acres sob dois nomes de LLCs, segundo registros de escrituras do condado. Um desses proprietários é Rick Wheatley, dono de uma área de cerca de 80 acres no condado de Otoe, a leste de Lincoln. Ele relatou que foi procurado no outono passado por um representante da empresa, que mencionou a intenção de reunir 2.000 acres próximos a um gasoduto para uma usina que poderia atender um centro de dados voltado a inteligência artificial.

O que os documentos dizem sobre o projeto em Nebraska?

Segundo os documentos citados pela reportagem, compartilhados em uma reunião privada de um distrito público de energia de Nebraska em janeiro de 2026, o centro de dados proposto consumiria entre 1.000 e 3.000 megawatts de energia de uma usina a gás natural em ciclo combinado. Se operasse no topo dessa faixa, geraria mais energia do que a maior usina atualmente em funcionamento no estado.

Os papéis mencionam três empresas: Google, Tenaska e Tallgrass Energy. Nesse arranjo, a Tenaska seria responsável pelo fornecimento de energia ao novo centro de dados, enquanto a Tallgrass poderia fornecer o gás natural e transportar o carbono capturado. A Tallgrass, porém, afirmou ao Flatwater que nega envolvimento no projeto. Já Google e Tenaska não responderam a múltiplos pedidos de comentário mencionados na reportagem.

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A dimensão da proposta é descrita como excepcional. O texto cita Kenneth Gillingham, professor de economia ambiental e de energia da Universidade Yale, segundo quem o centro de dados estaria entre os maiores do país. A usina a gás, se construída nos termos descritos, seria a maior de Nebraska. E, caso a captura e armazenamento de carbono seja de fato incorporada, a operação também seria a maior desse tipo nos Estados Unidos, segundo o pesquisador.

Por que o projeto depende de debate político e regulatório?

Nebraska é um estado de energia pública. De acordo com a legislação atual, a geração privada de eletricidade a partir de combustíveis fósseis é permitida, mas essas instalações não podem se conectar à rede. Um projeto de lei apoiado publicamente pela Tenaska e proposto pelo governador Jim Pillen, republicano, permitiria que usinas privadas destinadas a grandes instalações industriais fossem conectadas à rede local e vendessem o excedente de energia de volta ao distrito público.

Kenny Zoeller, diretor de pesquisa de políticas do gabinete de Pillen, reconheceu que empresas ligadas à proposta participaram das discussões que levaram ao texto legislativo, mas disse que elas não foram as únicas. Segundo ele, os distritos públicos de energia do estado também foram consultados. Em nota citada pela reportagem, Zoeller afirmou:

Houve múltiplas empresas que indicaram ao governador e ao seu gabinete que uma legislação como essa tornaria Nebraska um lugar competitivo para investimentos. No entanto, nenhum investimento jamais foi condicionado à aprovação da LB1261.

Os distritos públicos de energia do estado endossaram a medida. A Omaha Public Power District afirmou estar ciente de um projeto potencial que poderia ser afetado pela proposta, mas reiterou que não comenta projetos específicos. A OPPD, a Nebraska Public Power District e a Lincoln Electric System disseram que não discutem clientes em potencial antes de anúncios públicos e observaram que essas propostas podem envolver acordos de confidencialidade.

Qual é o contexto energético e climático por trás da proposta?

A reportagem situa a proposta em um momento de forte aumento da demanda por energia associada à expansão de centros de dados. Um relatório recente do Electric Power Research Institute concluiu que Nebraska está entre sete estados em trajetória para ter centros de dados consumindo mais de 20% de toda a eletricidade até 2030. No Brasil, a expansão desse tipo de infraestrutura também tem avançado, impulsionada por serviços em nuvem e inteligência artificial, o que amplia a discussão sobre oferta de energia, transmissão e metas de descarbonização.

Ao mesmo tempo, o texto aponta que a captura e armazenamento de carbono é uma solução controversa para lidar com emissões, ainda não comprovada como resposta eficaz à mudança climática. Isso faz do projeto, se sair do papel, um teste importante para essa tecnologia em escala muito maior do que a vista atualmente nos Estados Unidos.

  • A Tenaska firmou acordos para mais de 2.600 acres no sudeste de Nebraska.
  • Os documentos apontam demanda de 1.000 a 3.000 megawatts para o centro de dados.
  • O projeto poderá entrar em operação a partir de 2029, segundo os papéis citados.
  • A proposta legislativa estadual pode ser decisiva para permitir a conexão da usina privada à rede.

A reportagem também destaca o histórico de expansão da Google em Nebraska. A empresa já possui três locais de centros de dados no estado. Em teleconferência de resultados em fevereiro de 2026, a controladora Alphabet informou que planeja ampliar os investimentos em infraestrutura técnica em 2026. Ainda assim, o estágio real do projeto em Nebraska permanece incerto, já que não houve confirmação pública das empresas sobre sua implementação.

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