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Genética de cães brasileiros põe em xeque a ideia de raça pura

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Um estudo publicado na sexta-feira, 17 de abril de 2026, analisou o genoma mitocondrial do Fila Brasileiro e do Fox Paulistinha e concluiu que as duas raças brasileiras podem ter uma formação mais complexa do que indicam as hipóteses históricas tradicionais. A pesquisa foi realizada por cientistas da UFRJ em colaboração com o INCA, com base em amostras de sangue de um indivíduo representativo de cada raça, para investigar relações de ancestralidade e eventos fundadores. De acordo com informações da Agência Bori, os achados desafiam a noção de “raça pura” como uma realidade biológica absoluta.

Segundo o estudo, nenhuma das duas raças se agrupou geneticamente com as linhagens caninas tradicionalmente apontadas como suas ancestrais. O Fox Paulistinha, também chamado de Terrier Brasileiro, não apareceu geneticamente próximo dos outros terriers. Já o Fila Brasileiro, ou Mastim Brasileiro, apresentou maior proximidade com cães farejadores do que com mastins clássicos.

O que os pesquisadores descobriram sobre a origem dessas raças?

Para chegar a esse resultado, a equipe sequenciou e montou o DNA mitocondrial dos cães, herdado exclusivamente pela linhagem materna e considerado estável ao longo das gerações. Depois, comparou essas sequências com genomas de outras raças disponíveis em bancos de dados genéticos, numa tentativa de reconstruir as relações evolutivas entre elas.

De acordo com o coordenador do estudo, Francisco Prosdocimi, os dados sugerem que a história evolutiva dessas linhagens é mais complexa do que a classificação baseada em morfologia ou registros históricos costuma indicar.

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“Isso indica que sua história evolutiva pode ser mais complexa do que a classificação morfológica ou histórica sugere”

Ainda segundo o pesquisador, a identidade histórica dessas raças pode incluir múltiplas origens maternas e cruzamentos que não foram documentados. Nesse cenário, o pertencimento a um grupo racial pode refletir mais critérios de aparência do que uma ancestralidade genética direta.

Por que a ideia de “raça pura” é questionada?

O estudo afirma que a ideia de pureza racial em cães deve ser entendida mais como uma classificação administrativa do que como um dado biológico absoluto. Na avaliação dos autores, a busca por homogeneidade em criações pode contrastar com evidências biológicas que associam maior diversidade genética a maior resiliência e saúde dos indivíduos.

“Enquanto o mercado de criadores busca a homogeneidade, a biologia demonstra que a resiliência e a saúde são maiores em indivíduos com genomas diversos”

Prosdocimi também aponta que o isolamento reprodutivo usado para manter raças consideradas “puras” pode favorecer o acúmulo de genes desfavoráveis e o surgimento de doenças ligadas ao parentesco. Para os autores, compreender melhor a estrutura genética de uma raça pode ajudar a evitar interpretações equivocadas sobre ancestralidade e orientar decisões mais informadas sobre manejo reprodutivo, especialmente em populações pequenas.

  • O Fox Paulistinha não se mostrou geneticamente próximo dos demais terriers
  • O Fila Brasileiro apresentou maior proximidade com cães farejadores do que com mastins clássicos
  • Os resultados sugerem cruzamentos mais diversos do que as teorias históricas atuais indicam
  • O DNA mitocondrial foi usado como ponto de partida para rastrear a linhagem materna

Qual é a importância do estudo para a ciência no Brasil?

Os resultados ampliam o conhecimento científico sobre raças caninas desenvolvidas no país, cuja origem muitas vezes é reconstruída principalmente por registros históricos e características físicas. O trabalho reforça a avaliação de que raças modernas são, em grande medida, construções recentes baseadas em critérios fenotípicos, como aparência, comportamento e função zootécnica.

“As raças modernas são, em grande medida, construções recentes baseadas em critérios fenotípicos, como aparência, comportamento e função zootécnica”

Para o pesquisador, a história genética pode revelar contribuições de múltiplas populações ancestrais ou episódios de cruzamento que não aparecem formalmente nos registros. Isso ajuda a revisar explicações tradicionais sobre a origem dessas linhagens e abre caminho para novas investigações sobre cães brasileiros e latino-americanos.

Quais são os próximos passos da pesquisa?

De acordo com os autores, novos estudos ainda são necessários para aprofundar as conclusões. O trabalho indica que o genoma mitocondrial foi uma ferramenta adequada para iniciar essa linha de investigação no Brasil, mas que a integração com dados de DNA nuclear seria o cenário ideal para ampliar a precisão das análises.

“O genoma mitocondrial provou ser uma boa ferramenta para inaugurar esta linha de investigação no Brasil, mas a integração com os dados provenientes do DNA nuclear seria o cenário ideal”

A equipe também pretende ampliar a amostragem de indivíduos e realizar comparações com outras populações caninas latino-americanas. Com isso, os pesquisadores buscam detalhar melhor a trajetória genética do Fila Brasileiro e do Fox Paulistinha e testar, com mais dados, as hipóteses levantadas neste primeiro estudo.

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