A Minter, empresa de infraestrutura digital voltada à construção de data centers para mineração de criptomoedas com base em energia renovável, recebeu um investimento série A liderado pelo Itaú Unibanco, segundo anúncio feito pelo banco na quarta-feira, 22 de abril de 2026. A rodada, de valor não divulgado, também teve participação da Leste Group, da Legend Capital e de investidores individuais. De acordo com informações do IT Forum, o aporte deve apoiar a ampliação do portfólio da empresa no Brasil e o início de uma expansão internacional, com foco principal no mercado norte-americano.
Fundada em 2023, a Minter foi criada por executivos com passagem por empresas do segmento de criptoativos, entre elas Hashdex, CleanSpark, Kapitalo, ATL Data Centers, Base Exchange e Flowa Technologies. A proposta da companhia é instalar estruturas próximas a usinas de geração renovável para aproveitar excedentes de eletricidade que nem sempre são absorvidos pelo sistema nacional.
Como funciona o modelo de negócio da Minter?
A empresa atua sobre um problema do setor elétrico ligado às chamadas fontes intermitentes, como solar e eólica. Em determinados momentos, mesmo com capacidade de geração, essas usinas precisam reduzir ou interromper a produção de energia por orientação do Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ONS. Esse processo é conhecido como curtailment.
Para mitigar esse impacto, a Minter instala data centers próximos das usinas renováveis afetadas por esses cortes. Segundo a empresa, essas estruturas conseguem consumir a energia que seria desperdiçada e também podem ser desligadas rapidamente quando houver necessidade de injetar eletricidade na rede.
“Essa é uma ferramenta que inverte a lógica tradicional do setor elétrico. Em vez de levar energia até o consumidor, levamos o consumidor até o ponto de geração”
A declaração foi atribuída, em comunicado, a Stefano Sergole, CEO da Minter.
O que o Itaú Unibanco busca com o investimento?
Segundo o banco, o investimento está relacionado ao desenvolvimento de produtos e serviços voltados a ativos digitais. Entre as possibilidades em estudo estão soluções de liquidação e custódia dos bitcoins minerados, além da discussão sobre acesso a ativos recém-minerados com origem em energia renovável, sem histórico anterior de transações.
No texto original, esse tipo de ativo é citado como “Bitcoin clean”. O banco afirma que a iniciativa está alinhada à estratégia do Itaú Ventures, braço de investimento voltado à inovação com sinergia com os negócios da instituição.
“O Itaú avalia oportunidades no ecossistema de ativos digitais de maneira criteriosa, priorizando segurança, conformidade e aplicação prática para o cliente. Este movimento está em linha com o mandato do Itaú Ventures de investir em inovação estratégica com sinergia com os negócios do banco”
A fala foi atribuída a Phillippe Schlumpf, superintendente do Itaú Ventures.
Quais são os principais pontos anunciados na operação?
- O Itaú Unibanco liderou a rodada série A da Minter.
- O valor do investimento não foi divulgado.
- A rodada também contou com Leste Group, Legend Capital e investidores individuais.
- A Minter pretende expandir sua atuação no Brasil.
- A empresa também planeja iniciar expansão internacional, sobretudo no mercado norte-americano.
- O modelo da companhia busca aproveitar excedentes de energia renovável sujeitos a cortes.
O anúncio mostra a aproximação entre infraestrutura energética, ativos digitais e serviços financeiros, a partir de um projeto que conecta mineração de criptomoedas ao uso de energia renovável que poderia deixar de ser aproveitada. Até o momento, o material divulgado não informa o tamanho do aporte nem detalha prazos para a expansão anunciada.