
O Banco Central do Brasil (BC) vetou a operação secreta na qual o Banco de Brasília (BRB), instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal, planejava adquirir parte do Banco Master. A decisão ocorreu na véspera do aniversário de 59 anos da instituição financeira estatal e encerrou o chamado “Projeto Vértice”, uma manobra idealizada pelo comando do banco público em conjunto com o banqueiro Daniel Vorcaro, suspeito de irregularidades.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a proibição ocorreu em 3 de setembro de 2025, frustrando a compra de 58% das ações da instituição privada. O negócio, avaliado em R$ 2 bilhões, era visto com apreensão pelo mercado financeiro e por funcionários do próprio banco estatal devido ao risco da transação.
Por que o Banco Central vetou a aquisição do Banco Master?
A recusa do órgão regulador ocorreu em meio a graves problemas de liquidez enfrentados pela instituição privada. Antes da tentativa de compra estatal, o dono do banco já havia descumprido um plano exigido pelas autoridades para recuperar um rombo financeiro de R$ 15,1 bilhões.
Rumores sobre a insolvência da empresa cresciam no centro financeiro da Faria Lima, em São Paulo. Grandes bancos privados já demonstravam insatisfação com o alto volume de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela instituição com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), entidade que protege depósitos bancários de até R$ 250 mil por CPF. Uma solução de mercado chegou a ser tentada com o apoio de André Esteves, do BTG Pactual, mas fracassou devido à resistência do setor bancário.
Como funcionou a negociação secreta no Banco de Brasília?
As tratativas se iniciaram em janeiro de 2026, centralizadas em uma sala envidraçada no gabinete da presidência do banco estatal. O grupo de trabalho, apelidado de “secreto” pelos funcionários, elaborou o fato relevante divulgado em 28 de março do mesmo ano. A data coincidiu de forma calculada com o fim do prazo concedido pelo órgão regulador para a correção dos problemas de liquidez da instituição privada.
O acordo contava com o respaldo do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que mantinha vínculos políticos com aliados do banqueiro. A proposta envolvia os seguintes benefícios, segundo a visão dos articuladores institucionais:
- Acesso a financiamentos mais baratos e de longo prazo pelo banco privado.
- Criação de um braço privado para o banco estatal, teoricamente livre de amarras e regras de licitação governamental.
- Inclusão do dono da instituição privada no conselho de administração da empresa pública.
Quem são os investigados pela Polícia Federal no caso?
Atualmente, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar as motivações que levaram uma instituição pública a tentar absorver uma empresa privada com sérios danos estruturais. Estão entre os investigados o governador Ibaneis Rocha, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do banco estatal, Paulo Henrique Costa, além de outros funcionários da cúpula.
A investigação policial também mira ex-integrantes do alto escalão do órgão regulador. O ex-diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, são investigados por suspeita de facilitar os interesses do grupo financeiro durante o andamento das negociações.
Qual o histórico recente de controvérsias do banco estatal?
Antes do escândalo envolvendo a tentativa de fusão bancária, a instituição pública do Distrito Federal já acumulava episódios controversos no noticiário. Entre os casos de maior repercussão, destaca-se a concessão de um empréstimo imobiliário no valor de R$ 3,1 milhões ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a compra de uma mansão em Brasília, apesar de apontamentos públicos sobre incompatibilidade de renda para o financiamento.
Apesar do desfecho negativo, do bloqueio regulatório e do avanço das investigações policiais, a defesa do ex-presidente da instituição pública mantém o posicionamento de que as negociações seguiram trâmites estritamente institucionais e regulares. Em nota, os representantes legais declararam a posição formal sobre a operação:
Essa tentativa de aquisição não se concretizou e não gerou qualquer impacto patrimonial no BRB.