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EUA avançam para autocracia em ritmo acelerado, alerta relatório do V-Dem

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Mapa dos EUA iluminado em tons de vermelho e cinza, sugerindo declínio democrático sob um aspecto sombrio e técnico.
Foto: Trondheim byarkiv / flickr (by)

Os Estados Unidos estão caminhando para a autocracia em ritmo mais rápido do que países como Hungria e Turquia, segundo avaliação do Instituto Variedades da Democracia (V-Dem), entidade vinculada à Universidade de Gotemburgo. O alerta consta no relatório anual divulgado pelo instituto sueco em março de 2026 e destaca o impacto do segundo mandato de Donald Trump sobre as instituições do país. De acordo com informações do g1 Mundo, os EUA perderam pela primeira vez em mais de meio século o status de democracia liberal.

Como maior economia do mundo e um dos principais parceiros políticos e comerciais do Brasil, os Estados Unidos têm peso relevante no debate democrático internacional, e mudanças institucionais no país repercutem em fóruns multilaterais, no ambiente diplomático e no debate público brasileiro sobre freios e contrapesos entre os Poderes.

O relatório aponta que, em apenas um ano, a pontuação americana caiu 24% e a posição do país no ranking global recuou do 20º para o 51º lugar entre 179 nações analisadas. Para os pesquisadores, a regressão democrática observada no país ocorre de forma acelerada, com enfraquecimento de freios e contrapesos institucionais, pressão sobre o Judiciário, ataques à imprensa, à academia, às liberdades civis e a vozes dissidentes.

O que o relatório do V-Dem afirma sobre os Estados Unidos?

Segundo o documento, intitulado Desmantelando a era democrática, o segundo mandato de Trump pode ser resumido como uma rápida e agressiva concentração de poderes na Presidência. O estudo sustenta que o nível de democracia no país regrediu ao mesmo patamar de 1965 e afirma ainda que o progresso obtido desde então pelo movimento dos direitos civis foi perdido.

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O fundador do V-Dem, Staffan Lindberg, resumiu a avaliação da entidade em uma declaração reproduzida pela reportagem original.

“O atual governo dos EUA tem minado os mecanismos institucionais de controle e equilíbrio, politizado o funcionalismo público e os órgãos de fiscalização, e intimidado o Judiciário, além de atacar a imprensa, a academia, as liberdades civis e as vozes dissidentes”.

Como o instituto mede a deterioração democrática?

Os pesquisadores liderados por Lindberg afirmam que a avaliação é baseada em 48 indicadores, entre eles liberdade de expressão e de imprensa, qualidade das eleições e respeito ao Estado de Direito. A partir desses critérios, o relatório classifica a regressão democrática dos EUA como severa.

Na comparação feita pelo estudo, Trump teria alcançado em um ano um nível de supressão institucional que levou mais tempo em outros países. O texto menciona os casos de Viktor Orbán, na Hungria; Aleksandar Vučić, na Sérvia; Recep Tayyip Erdogan, na Turquia; e Narendra Modi, na Índia.

  • Queda de 24% na pontuação dos EUA em um ano
  • Recuo do 20º para o 51º lugar entre 179 países
  • Perda do status de democracia liberal
  • Classificação de regressão democrática em grau severo

Qual é o papel do Congresso e da Suprema Corte, segundo o estudo?

O relatório afirma que, em 2025, o Congresso controlado pelos republicanos teria abdicado de seu papel constitucional em favor do Executivo, cedendo poderes legislativos, fiscais e de supervisão. Como exemplo, o estudo observa que, no primeiro ano do segundo mandato, Trump assinou 225 decretos, enquanto o Congresso aprovou 49 leis.

“Em 2025, o Congresso controlado pelos republicanos parece ter abdicado de seu papel constitucional em favor do poder Executivo, cedendo poderes legislativos, fiscais e de supervisão”.

O documento também atribui à Suprema Corte participação no processo de ampliação da autoridade presidencial. Além disso, aponta fragilização do Judiciário e cita o perdão concedido por Trump, no primeiro dia de mandato, a 1.500 condenados pelo ataque de seis de janeiro ao Capitólio. Para os autores, a medida teria minado a legitimidade dos tribunais.

Que outros sinais de retrocesso democrático são apontados?

Além das mudanças institucionais, o V-Dem destaca retrocessos nas proteções aos direitos civis, ataques a jornalistas e pressões sobre universidades. O relatório afirma que a liberdade de expressão nos EUA está em seu nível mais baixo desde a década de 1940.

Os indicadores eleitorais, por outro lado, não tiveram alteração porque em 2025 não houve eleições nacionais. Nesse cenário, Staffan Lindberg avalia que as eleições de meio de mandato, previstas para novembro de 2026 e responsáveis por renovar parte do Congresso, serão um teste decisivo para medir a saúde da democracia americana. Para o Brasil, o debate também é acompanhado com atenção porque os EUA seguem como referência política e institucional para parte do debate público nacional, além de exercer influência sobre agendas internacionais de direitos, comércio e governança.

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