França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão manifestaram, em declaração conjunta nesta quinta-feira (19 de março de 2026), disposição para contribuir com a abertura do Estreito de Ormuz, que foi fechado pelo Irã após o início do conflito. De acordo com informações da Agência Brasil, a declaração surge quatro dias após a recusa inicial desses países em participar dos esforços liderados pelos Estados Unidos e Israel para a reabertura do estreito.
A declaração conjunta não especifica de que forma essa abertura seria realizada. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial, tem gerado instabilidade nos mercados financeiros, impulsionando a alta do preço do barril de petróleo no mercado global e provocando impactos econômicos em escala mundial. Para o Brasil, a disparada internacional do óleo bruto afeta diretamente o mercado nacional, podendo pressionar os custos da Petrobras e encarecer combustíveis como gasolina e diesel nas bombas, o que reflete na inflação do país.
Qual a posição dos países europeus e do Japão sobre os ataques?
Na nota divulgada, os países europeus e o Japão condenam os recentes ataques iranianos a embarcações no Golfo, bem como os ataques a infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás.
“Expressamos nossa profunda preocupação com a escalada do conflito. Exigimos que o Irã cesse imediatamente suas ameaças, o lançamento de minas, os ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o Estreito à navegação comercial”, afirma o comunicado conjunto. Os países reafirmam que a liberdade de navegação é um princípio fundamental do direito internacional.
“Os efeitos das ações do Irã serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente pelas mais vulneráveis”, acrescenta a nota.
Por que o Irã fechou o Estreito de Ormuz?
O Irã fechou o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel iniciados em 28 de fevereiro de 2026. O governo iraniano tem declarado que a passagem permanece fechada para os EUA, Israel e seus aliados, incluindo os países europeus. As principais potências europeias têm oferecido apoio político aos ataques ao Irã, com exceção da Espanha, que condena o conflito.
Como a guerra escalou recentemente?
Na quarta-feira (18 de março de 2026), o conflito se intensificou após Israel bombardear o campo de gás South Pars, no Irã, o que resultou em retaliações contra a indústria de energia do Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Os ataques contra a infraestrutura energética de importantes produtores de petróleo e gás têm ampliado as incertezas econômicas decorrentes do conflito.
Qual o histórico do conflito no Oriente Médio?
Pela segunda vez desde junho de 2025, Israel e os Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã em meio às negociações sobre o programa nuclear e balístico do país persa.
A ofensiva mais recente teve início em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel bombardearam a capital Teerã. O líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, faleceu neste ataque, assim como outras autoridades do país. O filho do aiatolá, Mojtaba Khamenei, foi escolhido como o novo líder do Irã.
O Irã, em resposta, lançou mísseis contra países árabes do Golfo com presença militar dos Estados Unidos, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
Ainda durante o primeiro governo Trump, os EUA abandonaram o acordo sobre armas nucleares, firmado em 2015 sob o governo de Barack Obama, que previa inspeção internacional do programa iraniano. Israel e EUA sempre acusaram Teerã de buscar desenvolver armas nucleares.
O Irã, por sua vez, alega que seu programa tem fins pacíficos e se mostrava disposto a permitir inspeções internacionais. Israel, por outro lado, nunca permitiu qualquer inspeção internacional de seu programa nuclear, apesar das acusações de possuir armas atômicas.
Ao iniciar seu segundo mandato em 2025, Trump lançou uma nova ofensiva contra Teerã, exigindo não apenas o desmantelamento do programa nuclear, mas também o fim do programa de mísseis balísticos de longo alcance e do apoio a grupos de resistência a Israel, como o Hamas, na Palestina, e o Hezbollah, no Líbano.
