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Estreito de Bab al-Mandab amplia risco humanitário no Chifre da África

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A escalada das hostilidades entre Irã e Estados Unidos, com reflexos também sobre Israel e grupos aliados de Teerã, ampliou os riscos para corredores marítimos estratégicos e passou a ameaçar o abastecimento e a segurança alimentar no Chifre da África. Segundo o artigo, o impacto não se limita ao petróleo e pode atingir importações de alimentos, custos de transporte e cadeias de suprimentos na região, especialmente após ataques atribuídos ao movimento Houthi no estreito de Bab al-Mandab, no sul do Mar Vermelho.

De acordo com informações da Earth.Org, a crise se tornou multifacetada, combinando alianças regionais, atores não estatais e a disputa por rotas marítimas centrais para o comércio global. O texto afirma que uma trégua temporária de duas semanas entre Irã e Estados Unidos, anunciada neste mês, pode reduzir as hostilidades imediatas, mas não elimina as vulnerabilidades estruturais da região africana.

Por que o estreito de Bab al-Mandab ganhou importância estratégica?

O Bab al-Mandab fica na entrada sul do Mar Vermelho e separa o Iêmen, na Península Arábica, de Djibuti e Eritreia, no Chifre da África. Trata-se de uma ligação essencial entre o Mar Vermelho, o golfo de Áden e o oceano Índico, sendo uma das principais passagens marítimas do mundo para energia, alimentos, contêineres e mercadorias manufaturadas.

O artigo cita estimativas segundo as quais cerca de nove milhões de barris de petróleo passam diariamente por esse corredor. Com base em dados da US Energy Information Administration mencionados no texto original, o fluxo diário de petróleo pelo Bab al-Mandab cresceu entre 2020 e 2023 e chegou a cerca de 9,3 milhões de barris por dia. A reportagem também afirma que quase 12% do comércio global passa pela rota do Mar Vermelho.

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O texto aponta que, em períodos anteriores de insegurança, como nos ataques houthis no Mar Vermelho no fim de 2023, empresas de navegação redirecionaram embarcações para o Cabo da Boa Esperança, no sul da África. Esse desvio, segundo a publicação, aumentou o tempo de viagem entre Ásia e Europa em até 20 dias, elevando custos de combustível, emissões de carbono e atrasos logísticos.

Como a crise pode afetar o Chifre da África?

A análise destaca que países como Somália, Djibuti, Eritreia e Sudão estão particularmente expostos por sua proximidade geográfica com o corredor marítimo e por sua dependência de importações. Na avaliação apresentada, uma interrupção prolongada no transporte marítimo pode provocar alta nos preços dos alimentos, escassez de produtos e maior pressão econômica sobre sociedades já afetadas por conflitos e eventos climáticos extremos.

Entre os principais fatores de risco citados no texto estão:

  • dependência de alimentos importados, especialmente trigo;
  • aumento do custo do frete e do seguro marítimo;
  • atrasos no fornecimento de bens essenciais;
  • conflitos em andamento na região;
  • choques climáticos, como secas recorrentes.

Com base em dados do Programa Mundial de Alimentos reproduzidos pela Earth.Org, o trigo representa cerca de 67% do consumo total de cereais em Djibuti e 38% no Sudão. O texto também informa que o cereal responde por pouco menos de 24% do consumo em Etiópia, Quênia e Somália, o que ajuda a explicar a sensibilidade da região a disrupções no comércio internacional.

A publicação acrescenta que os preços dos alimentos no Leste da África subiram fortemente durante as disrupções no Mar Vermelho em 2023 e 2024. Segundo um relatório da ONU citado no artigo, a inflação mediana dos alimentos chegou a 30% em maio de 2023 em partes da África Oriental, refletindo pressões severas sobre cereais e grãos.

Quais países aparecem como mais vulneráveis no texto?

Djibuti é apresentado como um caso emblemático de vulnerabilidade estrutural. O país abriga um dos portos mais movimentados da África e funciona como eixo comercial para a Etiópia, sem litoral. Segundo o artigo, mais de 90% do comércio etíope passa pelos portos de Djibuti, o que significa que uma queda sustentada no tráfego marítimo pode comprometer tanto a economia djibutiana quanto o abastecimento etíope.

A Somália também é citada como fortemente dependente de trigo, combustível e outros itens essenciais importados por rotas conectadas ao canal de Suez e ao Bab al-Mandab. De acordo com o texto, qualquer atraso ou aumento dos custos de transporte tende a pressionar ainda mais os preços dos alimentos e a agravar o risco de insegurança alimentar.

O artigo ainda relaciona a ameaça no Bab al-Mandab à preocupação mais ampla com o estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico. A avaliação é que uma disrupção simultânea dos dois gargalos marítimos poderia gerar um choque energético global de grandes proporções, com efeitos econômicos muito além do Oriente Médio e do leste africano.

Embora a atenção internacional esteja concentrada na volatilidade do petróleo, a análise da Earth.Org sustenta que a consequência mais imediata para o Chifre da África pode ser humanitária. Para a publicação, a combinação entre dependência externa, fragilidade logística, conflitos e clima extremo eleva o risco de deterioração das condições de vida caso a instabilidade no corredor do Mar Vermelho persista.

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