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El Niño pode ganhar força em 2026 e elevar risco de extremos climáticos

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O El Niño tem alta probabilidade de se formar no verão do hemisfério norte de 2026, segundo especialistas e modelos climáticos acompanhados nos Estados Unidos, com possibilidade de atingir intensidade excepcional e influenciar eventos extremos em diferentes regiões do planeta. O fenômeno é monitorado no oceano Pacífico por meteorologistas porque altera padrões de chuva, seca, calor e tempestades, além de poder empurrar a temperatura global para novos patamares em 2027. De acordo com informações do Guardian Environment, as condições atuais indicam risco elevado, embora ainda exista incerteza típica das previsões feitas na primavera do hemisfério norte.

O texto destaca que cientistas acompanham a transição das condições de La Niña para um padrão neutro, enquanto modelos apontam 62% de chance de o El Niño surgir no verão e persistir ao menos até o fim do ano. Para os especialistas citados, o cenário ainda não está definido, mas já reúne elementos suficientes para atenção. Em uma apresentação realizada na quinta-feira, Tom Di Liberto, da Climate Central, afirmou que o risco é alto o bastante para gerar preocupação, embora tenha ressaltado que mudanças inesperadas ao longo do verão ainda podem alterar o quadro.

O que é o El Niño e por que ele preocupa?

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento da superfície do mar nas áreas central e leste do Pacífico tropical. Ele faz parte do chamado Enso, sigla em inglês para Oscilação Sul-El Niño, um sistema climático que alterna entre três estados: El Niño, La Niña e condição neutra. Segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos citado no artigo original, essas fases costumam variar em ciclos de três a sete anos e têm forte impacto sobre o clima em várias partes do mundo.

Durante anos de El Niño, os ventos que normalmente empurram águas quentes para o oeste enfraquecem ou mudam de direção, permitindo maior aquecimento da superfície do oceano naquela faixa do Pacífico. Quando as temperaturas ficam ao menos 0,5°C acima do normal, os efeitos podem se espalhar pela atmosfera e alterar correntes de ar, regimes de chuva e ondas de calor. Os cientistas ressaltam, porém, que nenhum episódio é idêntico ao outro e que intensidade e consequências podem variar bastante.

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O artigo também observa que previsões desse tipo são ferramentas importantes de preparação em um planeta mais quente. Mesmo sem determinar com exatidão todos os impactos locais, elas ajudam governos, comunidades e setores econômicos a antecipar possíveis mudanças em precipitação, estiagem e calor extremo.

Como o fenômeno pode afetar o clima no mundo?

Segundo a reportagem, o El Niño pode reorganizar correntes de jato e inverter padrões de precipitação. Isso significa mais tempestades severas em algumas regiões e ressecamento em outras. Um episódio muito forte também pode elevar temporariamente as temperaturas globais, somando seus efeitos ao aquecimento já observado no clima do planeta.

O texto cita como referência um super El Niño de 2015, associado a seca severa na Etiópia, escassez de água em Porto Rico e uma temporada intensa de furacões no Pacífico Norte central, de acordo com análise de cientistas federais dos Estados Unidos. Em linhas gerais, esse ciclo tende a favorecer seca e calor na Austrália, em áreas do sul e do centro da África, na Índia e em partes da América do Sul, inclusive na Amazônia. Ao mesmo tempo, chuvas intensas podem atingir o sul dos Estados Unidos, partes do Oriente Médio e o centro-sul da Ásia.

“It’s important to note when we are talking about the drought, a lot of it has been temperature-driven and not precipitation-driven,” he said.

A avaliação apresentada na matéria é que, mesmo onde a chuva vier acima da média, isso não significa recuperação automática de áreas já afetadas por seca prolongada. Joel Lisonbee, cientista associado do instituto de pesquisa ligado à Universidade do Colorado Boulder, disse que uma mudança ampla no padrão climático não apaga necessariamente a estiagem e que, para isso acontecer, seria preciso um período excepcionalmente úmido, o que também poderia trazer enchentes, destruição e potencial perda de vidas.

O que caracteriza um “super El Niño”?

O termo “super El Niño” é usado para episódios mais intensos do fenômeno. Conforme o texto, esses casos raros costumam ser definidos por temperaturas da superfície do mar que sobem para pelo menos 2°C acima do normal. Isso ocorreu poucas vezes desde 1950, e apenas uma vez as temperaturas passaram de 2,5°C.

Quanto maior o aquecimento do oceano, maior a possibilidade de impactos mais intensos sobre o clima. A reportagem informa que cientistas da Noaa estimaram uma chance de uma em quatro de esse cenário se consolidar até o outono ou o inverno, ainda com a ressalva de que previsões de primavera são menos confiáveis por causa das transições naturais da estação.

  • 62% de chance de o El Niño emergir no verão do hemisfério norte;
  • possibilidade de persistência até pelo menos o fim do ano;
  • chance de uma em quatro de o evento alcançar intensidade de super El Niño no outono ou inverno.

Quão confiáveis são as previsões neste momento?

Os próprios especialistas citados pedem cautela. Lisonbee afirmou que a tendência geral de aquecimento do planeta pode fazer episódios de El Niño parecerem maiores e eventos de La Niña parecerem menores, o que dificulta a leitura de anomalias. Além disso, a chamada “barreira de previsibilidade da primavera” pode alterar bastante os resultados dos modelos de um mês para outro.

Ainda assim, o artigo conclui que a probabilidade de desenvolvimento do El Niño neste ano segue alta. O ponto em aberto é a intensidade. Com os sinais de organização das condições no Pacífico, autoridades e especialistas vêm defendendo preparação antecipada para lidar com possíveis secas, enchentes, ondas de calor e outros efeitos extremos associados ao fenômeno.

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