Ed Miliband, secretário de Energia do Reino Unido, deve anunciar nesta terça-feira um novo pacote de medidas para reforçar a política de emissão líquida zero em meio ao choque nos preços da energia associado ao conflito envolvendo o Irã. A iniciativa será apresentada em conferência organizada pela Good Growth Foundation e inclui aceleração do plano de aquecimento residencial, incentivo à adoção de painéis solares e veículos elétricos, ampliação do uso de energia solar em terras públicas e discussão sobre a separação entre os preços do gás e da eletricidade. De acordo com informações do Guardian Environment, a resposta do governo ocorre diante da expectativa de nova crise energética após a alta dos combustíveis fósseis.
Segundo a reportagem, Miliband deve sustentar que o Reino Unido enfrenta o segundo choque global de energia em menos de cinco anos e que isso exige acelerar a transição para fontes consideradas mais estáveis internamente. O discurso também responde à pressão política para ampliar perfurações de petróleo e gás no Mar do Norte, especialmente após a escalada do preço do barril acima de US$ 100 em março, no contexto da guerra citada pelo texto original.
Quais medidas Ed Miliband deve apresentar?
Entre as ações mencionadas estão a antecipação do warm homes plan, voltado à ampliação do uso de tecnologias de energia limpa nas residências, e medidas para estimular mais rapidamente a instalação de painéis solares e a compra de veículos elétricos. O pacote também prevê a expansão da energia solar em áreas públicas e o estudo de mecanismos para desvincular o preço da eletricidade do custo da geração a gás, com o objetivo de reduzir contas para os consumidores.
O texto informa ainda que não está claro como o governo pretende realizar essa desvinculação tarifária. Uma das possibilidades em análise seria firmar contratos mais vantajosos para projetos antigos de energia verde. Atualmente, o preço atacadista da eletricidade é definido pela fonte de geração mais cara em determinado momento, frequentemente usinas movidas a gás, sistema usado também em outros países europeus.
- aceleração do plano de eficiência e aquecimento residencial
- incentivo à adoção de painéis solares
- estímulo a veículos elétricos
- expansão da energia solar em terras públicas
- debate sobre separar os preços da eletricidade e do gás
Como o conflito afeta a política energética britânica?
A reportagem relata que os preços do petróleo oscilaram nos últimos dias em meio a dúvidas sobre a situação do estreito de Ormuz. Na sexta-feira, houve queda diante de alegações de reabertura da rota marítima, mas, no fim de semana, essa expectativa perdeu força após o Irã afirmar que a passagem permaneceria sob “controle rígido”. Na segunda-feira, o preço do petróleo caminhava para alta de cerca de 4%, revertendo parte da queda anterior.
Nesse cenário, Miliband deve argumentar que a segurança energética baseada em combustíveis fósseis perdeu força. O secretário pretende rebater, segundo o Guardian, os que estariam “recuando para o conforto de falsas soluções”, em referência às cobranças por mais exploração de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, ele não deve responder de forma definitiva, por ora, sobre a liberação de perfurações nos campos de Jackdaw e Rosebank, cujos processos de licenciamento foram iniciados no governo conservador.
“As we face the second global energy shock in less than five years, the lesson for our country is clear; the era of fossil fuel security is over, and the era of clean energy security must come of age.”
O governo vai abandonar petróleo e gás no curto prazo?
Não. De acordo com o texto, Miliband deve afirmar que o Mar do Norte continuará sendo um recurso importante para o país por décadas. Ao mesmo tempo, defenderá que ampliar perfurações não reduzirá, por si só, as contas de energia nem resolverá a insegurança energética. A reportagem também informa que fontes do governo dizem que a decisão sobre esses campos ainda está em andamento.
Ministros também estudam mecanismos de “tie-back”, arranjos que permitiriam maior extração em áreas próximas a campos já existentes. A chanceler Rachel Reeves afirmou em Washington, segundo a reportagem, que o governo avalia explorar mais recursos do Mar do Norte por essa via, definida por ela como a forma mais rápida de colocar mais petróleo e gás em operação.
“You can’t solve a fossil fuel crisis by doubling down on fossil fuels.”
Quais impactos podem atingir consumidores e empresas?
O Guardian relata que as contas domésticas de energia no Reino Unido permanecem fixadas até julho pelo teto regulatório da Ofgem, mas depois devem subir cerca de 12%, para £1.836 ao ano para uma residência típica. Ministros destacaram, porém, que o consumo tende a ser menor durante os meses de verão. No curto prazo, o Tesouro britânico avalia elevar a cobrança sobre geradores de eletricidade, descrita como um imposto extraordinário sobre produtores de energia de baixo carbono, para usar a arrecadação no alívio aos consumidores.
A matéria também afirma que o governo já adotou apoio financeiro a consumidores dependentes de óleo para aquecimento e anunciou efeito retroativo, a partir deste mês, de um programa para reduzir custos de energia de fabricantes britânicos com uso intensivo de energia. No discurso, Miliband deve citar ainda aumento da procura por tecnologias limpas desde o início do conflito no Oriente Médio, com menção a dados da Octopus sobre alta de 50% nas vendas de painéis solares e bombas de calor, além do melhor mês da história para vendas de veículos elétricos no Reino Unido em março.