O poeta laureado Simon Armitage lançou o poema The Moon and The Zoo para marcar os 200 anos da Zoological Society of London (ZSL), instituição ligada ao Zoológico de Londres. A obra foi publicada em uma animação com ilustrações de Greg King e narração do próprio autor, em meio às comemorações do bicentenário da entidade, fundada em 1826 no Reino Unido. O poema retrata o universo noturno do zoológico e termina com uma reflexão sobre a responsabilidade humana diante da natureza. De acordo com informações do Guardian Environment, a produção foi encomendada pela ZSL para assinalar a data.
Segundo a reportagem, a relação entre o Zoológico de Londres e a produção artística atravessa diferentes épocas. Ao longo de dois séculos, escritores e artistas encontraram inspiração no local, em referências que incluem os leões da Trafalgar Square criados por Edwin Landseer, a origem do nome “Winnie”, ligada à ursa Winnipeg e citada na trajetória de A. A. Milne, e o poema Zoo Keeper’s Wife, de Sylvia Plath. O texto também recorda que Ted Hughes, mais tarde poeta laureado, trabalhou brevemente no zoológico como lavador de pratos.
O que mostra o poema criado para o bicentenário da ZSL?
A nova obra de Armitage acompanha a passagem da lua pelo zoológico durante a noite, em uma jornada imaginativa que se estende do espaço dos animais para o mundo natural mais amplo. A animação encomendada pela instituição foi ilustrada por Greg King e conduz as palavras do poema por um percurso de tom onírico.
Na abertura, a lua entra no zoológico após o anoitecer e percorre os recintos dos animais em silêncio. Em um dos trechos destacados pela reportagem, Armitage escreve:
“slides in under the turnstile after dark, moves in a silent arc at an ancient pace, dabs its ointment on the gibbon’s paw, nitpicks its way through the troop of gorillas, smooths the silverback’s fur.”
No desfecho, o poema associa a chegada da manhã a uma ideia de confiança e dever compartilhado. O texto termina com a entrega simbólica “das chaves do mundo” aos seres humanos, em uma formulação que remete à obrigação de cuidar da natureza.
Como Simon Armitage explicou o sentido da obra?
Após passar um período com animais e funcionários do Zoológico de Londres, Armitage relatou ter conhecido uma aranha mexicana de joelhos vermelhos chamada Katie, observado tigres-de-sumatra e visitado os bastidores da casa dos répteis. De acordo com o jornal, o poeta disse ter se interessado pelos aspectos secretos da vida animal, aquilo que as pessoas raramente veem e só podem imaginar.
Em declaração reproduzida na reportagem, ele afirmou:
“The night is a metaphor for the unknown, and the moon is an eternal watch and witness over those lives, and has been for millions of years. Some animals are very active in the darkness, but for others it must provide a respite and a refuge from the global human activity that can be so disruptive to their needs.”
Armitage também associou a lua ao trabalho da própria ZSL, como metáfora para ações de cuidado, manutenção e pesquisa realizadas longe do olhar do público. Segundo ele, o poema busca transmitir a mensagem da instituição sobre o encanto do mundo natural e sobre como a diversidade da natureza pode ampliar o pensamento e a imaginação humana.
- A obra foi encomendada para marcar os 200 anos da ZSL.
- A animação tem ilustrações de Greg King.
- O poema é narrado pelo próprio Simon Armitage.
- O texto liga o ambiente noturno do zoológico à responsabilidade humana sobre a natureza.
Qual é o contexto histórico da ZSL e do Zoológico de Londres?
A ZSL foi fundada em 1826 com o objetivo de promover a ciência zoológica. O Zoológico de Londres, apresentado como o primeiro zoológico científico do mundo, foi aberto em 1828 para zoologistas, entre eles Charles Darwin, e passou a receber o público em 1847.
A diretora-executiva da ZSL, Kathryn England, afirmou que a organização trabalha há 200 anos para aproximar as pessoas da vida selvagem e inspirar ações de proteção. Em fala reproduzida pelo Guardian, ela declarou:
“For 200 years, ZSL has worked to bring people closer to wildlife and inspire action to protect it. Simon’s poem captures both the wonder of those encounters and the responsibility that comes with them. With our anniversary just days away, it’s a powerful reminder of the role people can play in the future of wildlife.”
Com isso, o lançamento de The Moon and The Zoo passa a integrar a longa associação entre o Zoológico de Londres e a produção cultural, agora em uma iniciativa que une poesia, animação e conservação em torno do bicentenário da instituição.