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Doação de órgãos em Patos (PB) salva cinco pacientes na fila

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A Central Estadual de Transplantes registrou, na manhã da terça-feira, 7 de abril de 2026, a sétima doação de múltiplos órgãos do ano na Paraíba. O procedimento ocorreu no Hospital Deputado Jandhuy Carneiro, localizado em Patos, polo de saúde do Sertão paraibano, onde foram captados o fígado, os rins e as córneas de uma paciente de 28 anos. A doadora, identificada pelas iniciais B.R.A.S. e natural do município de Desterro, foi vítima de um edema cerebral irreversível após sofrer um acidente de motocicleta.

De acordo com informações do Governo da Paraíba, a jovem estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o dia 2 de abril de 2026. Após a evolução do quadro para morte encefálica, confirmada por meio de um rigoroso protocolo médico-legal, a família autorizou a retirada dos órgãos. O gesto solidário permitiu que cinco pessoas que aguardavam em listas de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) por transplantes pudessem receber novas perspectivas de vida.

Como ocorreu o processo de confirmação da doação?

O processo de doação iniciou-se imediatamente após a constatação da irreversibilidade do quadro clínico da paciente. A equipe médica seguiu todas as etapas protocolares exigidas pela legislação brasileira para o diagnóstico de morte encefálica. Uma vez confirmado o óbito, a equipe de acolhimento familiar entrou em contato com os parentes próximos para discutir a possibilidade da doação, que foi prontamente aceita em respeito à vontade expressada pela jovem ainda em vida.

A mãe da doadora, Maria do Socorro, relatou que a decisão, embora difícil em meio ao luto, foi baseada na personalidade altruísta da filha. Em depoimento à equipe hospitalar, ela destacou a importância de cumprir o desejo da jovem:

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Ela sempre teve esse coração bom, sempre pensou nos outros. Quando ela falou sobre isso comigo, eu jamais imaginei que um dia teria que tomar essa decisão. Mas eu sabia que era o que ela queria. É muito difícil, mas conforta saber que ela continuará ajudando outras pessoas através deste gesto.

Qual é o cenário atual dos transplantes na Paraíba?

Esta foi a segunda captação de múltiplos órgãos realizada no hospital de Patos apenas neste ano, evidenciando o fortalecimento da rede de transplantes no interior do estado. A diretora da Central de Transplantes, Rafaela Dias, ressaltou que a atitude da família é fundamental para combater a desinformação e incentivar a cultura de doação na sociedade paraibana. O avanço no interior reflete o esforço do SUS, que administra o maior sistema público de transplantes do mundo, para descentralizar o atendimento no Brasil. Segundo a gestora, cada ato de generosidade como este representa uma transformação real para diversas famílias que sofrem com a espera.

Apesar do sucesso desta operação, o sistema de saúde estadual ainda enfrenta grandes desafios para atender à demanda reprimida. Atualmente, centenas de cidadãos dependem de doações para sobreviver ou recuperar funções básicas. Os dados oficiais da secretaria indicam que a lista de espera é composta por:

  • 638 pacientes aguardando transplante de córneas;
  • 176 pessoas à espera de um rim;
  • 30 pacientes aguardando um novo fígado;
  • dois indivíduos na fila para transplante de coração.

Por que a comunicação familiar é decisiva para a doação?

No Brasil, a doação de órgãos só pode ser realizada após a autorização formal dos familiares de primeiro ou segundo grau, independentemente do que constar em documentos de identidade. Por esse motivo, as autoridades de saúde reforçam constantemente que não basta apenas desejar ser doador; é imprescindível comunicar essa decisão aos parentes. O caso da jovem de Desterro exemplifica como o diálogo prévio facilita o processo de decisão da família em um momento de crise e sofrimento emocional.

O Hospital Deputado Jandhuy Carneiro prestou uma homenagem à doadora e seus familiares através de um cortejo simbólico realizado pelos funcionários da unidade. O ato marcou o reconhecimento ao sacrifício e à solidariedade demonstrada. A equipe técnica da Central Estadual de Transplantes coordenou a logística para que os órgãos captados chegassem aos receptores compatíveis no menor tempo possível, garantindo a viabilidade dos transplantes.

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