O Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran) finalizou, na última sexta-feira, dez de abril, uma série de intervenções educativas focadas em segurança viária no município de São Miguel do Guamá. A iniciativa faz parte do projeto “Transitando pelas Comunidades dos Povos Originários da Amazônia”, que busca levar conhecimento técnico e prático para populações tradicionalmente afastadas dos grandes centros de serviços, como indígenas e quilombolas.
De acordo com informações da Agência Pará, a mobilização ocorreu dentro do cronograma do programa “Praça de Justiça e Cidadania”. Este evento, coordenado pelo Poder Judiciário, reuniu diversos órgãos estaduais em um esforço conjunto para oferecer serviços essenciais de forma desburocratizada à comunidade local, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Quais foram as principais atividades desenvolvidas em São Miguel do Guamá?
Durante uma semana, equipes da Educação para o Trânsito do Detran ocuparam espaços públicos e instituições de ensino. Na Escola Municipal Padre Leandro Pinheiro, as atividades foram divididas entre palestras técnicas e rodas de conversa. Um dos focos principais foi a atualização sobre as mudanças legislativas no processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), visando desmistificar o acesso ao documento e incentivar a regularização de condutores que já atuam na região, mas não possuem a devida permissão legal.
As ações educativas também alcançaram o espaço da praça central da cidade, onde o foco se voltou para o público infantil e para a conscientização sobre direitos específicos. Entre os temas prioritários abordados pelos técnicos da autarquia estadual, destacam-se os seguintes pontos:
- Orientações sobre os principais fatores de risco que causam acidentes em vias municipais;
- Explicações sobre as novas regras para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação;
- Oficinas lúdicas com crianças para o aprendizado precoce das normas de circulação;
- Conscientização sobre os direitos de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no trânsito.
Qual a importância da inclusão no processo educativo de trânsito?
Segundo a gerente de Cultura de Trânsito do Detran, Panmela Quaresma, o contato direto com a população local é fundamental para entender a realidade de cada município. Ela ressaltou que as rodas de conversa serviram como um canal de escuta para as demandas de quem deseja se habilitar.
É um momento de escuta e explicações para incentivar as pessoas que querem aprender a dirigir ou até mesmo as que já dirigem, mas não são habilitadas, sobre a importância da CNH na segurança do trânsito local
, pontuou a gestora durante os atendimentos na escola municipal.
A inclusão social também foi um marco da programação em São Miguel do Guamá. O projeto incluiu crianças autistas em jogos educativos, promovendo uma abordagem pedagógica adaptada que atraiu a atenção de pais e responsáveis. Marizete dos Passos, moradora da cidade e mãe de uma criança com autismo, relatou sua satisfação ao observar o filho participando das atividades.
A gente luta todo dia contra a exclusão, por isso parei pra escutar e fiquei muito feliz de saber que têm pessoas abraçando essa causa
, afirmou.
Como o Detran pretende expandir essas orientações educativas?
O balanço das atividades indicou uma participação significativa dos moradores. Ao todo, 34 pessoas participaram das discussões específicas sobre habilitação, enquanto outras 100 assistiram às palestras sobre prevenção de acidentes na Escola Municipal Padre Leandro Pinheiro. O Detran planeja manter a continuidade do projeto “Transitando pelas Comunidades dos Povos Originários da Amazônia” em outras regiões do estado, priorizando locais com alto índice de vulnerabilidade e necessidade de regularização documental.
Ao integrar o projeto ao evento “Praça de Justiça e Cidadania”, o governo estadual busca reduzir as barreiras de acesso à informação. A estratégia de levar agentes de educação para praças públicas permite que o conhecimento sobre segurança viária chegue a pedestres e ciclistas, não se limitando apenas aos motoristas de veículos automotores. O foco em comunidades quilombolas e indígenas reforça o compromisso com a equidade no trânsito paraense, garantindo que o conhecimento técnico chegue a todos os estratos sociais do estado.