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Crime organizado forja alianças globais e diversifica negócios ilícitos

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O crime organizado na América Latina passou por uma profunda transformação estrutural, deixando de focar apenas no narcotráfico para atuar como uma rede global diversificada. A constatação foi apresentada no início de abril de 2026 pelo secretário de Segurança Multidimensional da OEA (Organização dos Estados Americanos), o diplomata brasileiro Ivan Marques. Segundo ele, as facções transnacionais adotaram a lógica da convergência criminal para maximizar lucros e reduzir riscos operacionais.

De acordo com entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, a cocaína tornou-se apenas mais uma das frentes de receita dentro de um portfólio ampliado de atividades ilegais. Essa mudança torna as estruturas ilícitas altamente fluidas, permitindo a exploração de mercados que vão do contrabando de armas à extração clandestina de minérios em diversos países.

Como funcionam as novas redes criminosas globais?

Diferentemente dos grandes e antigos cartéis, que mantinham estruturas hierarquizadas e centralizadas, as novas organizações operam de maneira flexível. Em vez de dominar toda a cadeia de produção, grupos globais firmam acordos logísticos com gangues locais e estruturas de base territorial. Essa tática garante uma rápida distribuição e capilaridade nas operações ilícitas.

No Brasil, as facções Primeiro Comando da Capital (PCC), com origem em São Paulo, e Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, já atuam fortemente além das fronteiras nacionais. Evidências apontam que essas organizações mantêm negócios em pelo menos 20 países. O faturamento de ambas já não depende exclusivamente do tráfico de entorpecentes, mas de uma gama diversificada de crimes.

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“A rede transnacional é composta por grupos locais menores para dar vazão a um mercado de ilícitos bastante variado. O controle de toda cadeia de produção e logística é disperso entre múltiplos grupos delinquentes, assim como o risco. O objetivo é, de modo geral, o lucro, mesmo que a violência seja uma das consequências dessas operações.”

Quais são os principais parceiros internacionais das facções?

Ao expandir o cenário para fora do território brasileiro, o mercado ilegal conecta-se a cartéis mexicanos, como o Jalisco Nueva Generación. Além disso, organizações mafiosas europeias também estabeleceram bases nas Américas. Integram essa espécie de coalizão transnacional grupos criminosos de origem:

  • Albanesa
  • Italiana
  • Húngara
  • Croata

Apesar da diversificação, a América Latina continua sendo a principal produtora mundial da cocaína consumida no planeta, mantendo o tráfico de drogas como um eixo central de preocupação. Contudo, a secretaria da OEA monitora de perto o avanço exponencial de ameaças modernas, como os crimes cibernéticos. O Brasil destaca-se atualmente como uma das maiores vítimas globais no ambiente digital.

Quais as estratégias da OEA para combater o avanço ilícito?

O Caribe é apontado como uma zona de alerta devido ao aumento da violência armada. A OEA presta assistência técnica às nações centro-americanas e caribenhas para frear o contrabando de armamentos e munições. Outra preocupação alarmante é o desvio sistemático de explosivos utilizados em mineração legal para as mãos de criminosos, o que gerou um acordo regional envolvendo sete países.

Para Marques, enfrentar essa rede exige o abandono de ações exclusivamente policiais em favor de operações integradas. O Brasil é citado como um modelo de maturidade nesse aspecto, unindo instituições como a Receita Federal, as Polícias Federais e Estaduais, além dos Gaecos (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, vinculados aos Ministérios Públicos).

“Parece algo óbvio, mas ainda é pouco explorado na América Latina e no Caribe. As agências de segurança, como polícias, Ministérios Públicos, aduanas, muitas vezes não se comunicam. A criação desses grupos integrados, como forças-tarefa multiagências exclusivas à investigação ao crime organizado transnacional, é uma inovação institucional.”

Qual o papel do Brasil na liderança regional?

O secretário destaca a importância da liderança brasileira na implementação de uma base de coordenação da Interpol na Argentina, que conta com a participação de governos sul-americanos. Ele defende que a via diplomática deve guiar o país, em contraposição a iniciativas na região que apostam na militarização do combate ao crime.

A principal meta da OEA atualmente é criar uma rede regional sólida contra o crime transnacional. O objetivo é replicar operações bem-sucedidas entre os países-membros e estabelecer protocolos que facilitem a troca rápida de dados de inteligência, garantindo investigações coordenadas em toda a América.

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