A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) oficializou nesta sexta-feira (17) a lista final dos selecionados no edital Seab/Deagro nº 001/2025, vinculado ao programa Coopera Paraná. Ao todo, 113 projetos de negócios foram escolhidos entre 220 propostas inscritas para receber investimentos que visam modernizar o cooperativismo da agricultura familiar em território paranaense. A iniciativa mobilizará aproximadamente R$ 170 milhões, consolidando-se como a maior edição desde a criação do programa, em 2019.
De acordo com informações da Agência Paraná, o volume total de recursos solicitados superou a reserva inicial de R$ 100 milhões prevista para o chamamento público. O atual edital estabeleceu um teto de repasse de R$ 2,20 milhões por projeto, o maior valor já viabilizado na história do programa. Em edições anteriores, os limites eram significativamente menores, alcançando o teto de R$ 300 mil para associações e R$ 720 mil para cooperativas rurais.
Quais são os principais objetivos do programa Coopera Paraná?
O foco central da iniciativa é promover o desenvolvimento rural sustentável por meio do suporte a cadeias produtivas estratégicas nas dez macrorregiões do estado. O programa atua no fortalecimento da gestão e na busca por novos mercados para produtos oriundos da agricultura familiar. Os recursos destinados serão aplicados em diversas frentes para profissionalizar as organizações rurais, incluindo os seguintes pontos:
- Aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas modernos;
- Construção ou ampliação de infraestrutura de processamento e logística;
- Implementação de suporte técnico e gerencial especializado;
- Incentivo a práticas de sustentabilidade socioambiental e preservação.
Para a coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, a seleção rigorosa garante que o dinheiro público seja aplicado em negócios com viabilidade real de mercado. Segundo ela, a equipe técnica avaliou detalhadamente o impacto econômico, social e ambiental de cada proposta enviada para assegurar a perenidade das operações no campo.
“O critério de seleção não foi apenas o volume de investimento, mas a sustentabilidade real de cada proposta. Avaliamos detalhadamente, dentro das regras do edital, a capacidade de gestão e o impacto econômico, social e ambiental que esses recursos terão na ponta, garantindo que o dinheiro público seja aplicado em negócios que realmente tenham perenidade no mercado e que tenham cumprido os quesitos eliminatórios”
Como será feita a distribuição dos recursos financeiros?
Com a publicação do resultado final, as organizações selecionadas ingressam agora na fase de habilitação técnica. Nesta etapa, a Seab verificará a regularidade jurídica e fiscal de cada entidade proponente. Após a validação dos documentos, as cooperativas e associações habilitadas serão convocadas para apresentar seus planos de trabalho detalhados, seguidos pela formalização dos termos de fomento para a liberação dos valores.
Desde o seu lançamento, o Governo do Estado já destinou cerca de R$ 94 milhões ao setor por meio desta política pública. No primeiro ano, em 2019, o repasse foi de quase R$ 30 milhões, seguido por R$ 42 milhões em 2021 e R$ 21,5 milhões em 2023. Ao todo, a trajetória histórica da iniciativa já contemplou 116 cooperativas e 75 associações antes do início do atual ciclo de investimentos.
Quais entidades participam da execução deste projeto?
A execução do Coopera Paraná conta com uma rede de parcerias institucionais que inclui o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Também colaboram o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR), a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar (Unicafes), o Sebrae Paraná e a Fetaep.
A integração entre estas entidades permite que as pequenas organizações rurais ganhem competitividade frente aos grandes participantes do mercado agroindustrial. A meta do programa é garantir que a produção paranaense mantenha sua vocação de liderança na oferta de alimentos de qualidade, aliando produtividade à preservação ambiental e à inclusão socioprodutiva de milhares de famílias que dependem do campo.