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BNDES aprova R$ 83,9 milhões para sementes sintéticas de cana-de-açúcar

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um repasse financeiro de R$ 83,96 milhões para o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), localizado em Piracicaba, no interior de São Paulo. A operação tem como objetivo principal financiar três projetos focados no desenvolvimento e na produção de sementes sintéticas de cana-de-açúcar. A iniciativa busca revolucionar o setor sucroenergético nacional e estabelece a meta ambiciosa de dobrar a produtividade das lavouras canavieiras do país até o ano de 2040.

De acordo com informações do Monitor Mercantil, o valor total mobilizado para a execução dos projetos alcançará a cifra de R$ 165,54 milhões. Além do montante viabilizado pelo banco estatal por meio da linha BNDES Mais Inovação, o orçamento conta com um aporte de R$ 72,9 milhões provenientes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e com a injeção de R$ 8,68 milhões em recursos próprios do CTC.

Como funcionam as sementes sintéticas de cana-de-açúcar?

A inovação biotecnológica baseia-se na produção de sementes geradas a partir do cultivo in vitro de material biológico. Esse material possui a capacidade genética de regenerar uma planta inteira e é encapsulado por uma estrutura protetora especial. Essa blindagem tecnológica permite que os produtores rurais realizem a manipulação estrutural, o armazenamento prolongado, o transporte seguro e o plantio mecanizado com alta eficiência, dispensando o uso direto de pedaços pesados da planta adulta.

Atualmente, o setor enfrenta grandes desafios logísticos e operacionais com o método de plantio convencional. O modelo tradicional exige o depósito de mais de 16 toneladas de colmos de cana-de-açúcar por hectare em sulcos abertos no solo. Esse processo requer a utilização intensa de máquinas agrícolas pesadas, que causam a compactação prejudicial da terra, aceleram a erosão e provocam a perda da microbiota essencial para a saúde contínua da lavoura.

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Quais são os impactos ambientais e econômicos esperados?

A transição para o uso de sementes desenvolvidas em laboratório promete alterar a sustentabilidade do canavial brasileiro. Ao eliminar a necessidade de movimentar toneladas de biomassa apenas para o plantio, o consumo de combustível despenca, reduzindo simultaneamente os custos operacionais das usinas e os impactos ambientais gerados na agricultura.

O BNDES está empenhado em fortalecer a produção agrícola brasileira e a inovação no campo. O conjunto de projetos que o CTC vem conduzindo, com a ambiciosa meta de fazer a produtividade da cana-de-açúcar no Brasil dobrar até 2040. Iniciativas contribuem para a redução significativa dos custos operacionais, do uso de defensivos químicos e fertilizantes e das emissões de gás carbônico

A citação acima, atribuída ao presidente da instituição financeira, Aloizio Mercadante, reforça o caráter estratégico do investimento voltado ao agronegócio. Um dos pilares do acordo é a construção da primeira unidade industrial de demonstração tecnológica. A planta-piloto ocupará uma área de dez mil metros quadrados na Fazenda Santo Antônio, sede do centro de pesquisa paulista.

O que o projeto prevê para o combate às pragas agrícolas?

A capacidade produtiva inicial da nova fábrica está projetada para fornecer material genético suficiente para o plantio de 500 hectares por ano. O início da operação exigirá a contratação de 72 novos profissionais especializados. Para a direção da empresa responsável, o marco representa uma transformação histórica para o mercado nacional.

Estamos dando um passo fundamental para colher os resultados dessa tecnologia. O uso da semente sintética de cana-de-açúcar será uma disrupção na forma como plantamos a cana, trazendo aumento de produtividade e de margens agroindustriais, além da redução de emissões de gases de efeito estufa

A declaração do diretor-executivo do centro de pesquisa, César Barros, aponta para a viabilidade comercial do projeto, cujas pesquisas começaram há mais de dez anos. O financiamento abrange ainda o aprimoramento da logística de armazenamento, visando atender fazendas em regiões mais remotas com um prazo de validade estendido para as sementes comercializadas.

Por fim, a terceira vertente do acordo concentra-se na criação de uma variedade genética agrícola resistente aos ataques de insetos. O alvo principal é o besouro Sphenophorus levis, popularmente conhecido pelos trabalhadores do campo como o bicudo da cana-de-açúcar. A criação dessa resistência pretende diminuir drasticamente a dependência do setor em relação aos agrotóxicos.

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