As ações do Hezbollah no sul do Líbano e a atuação de milícias xiitas no Iraque passaram a pressionar Israel e os Estados Unidos no contexto da guerra no Oriente Médio contra o Irã, segundo análise publicada na sexta-feira, 27 de março de 2026. De acordo com informações da Agência Brasil, a resistência do Hezbollah na fronteira libanesa e a escalada de tensão no Iraque ampliaram a pressão militar e política sobre os adversários de Teerã. Para o Brasil, uma piora do conflito no Oriente Médio pode repercutir no mercado internacional de petróleo, com reflexos sobre os preços dos combustíveis, além de aumentar a pressão diplomática sobre países que defendem saídas negociadas.
Segundo o texto, o Hezbollah tem anunciado dezenas de ações militares diárias contra forças israelenses na fronteira sul do Líbano. O grupo afirma que “quase” 100 tanques Merkava foram destruídos durante esse período de guerra e que, apenas nas últimas 24 horas citadas pela reportagem, teria realizado 103 operações contra Israel. Já no Iraque, o governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani endureceu o discurso contra EUA e Israel após ataques a um quartel-general e a uma clínica médica ocupada por milícias xiitas pró-Irã em Habbaniyah, que, de acordo com a matéria, mataram 15 combatentes das Forças de Mobilização Popular.
Como o cenário no Iraque elevou a tensão regional?
A reportagem informa que o governo iraquiano autorizou as Forças de Mobilização Popular a exercerem o direito à autodefesa. Além disso, acusou abertamente Washington pelos ataques em território iraquiano e convocou o encarregado de negócios dos EUA em Bagdá para apresentar uma “carta de protesto veemente”.
A Resistência Islâmica no Iraque, grupo que reúne facções armadas pró-Irã, também tem reivindicado ataques com drones e mísseis contra bases no Iraque e contra a embaixada dos Estados Unidos. Em meio a esse quadro, a Embaixada dos EUA em Bagdá publicou alertas de segurança para seus cidadãos e funcionários.
“Não tente ir à embaixada em Bagdá ou ao consulado-geral em Erbil devido ao risco contínuo de mísseis, drones e foguetes no espaço aéreo iraquiano”.
O agravamento do cenário também é acompanhado pelo Brasil no campo diplomático. O Itamaraty tem tradição de defender soluções negociadas e o respeito ao direito internacional em crises no Oriente Médio, tema sensível para um país que mantém relações com diferentes atores da região.
Por que analistas avaliam vantagem estratégica do Irã?
O professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Danny Zahreddine, avalia, segundo a reportagem, que após quase um mês de guerra os iranianos estão em posição mais favorável que seus adversários. Na análise dele, a reativação da frente libanesa dividiu a força israelense, enquanto a pressão das milícias iraquianas pela retirada dos americanos do Iraque amplia a capacidade defensiva do Irã.
“Reativar a frente libanesa com o Hezbollah dividiu a força israelense em duas frentes. A vitória das milícias iraquianas, forçando a saída dos americanos de lá, enfraquece do ponto de vista simbólico e real, porque aumenta a capacidade defensiva do Irã. E a resiliência iraniana revela que, se eles tentarem entrar por terra ou mar, o problema vai ficar pior ainda”.
O major-general português Agostinho Costa, citado na matéria como especialista em segurança e geopolítica, também afirmou ver “vantagem estratégica” do Irã. Ele destacou capacidades nos domínios de mísseis, drones e meios marítimos, avaliando que essas soluções criaram dificuldades para o poder aéreo norte-americano e israelense.
“O Irã apresentou, tanto no domínio dos mísseis, como no domínio dos drones, como na parte marítima com enxames de embarcações rápidas que lançam mísseis antinavio, um conjunto de soluções para as quais o poder aéreo norte-americano e israelense estão anuladas”.
O que a reportagem aponta sobre a frente no Líbano?
Para Zahreddine, o cenário é delicado para os israelenses em território libanês. Ele afirmou que o Hezbollah surpreendeu ao demonstrar capacidade de resistência, com equipamentos, mísseis e foguetes ainda disponíveis para sustentar as ações militares. A reportagem também registra a avaliação de que dezenas de tanques Merkava podem ter sido destruídos, de acordo com a leitura do especialista.
Agostinho Costa acrescentou que a recuperação do Hezbollah tem dificultado o avanço terrestre israelense até o Rio Litani, no sul do Líbano, área historicamente estratégica na dinâmica de confrontos entre Israel e o grupo libanês. Ele também mencionou o uso de drones FPV, apontados como eficazes contra blindados por atingirem pontos vulneráveis dos tanques.
Como especialistas leem a defesa aérea de Israel?
Segundo a reportagem, Danny Zahreddine observou que é difícil saber com precisão a situação interna de Israel devido à forte censura do governo sobre a divulgação de informações. Ainda assim, o texto registra que Tel-Aviv afirma interceptar cerca de 90% dos mísseis iranianos e do Hezbollah lançados contra o país.
Na avaliação do professor, mesmo que apenas 10% dos projéteis passem pelos sistemas de defesa, esse volume já seria suficiente para atingir alvos estratégicos e criar um problema real para Israel. O major-general Agostinho Costa, por sua vez, disse que não é possível dar total crédito às informações israelenses, mas sustentou que a parcela que ultrapassa a interceptação pode provocar grande destruição.
O Irã segue com capacidade ofensiva?
Apesar dos danos provocados por bombardeios de Israel e dos EUA, os especialistas ouvidos na reportagem sustentam que o Irã mantém capacidade ofensiva relevante. Zahreddine afirmou que, no 28º dia da guerra, os iranianos ainda conseguiam projetar poder militar e fazer suas armas alcançarem Israel, o que, segundo ele, demonstra alta resiliência.
Agostinho Costa declarou que o país não parece ter sido substancialmente debilitado. De acordo com sua análise, os principais centros de lançamento operariam a partir do solo e do subsolo, com mísseis movimentados em túneis para lançamentos rápidos, dificultando a reação de norte-americanos e israelenses.
