Celular usado: atualizações de software valorizam o aparelho na revenda? - Brasileira.News
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Celular usado: atualizações de software valorizam o aparelho na revenda?

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Detailed close-up shot of a sleek Samsung smartphone highlighting its advanced camera lenses.
Detailed close-up shot of a sleek Samsung smartphone highlighting its advanced camera lenses. Foto: webber Amir — Pexels License (livre para uso)

A ampliação do suporte de software para até sete anos, promovida a partir de 2024 por grandes fabricantes do setor de tecnologia, como Samsung e Google, levantou questionamentos sobre o impacto dessa medida no mercado de aparelhos de segunda mão em 2026. O aumento do tempo de atualizações de sistemas operacionais gera maior confiança no consumidor, mas não é o fator principal para elevar os preços de revenda dos dispositivos móveis no Brasil.

De acordo com informações do Canaltech, portal brasileiro especializado em tecnologia, companhias como Samsung, Apple e Motorola estão adotando a estratégia de garantir longevidade aos sistemas operacionais de seus produtos. A mudança acompanha um cenário de consolidação do mercado de usados, impulsionado pela redução no ritmo de troca de dispositivos por parte dos usuários ao longo dos últimos anos, especialmente no cenário pós-pandemia.

Como as atualizações de software afetam o preço do celular usado?

Embora o suporte estendido seja um diferencial atrativo, o valor comercial de um aparelho reaproveitado está majoritariamente atrelado às suas condições físicas e práticas. Especialistas apontam que a garantia de correções de segurança e novas funções sistêmicas funciona mais como um gatilho de interesse de compra do que como um justificador de preços mais altos nas vitrines virtuais.

O executivo Flávio Peres, CEO da plataforma Trocafone (uma das principais empresas de compra e venda de eletrônicos seminovos da América Latina), esclarece que a avaliação do comprador prioriza o funcionamento básico e a durabilidade imediata do equipamento.

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O software é um dos elementos que o consumidor vai validar, mas antes disso ele vai se preocupar se a bateria está funcionando, se o aparelho faz ligação, tira foto, se conecta à internet etc.

Dessa forma, componentes desgastados pelo tempo de uso impactam negativamente a precificação. Fatores primordiais na hora de estipular o valor de revenda incluem:

  • Estado geral de conservação da tela e da carcaça;
  • Saúde da bateria e necessidade imediata de substituição;
  • Funcionamento adequado de câmeras e microfones;
  • Conectividade estável com redes móveis e internet sem fio.

Por que modelos antigos ainda mantêm alta demanda no Brasil?

Dispositivos com quatro ou cinco anos de fabricação continuam sendo procurados no país, especialmente quando entregam desempenho confiável para as tarefas cotidianas. O mercado nacional apresenta perfis variados de consumo, onde muitas pessoas adquirem um segundo aparelho de menor custo exclusivamente para trabalho ou para acessar aplicativos financeiros com maior segurança em vias públicas, uma prática que ganhou força devido aos índices de furtos de celulares em grandes capitais brasileiras.

Sobre a iniciativa das grandes marcas em prolongar a vida útil dos sistemas, o mercado de usados enxerga a ação como um reforço extremamente positivo na jornada de decisão de compra do cliente.

Eu vejo com bons olhos esse movimento das fabricantes, mas não acredito que isso vai encarecer os aparelhos usados. Se ele tiver uma declaração dos fabricantes de que o software vai ser suportado por mais tempo, ele com certeza vai dar mais valor. Então a gente pode esperar um interesse maior.

Apesar da busca por aparelhos mais velhos, a maior concentração de vendas e o melhor custo-benefício encontram-se nos telefones móveis que possuem entre dois e três anos de uso. Segundo as análises do setor varejista, esses equipamentos ainda preservam valor comercial significativo e atendem plenamente à maioria das necessidades diárias dos usuários comuns.

Qual é o impacto do mercado de usados nas vendas de aparelhos novos?

A desaceleração na troca de smartphones é um fenômeno global que já se desenha há algumas temporadas. A ausência de inovações tecnológicas drásticas e revolucionárias entre uma geração e outra faz com que o usuário retenha seu equipamento por períodos mais longos do que no passado.

Hoje você troca um aparelho de um ano para o outro e não muda a forma como você usa. Isso diminui o ritmo de compra.

Nesse contexto mercadológico, o setor de segunda mão assume um papel estratégico fundamental para a própria indústria de tecnologia. A possibilidade de repassar o equipamento antigo amortiza o impacto financeiro na aquisição de um modelo recém-lançado. Inúmeras redes varejistas e fabricantes oficiais adotaram programas de recompra (trade-in) no Brasil, como o “Troca Smart”, justamente para estimular e facilitar esse ciclo comercial.

A valorização de um celular usado acaba motivando o consumidor a investir em uma nova compra, reduzindo o peso da barreira financeira na transição. Conclui-se que as atualizações prolongadas garantem atratividade e confiança estrutural no longo prazo, mas o verdadeiro valor de revenda continuará dependendo do estado físico do produto e das leis básicas de oferta e demanda vigentes.

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