O julgamento de Monique Medeiros e Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, acusados pela morte de Henry Borel, começou em 23 de março de 2026, no Fórum de Justiça do Rio de Janeiro. O júri popular analisa o caso cinco anos após a morte do menino, ocorrida em 2021, no apartamento onde ele morava com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. O caso teve repercussão nacional e deu nome à Lei Henry Borel, sancionada em 2022, que criou mecanismos de proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar e alterou o Código Penal brasileiro. Ao chegar ao tribunal, o pai da criança, Leniel Borel, cobrou a condenação dos réus e disse esperar uma resposta sobre o que aconteceu com o filho. De acordo com informações da Agência Brasil, manifestantes também se reuniram em frente ao 2º Tribunal do Júri pedindo justiça em memória do menino.
Na chegada ao fórum, Leniel Borel afirmou que o início do julgamento ocorre após um período de luto e de espera. Segundo ele, já se passou mais tempo desde a morte do filho do que o período de convivência que teve com a criança, que morreu aos quatro anos.
“A condenação é o mínimo para aqueles dois monstros. Três pessoas entraram vivas no apartamento. Depois, uma criança saiu morta. O que aconteceu com o meu filho naquele apartamento? Acho que eles não vão falar o que ocorreu”
O que está sendo julgado no caso Henry Borel?
O júri popular trata das acusações relacionadas à morte de Henry Borel. Os réus foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Segundo a denúncia citada pela reportagem, Dr. Jairinho responde por homicídio qualificado, enquanto Monique Medeiros é acusada de homicídio por omissão de socorro.
De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, as lesões sofridas por Henry foram provocadas por agressões e teriam sido a causa da morte da criança. A acusação sustenta ainda que a mãe se omitiu de sua responsabilidade legal de proteção, o que, segundo a denúncia, colaborou para o homicídio.
Quais elementos da investigação foram apresentados até agora?
Antes de morrer, Henry foi levado a um hospital particular na Barra da Tijuca, onde o casal alegou que a criança teria sofrido um acidente doméstico. No entanto, o laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal apontou 23 lesões por ação violenta, entre elas laceração hepática e hemorragia interna.
As investigações da Polícia Civil concluíram que o menino era vítima de rotinas de tortura praticadas pelo padrasto e que a mãe tinha conhecimento das agressões. O Ministério Público também apontou que, em outras três ocasiões, em fevereiro de 2021, Jairinho submeteu Henry a sofrimento físico e mental com emprego de violência.
- O julgamento começou em 23 de março de 2026, no Rio de Janeiro;
- Monique Medeiros e Dr. Jairinho enfrentam júri popular;
- O laudo do IML apontou 23 lesões por ação violenta;
- Manifestantes pediram justiça em frente ao tribunal.
O que disseram a acusação e a defesa?
O advogado assistente de acusação, Cristiano Medina da Rocha, afirmou que as provas são irrefutáveis e atribuiu a morte de Henry às agressões e à omissão apontadas pela acusação.
“Não há dúvida alguma de que Jairo torturou de forma cruel o Henry Borel. Esse crime aconteceu pelo fato de Monique Medeiros ter abdicado do seu dever sagrado de proteger o seu filho”
Já a defesa de Jairo, representada pelo advogado Fabiano Lopes, afirmou que houve manipulação dos laudos no Instituto Médico-Legal com envolvimento de peritos e policiais. A reportagem original não informa, porém, desdobramentos dessa alegação durante a sessão do júri.
Com o início do julgamento, o caso volta ao centro do debate público no Rio de Janeiro e no país, tanto pela responsabilização criminal dos acusados quanto pelo impacto que teve na discussão sobre proteção de crianças e adolescentes contra a violência doméstica.
