O Banco Mundial e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) anunciaram um acordo de US$ 3 bilhões — aproximadamente R$ 15 bilhões — para ampliar o acesso à internet nas zonas rurais da América do Sul e do Caribe, com foco em agricultores familiares. A aliança foi firmada com participação da ConectarAgro, associação dedicada a levar banda larga e Internet das Coisas (IoT) a áreas remotas do Brasil.
De acordo com informações da Teletime, o acordo integra um programa internacional voltado à inclusão digital no campo, com metas estabelecidas até 2030. O Brasil é considerado peça-chave no programa, tendo em vista a relevância do agronegócio para a economia nacional e os desafios estruturais de tecnologia nas áreas de produção agrícola.
Como surgiu a parceria entre as instituições?
A iniciativa ganhou forma após a ConectarAgro apresentar o Indicador de Conectividade Rural (ICR) aos dirigentes do Banco Mundial em reunião realizada em outubro do ano passado. O índice mensura a conectividade em zonas rurais e remotas do país e auxilia na identificação das regiões que mais necessitam de investimento em infraestrutura digital.
Qual é o tamanho da desigualdade digital entre campo e cidade na região?
Os números revelam um abismo expressivo entre o acesso à internet no meio urbano e no rural. Segundo Diego Arias Carballo, practice manager do Banco Mundial, atualmente 71% da população urbana da América Latina e do Caribe tem acesso à internet, enquanto nas zonas rurais esse índice é de apenas 37%.
Essa diferença faz com que cerca de 77 milhões de pessoas no meio rural ainda estejam desconectadas, o que impacta negativamente educação, emprego e o acesso a serviços públicos e privados.
A disparidade evidencia um problema estrutural que afeta não apenas a produção agrícola, mas também a qualidade de vida de dezenas de milhões de trabalhadores e suas famílias espalhadas pelo interior do continente.
Quais os impactos esperados para o agronegócio brasileiro?
Na avaliação de Paola Campiello, presidente da ConectarAgro, o financiamento deve contribuir diretamente para o aumento da produtividade no campo. A melhoria da conectividade viabiliza tecnologias de geração e circulação de dados, além de abrir espaço para o uso de soluções de Inteligência Artificial (IA) aplicadas à agricultura.
Esse movimento global mostra que a conectividade rural ocupa lugar de destaque nas pautas e passa a ser uma prioridade estratégica para o desenvolvimento agrícola em escala mundial.
A presidente da ConectarAgro também destacou a dependência direta entre infraestrutura de dados e o aproveitamento eficiente da inteligência artificial no setor.
Hoje, falamos cada vez mais sobre inteligência artificial no agro, mas é importante reforçar: sem conectividade e sem dados, não existe IA aplicada de forma eficiente no campo.
Quais são os principais pontos do programa até 2030?
- Investimento total de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) para conectividade rural
- Foco em agricultores familiares da América do Sul e do Caribe
- Uso do Indicador de Conectividade Rural (ICR) como ferramenta de diagnóstico
- Metas de inclusão digital com prazo até 2030
- Brasil identificado como país prioritário no programa
O acordo representa um dos maiores compromissos financeiros globais já firmados especificamente para a conectividade no campo. A expectativa é que os recursos cheguem às regiões com maior defasagem tecnológica, contribuindo para reduzir os cerca de 77 milhões de pessoas desconectadas no meio rural latino-americano e caribenho.