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Renaturalização avança em cidades da Espanha para tentar salvar praias da erosão

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Cidades da Espanha, especialmente no entorno de Barcelona, estão adotando medidas de renaturalização para tentar conter a erosão costeira e preservar praias que perderam grande parte de sua faixa de areia. As iniciativas incluem a remoção de estruturas urbanas, a restauração de dunas e o uso de barreiras naturais para reter sedimentos. O movimento ocorre diante do avanço do mar, do impacto das tempestades de inverno e da ocupação intensa da orla, que reduzem a capacidade de regeneração natural das praias.

De acordo com informações da Folha Ambiente, municípios como Calafell, em Tarragona, e Sitges, ao sul de Barcelona, passaram a testar soluções menos baseadas em obras rígidas e reposição contínua de areia. A mudança busca responder a um problema que se repete a cada inverno, quando tempestades apagam trechos do litoral e obrigam o poder público a reconstruir partes da costa antes da temporada turística.

Por que as praias da região de Barcelona estão encolhendo?

Ao norte de Barcelona, a situação é descrita como especialmente crítica em áreas próximas à histórica linha ferroviária Barcelona-Mataró, onde os trilhos ficam muito perto do mar. Em Montgat, a praia praticamente desapareceu, e as tempestades passaram a expor rochas que antes ficavam cobertas por extensos areais.

O pescador Bruno Cambre, de 37 anos, relatou à AFP os efeitos da erosão na região.

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“O mar engoliu toda a areia e erodiu as pedras. Causou muito estrago, não só aqui, mas em todo o litoral”

Ele também descreveu a redução acelerada da faixa de areia nos últimos anos.

“Há quatro ou cinco anos você ia a essas praias e a areia se estendia por muito longe, 500 ou 700 metros. Agora não restam mais de 20”

No sul de Barcelona, o problema se soma à presença de calçadões e edifícios na orla. Segundo a reportagem, essas estruturas comprimem a praia entre o mar e o concreto, dificultando sua adaptação ao aumento da força das ondas e ao avanço da água.

Que soluções estão sendo testadas em Calafell?

Em Calafell, município com 30 mil habitantes e forte dependência do turismo, a estratégia em curso tenta restabelecer processos naturais da dinâmica costeira. A professora de geografia física da Universidade de Girona, Carla García Lozano, que supervisiona há seis anos a regeneração das praias locais, considera pouco eficaz e muito custosa a prática de despejar grandes quantidades de areia trazida de outras áreas e refazer pisos do calçadão anualmente.

Segundo ela, as praias sofrem erosão durante as tempestades de inverno, mas podem se regenerar naturalmente em períodos mais estáveis, sobretudo na primavera e no verão, desde que tenham espaço e características ambientais preservadas.

As medidas adotadas em Calafell incluem:

  • desconstrução de 800 metros quadrados do calçadão;
  • eliminação de dois espigões subterrâneos;
  • instalação de barreiras de bambu para reter areia e formar dunas;
  • transferência de areia de áreas próximas onde há sobra para pontos com déficit;
  • uso de drones para acompanhar a evolução dos areais.

De acordo com Lozano, em uma área de 4.500 metros quadrados foram ganhos 1.000 metros cúbicos de areia. Ela afirmou que a média foi de 25 centímetros, chegando a um metro e meio em alguns pontos.

Outras cidades seguem o mesmo caminho?

Sim. A reportagem informa que outros municípios costeiros próximos também passaram a retirar ou rever infraestruturas à beira-mar, como estacionamentos, espigões e quiosques. Em Calafell, o vereador Aron Marcos Fernández afirmou que a demolição de parte do calçadão trouxe resultado.

“Antes o mar batia no calçadão e agora há areia”

Segundo ele, a prefeitura ainda estuda demolir outro trecho da estrutura. Ao mesmo tempo, defende um equilíbrio entre a recuperação ambiental e o uso turístico da praia.

“Temos que entender qual papel social a praia desempenha no município”

Em Sitges, a aposta também envolve restaurar dunas e buscar soluções naturais. A retirada do calçadão, porém, foi descartada. A prefeita Aurora Carbonell afirmou que a estrutura tem valor histórico e forte presença no cotidiano da população.

“Temos um calçadão centenário, onde há muita atividade dos cidadãos”

“É parte da história de Sitges e é parte dos cidadãos. Então, para nós, retirar calçadões é uma ação difícil”

Qual é o impacto econômico da perda das praias na Espanha?

A discussão ambiental também tem dimensão econômica. Segundo a reportagem, a Espanha recebe quase 100 milhões de turistas por ano, muitos atraídos por destinos de sol e praia. Dados citados do Instituto Nacional de Estatística indicam que uma parcela de 12,6% do PIB do país está ligada a essa atividade, o que representa mais de 200 bilhões de euros anuais e 2,7 milhões de postos de trabalho.

Nesse contexto, a renaturalização aparece como tentativa de adaptação costeira diante da erosão marinha e da pressão urbanística. Em vez de depender apenas de intervenções repetitivas com areia e concreto, cidades espanholas começam a testar soluções baseadas na recuperação da paisagem natural para prolongar a vida útil de suas praias.

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