Anthropic voltou a dialogar com integrantes de alto escalão do governo Trump, mesmo após ter sido classificada pelo Pentágono como risco para a cadeia de suprimentos. O movimento foi reportado na sexta-feira, 18 de abril de 2026, nos Estados Unidos, em meio a uma disputa sobre o uso dos modelos de inteligência artificial da empresa pelo setor militar. Segundo os relatos, as conversas continuam porque outras áreas do governo ainda veem espaço para cooperação em temas como cibersegurança, liderança dos EUA na corrida da IA e segurança da tecnologia.
De acordo com informações do TechCrunch, havia sinais anteriores de aproximação. Relatos indicavam que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, incentivavam dirigentes de grandes bancos a testar o novo modelo Mythos, da Anthropic.
O cofundador da empresa, Jack Clark, também indicou que o embate com o Departamento de Defesa não deveria interromper o contato institucional com Washington. Segundo ele, a disputa em torno da classificação de risco na cadeia de suprimentos seria um conflito contratual restrito, sem impedir que a companhia apresentasse seus modelos mais recentes ao governo.
O que ocorreu na reunião entre a Anthropic e a Casa Branca?
Na sexta-feira, o site Axios informou que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, se reuniram com o CEO da Anthropic, Dario Amodei. Em nota, a Casa Branca definiu o encontro como uma reunião introdutória e afirmou que a conversa foi produtiva e construtiva.
“We discussed opportunities for collaboration, as well as shared approaches and protocols to address the challenges associated with scaling this technology,” the White House said.
A Anthropic também divulgou um comunicado confirmando a reunião com autoridades graduadas do governo. A empresa afirmou que houve uma discussão produtiva sobre como ela e o governo dos Estados Unidos podem atuar em prioridades compartilhadas, como cibersegurança, a liderança americana na corrida da inteligência artificial e a segurança da IA.
“looking forward to continuing these discussions.”
Por que a relação entre a empresa e o Pentágono se deteriorou?
O atrito entre a Anthropic e o Pentágono, segundo o texto original, parece ter começado após negociações sem acordo sobre o uso militar dos modelos da empresa. A companhia buscava preservar salvaguardas relacionadas ao emprego de sua tecnologia em armas totalmente autônomas e em vigilância doméstica em massa.
Depois disso, o Departamento de Defesa classificou a Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos, um rótulo que, de acordo com a reportagem, costuma ser reservado a adversários estrangeiros e pode restringir severamente o uso dos modelos da empresa pelo governo. A companhia contesta essa classificação na Justiça.
Há apoio à Anthropic em outras áreas do governo?
Apesar da postura do Pentágono, o restante do governo Trump parece não adotar a mesma linha, segundo o relato reproduzido pelo TechCrunch a partir de informação publicada pelo Axios. Uma fonte da administração afirmou ao site que todas as agências, com exceção do Departamento de Defesa, querem usar a tecnologia da empresa.
O quadro descrito pela reportagem sugere uma divisão interna sobre a Anthropic dentro do governo federal dos Estados Unidos. De um lado, permanece o conflito com a área de defesa e a disputa judicial sobre a classificação de risco. De outro, autoridades de setores econômicos e da Casa Branca mantêm diálogo com a empresa e tratam de possíveis formas de cooperação.
- O Pentágono classificou a Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos.
- A empresa contesta essa decisão na Justiça.
- Scott Bessent e Susie Wiles se reuniram com Dario Amodei.
- A Casa Branca descreveu o encontro como produtivo e construtivo.
- Outras áreas do governo ainda demonstram interesse na tecnologia da companhia.
Com isso, a relação da Anthropic com o governo Trump permanece marcada por dois movimentos simultâneos: confronto com o Departamento de Defesa e aproximação com outros núcleos da administração. O caso mostra que, mesmo sob restrições relevantes, a empresa segue buscando espaço institucional em Washington para discutir o uso de seus sistemas de inteligência artificial.