O engenheiro A.K.M. Fazlul Haque liderou um projeto bem-sucedido para restaurar duas importantes áreas úmidas que haviam secado na região norte de Bangladesh, país localizado no Sul da Ásia. As obras de recuperação nos lagos Bharardaho e Patuakamri, situados no distrito de Rangpur, foram concluídas no início de 2026, revertendo os danos ambientais causados pela ocupação ilegal da terra e pela seca extrema. Experiências internacionais de recuperação hídrica costumam atrair a atenção de especialistas no Brasil, país que também enfrenta desafios de assoreamento e seca em biomas sensíveis como o Pantanal.
De acordo com informações publicadas em abril de 2026 pelo portal Mongabay Global, o esforço culminou na decisão do governo local, que transformou os dois corpos de água em uma Área Especial de Conservação da Biodiversidade.
Como o projeto de recuperação ambiental foi iniciado em Bangladesh?
A jornada de recuperação começou com a atuação de Fazlul como engenheiro da Autoridade de Desenvolvimento Múltiplo de Barind (BMDA), agência estatal responsável pela restauração de fontes de água superficial. O profissional propôs a inclusão da escavação no projeto da agência, visando à expansão da irrigação e à conservação de recursos hídricos.
A aprovação governamental permitiu que as obras começassem no subdistrito de Badarganj. O primeiro alvo foi o lago Bharardaho, com área superior a quatro hectares, cuja dragagem ocorreu a partir de 31 de dezembro de 2020. Posteriormente, o lago Patuakamri também foi totalmente escavado e limpo pelas equipes de engenharia.
Quais foram os principais desafios enfrentados pela equipe de engenharia?
O processo de revitalização das bacias hidrográficas encontrou forte resistência. Segundo os relatos de Fazlul, indivíduos que invadiram a área expulsaram as escavadeiras da agência estatal durante dois dias consecutivos. No caso do lago Patuakamri, ocupantes irregulares chegaram a atacar o engenheiro fisicamente.
Nossos esforços de conservação de anos valeram a pena. Iniciar a escavação de Bharardaho foi um grande desafio.
Historicamente, as bacias eram áreas de terras públicas que, ao longo do tempo, foram tomadas por cerca de 30 pessoas para uso agrícola. O processo de invasão foi agravado por uma intervenção desastrosa de outra agência governamental, que desviou parcialmente um rio local e despejou terra diretamente no lago, causando seu soterramento temporário.
Qual é o impacto atual das zonas úmidas restauradas para a biodiversidade?
Para contornar os entraves burocráticos e sociais, organizações de defesa do meio ambiente acionaram a administração distrital. Com o apoio das autoridades policiais, a operação foi concluída e o curso original do rio foi desobstruído conforme os registros imobiliários oficiais.
Após as obras no solo, a equipe plantou mais de 200 espécies de árvores nativas para estabilizar as margens. Atualmente, o local serve de abrigo para centenas de aves aquáticas, incluindo a espécie migratória arrabio. Para blindar a fauna emergente, as autoridades proibiram o arrendamento da área para a pesca comercial.
Por que a conservação hídrica é vital para o norte do país asiático?
A região noroeste do país asiático lida com uma severa perda de seus recursos naturais. Um estudo indicou que a área perdeu 57% do total de suas zonas úmidas ao longo de três décadas. Pesquisadores apontam que a preservação em áreas com déficit de chuvas é fundamental para garantir a ecologia local e a segurança alimentar de toda a nação. Ações de sucesso como essa servem de precedente técnico para países continentais e agrícolas como o Brasil, onde a manutenção de nascentes e áreas úmidas é essencial para a produtividade e o equilíbrio climático.
O impacto positivo da recuperação foi sentido rapidamente pela comunidade. Produtores rurais relataram que as aves atraídas para o novo ecossistema ajudaram a eliminar quase totalmente os insetos nocivos nas lavouras da vizinhança. As principais conquistas da força-tarefa incluem:
- A escavação e remoção de sedimentos agrícolas das bacias que estavam assoreadas.
- O plantio voluntário de centenas de espécies arbóreas nativas para consolidar as encostas de terra.
- A instituição de proteção jurídica sobre a propriedade do Estado, afastando invasores ilegais.
O resultado do projeto demonstra que o resgate de sistemas ecológicos degradados demanda vigilância constante contra o avanço das atividades humanas não regulamentadas, assegurando que o patrimônio público seja efetivamente revertido em prol de um meio ambiente sustentável.