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Wayback Machine enfrenta bloqueios de grandes jornais e mobiliza jornalistas

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A Wayback Machine, ferramenta de arquivamento mantida pelo Internet Archive, enfrenta um avanço de bloqueios por parte de grandes veículos de imprensa e plataformas digitais, o que tem provocado reação de jornalistas e entidades de defesa de direitos digitais. Segundo a reportagem publicada pela Wired em 13 de abril de 2026, organizações como USA Today Co., The New York Times e Reddit passaram a restringir, em diferentes graus, o acesso do projeto a seus conteúdos, sob alegações ligadas sobretudo ao uso de dados por empresas de inteligência artificial. De acordo com informações da Wired, o movimento é visto por repórteres e grupos de advocacy como uma ameaça à preservação do registro histórico da web.

A discussão ganhou força depois que a própria USA Today publicou, neste mês, uma apuração sobre políticas de detenção do serviço de imigração dos Estados Unidos com apoio de material recuperado pela Wayback Machine. Mark Graham, diretor da ferramenta, classificou a situação como contraditória, já que a empresa que controla o jornal e mais de 200 outros veículos impede o arquivamento de seu conteúdo pelo sistema mantido pelo Internet Archive.

Por que a Wayback Machine está sendo bloqueada?

De acordo com a Wired, parte dos bloqueios foi justificada por preocupações com raspagem de dados e com o possível uso de conteúdo jornalístico por empresas de inteligência artificial. A porta-voz da USA Today Co., Lark-Marie Anton, afirmou que a medida não seria direcionada especificamente ao Internet Archive, mas inserida em uma política mais ampla contra bots de raspagem. Já Robert Hahn, diretor de negócios e licenciamento do Guardian, disse que o grupo vem conversando com o arquivo sobre preocupações relacionadas ao possível uso indevido, por companhias de IA, de conjuntos de dados coletados para fins de preservação.

No caso do The New York Times, o porta-voz Graham James afirmou, segundo a reportagem, que a preocupação do jornal é que conteúdo do veículo no Internet Archive esteja sendo usado por empresas de IA em violação à legislação de direitos autorais e para concorrer diretamente com a publicação. A Wired informou que o jornal não esclareceu se isso estaria ocorrendo de fato ou se se tratava de uma hipótese.

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  • USA Today Co. bloqueia o arquivamento de seus conteúdos pela Wayback Machine.
  • The New York Times está entre os veículos que restringiram o projeto.
  • O Guardian não bloqueia o rastreador, mas limita o acesso por API e filtra artigos na interface.
  • O Reddit também restringiu o rastreador usado pelo Internet Archive.

Quem reagiu contra essa tendência?

A reação veio de jornalistas e organizações de defesa de direitos digitais. Nesta semana, entidades como a Electronic Frontier Foundation e a Fight for the Future organizaram apoio público à Wayback Machine. Segundo a Wired, a coalizão reuniu mais de 100 assinaturas de jornalistas em atividade e entregou uma carta de apoio ao Internet Archive.

Entre os signatários citados estão Rachel Maddow, Kat Tenbarge e Taylor Lorenz. A carta destaca que, em gerações anteriores, repórteres recorriam a arquivos físicos de jornais locais e bibliotecas públicas para consultar registros históricos. Com o fechamento de muitos jornais e a falta de caminhos claros para a preservação de conteúdo exclusivamente digital, argumenta o texto, esse papel passou a recair cada vez mais sobre o Internet Archive.

“With many newspapers closed, and no clear path for local public libraries to preserve digital-only reporting, the work of safeguarding journalism’s record increasingly falls to the Internet Archive.”

Laura Flynn, do The Intercept, afirmou que o Internet Archive foi uma ferramenta essencial ao longo de sua carreira, com uso em checagem de fatos e na localização de clipes de áudio. Já Micco Caporale, do Chicago Reader, relatou que o recurso ajuda em reportagens sobre bandas antigas e figuras culturais, além de ter utilidade em sua atuação como organizador sindical, ao permitir localizar anúncios de emprego antigos e acompanhar mudanças de funções e de remuneração ao longo do tempo.

Qual é o impacto desses bloqueios para o jornalismo e a sociedade?

Segundo a reportagem, a Wayback Machine existe há 30 anos e já arquivou mais de 1 trilhão de páginas da internet. A ferramenta é tratada como um recurso central para preservação do histórico digital, especialmente em um ambiente no qual conteúdos podem ser alterados, removidos ou simplesmente desaparecer. A Wired argumenta que não há hoje uma ferramenta pública amplamente disponível e comparável ao serviço.

A restrição crescente ao acesso da Wayback Machine pode dificultar a fiscalização de mudanças em textos publicados, comprometer a memória digital e afetar até disputas judiciais, já que páginas preservadas pelo serviço são citadas com frequência como prova em processos nos Estados Unidos. A própria Wired lembra que o recurso foi usado em 2016 para rastrear alterações editoriais em uma reportagem do The New York Times sobre Bernie Sanders.

Mark Graham disse que o Internet Archive continua em conversa com o Times e outros veículos e não descarta uma mudança de postura por parte de alguns editores. Ainda assim, ele avaliou que o fechamento progressivo da web pública já afeta a capacidade da sociedade de compreender o que acontece no mundo.

“there’s no question that the general locking-down of more and more of the public web is impacting society’s ability to understand what’s going on in our world.”

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