Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi transferido na noite de quinta-feira, 19 de março de 2026, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A transferência, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, marca o início das negociações para um acordo de colaboração premiada do banqueiro.
De acordo com informações do Metrópoles, o banqueiro embarcou em um helicóptero por volta das 18h50 e chegou à Superintendência da PF às 19h05. A operação foi realizada com discrição, mas foi registrada pela imprensa.
Por que Vorcaro foi transferido de presídio?
A defesa de Vorcaro havia solicitado a saída da penitenciária federal sob o argumento de que o funcionamento do estabelecimento dificultava as conversas com o cliente e as eventuais negociações do acordo de delação premiada com os investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal, conforme reportou o Estadão.
Nos bastidores, fontes ligadas à investigação indicam que o banqueiro sinalizou disposição para colaborar com as autoridades, oferecendo informações consideradas relevantes para o avanço do inquérito da Operação Compliance Zero.
Como está o processo de delação premiada?
As tratativas para o acordo de colaboração ainda estão em fase inicial. Na sexta-feira, 13 de março de 2026, depois que a Segunda Turma do STF formou maioria para manter a prisão preventiva dele, Vorcaro decidiu partir para negociar uma delação premiada. O advogado José Luís de Oliveira Lima assumiu a defesa para ficar à frente do processo, enquanto os outros advogados deixaram o caso.
De acordo com pessoas que acompanham o processo, ainda não foi montada a lista dos assuntos que o empresário vai abordar nem das pessoas que vai delatar. A expectativa das pessoas envolvidas é que Vorcaro também negocie benefícios para seus familiares que entraram na mira das investigações, como seu pai, Henrique, e sua irmã Natália.
Qual o impacto esperado da colaboração?
Nos bastidores, os investigadores avaliam que o empresário deve entregar novos caminhos de prova e fornecer informações ainda não descobertas na investigação. Isso porque o próprio celular do banqueiro, apreendido em novembro de 2025, já forneceu uma grande quantidade de provas contra ele e seus aliados.
Vorcaro está preso desde o início de março, no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Ele foi detido por ordem de André Mendonça, ministro do STF, depois que a Polícia Federal entregou provas ao Supremo de que Vorcaro mantinha um braço armado, usado para ameaçar adversários e também para invadir sistemas de informática dos órgãos de investigação.