A Volvo Cars anunciou que começará a fabricar um novo veículo elétrico nos Estados Unidos no fim de 2026, mesmo após o encerramento dos incentivos fiscais federais para a compra desse tipo de automóvel no país. A informação foi atribuída ao CEO Hakan Samuelsson, em declaração ao Nikkei Asia, em meio a um cenário de revisão de estratégias por parte de outras montadoras sob o governo do presidente Donald Trump. De acordo com informações do Valor Empresas, a empresa também pretende iniciar a fabricação de novos híbridos no mercado americano até 2030.
A decisão mantém a estratégia da montadora de origem sueca, controlada pela chinesa Geely, em um momento em que parte do setor automotivo reavalia investimentos em eletrificação nos EUA. Segundo Samuelsson, a empresa enxerga espaço para atender consumidores que buscam alternativas à Tesla.
“Deve haver muitos clientes que talvez queiram algo diferente da Tesla”, disse Samuelsson.
O que a Volvo planeja produzir nos Estados Unidos?
Além do novo veículo elétrico previsto para o fim de 2026, a Volvo informou que quer começar a fabricar novos híbridos nos Estados Unidos até 2030. O executivo destacou a força desse tipo de motorização no mercado americano e indicou que a marca poderá desenvolver uma nova geração de híbridos.
“Acho que realmente precisamos de um híbrido de segunda geração, que funcione como um elétrico, mas com um motor a combustão como reserva”, afirmou Samuelsson.
Hoje, a Volvo produz híbridos leves, com apoio limitado de motor elétrico, e híbridos plug-in, que podem ser recarregados externamente. Samuelsson afirmou que não descarta um novo tipo de híbrido, o que sugere uma ampliação do portfólio eletrificado da companhia para além dos modelos atuais.
Como ficou a meta de eletrificação da montadora?
Em setembro de 2024, a Volvo revisou sua meta anterior de ter todos os novos carros totalmente elétricos até 2030. A nova previsão estabelece que veículos eletrificados, somando elétricos e híbridos plug-in, representem pelo menos 90% do volume de vendas da empresa até esse ano. Os demais 10% poderão incluir outros tipos de híbridos.
Samuelsson também sinalizou que a empresa não trabalha, neste momento, com uma data definitiva para eliminar completamente os carros movidos a gasolina, embora tenha indicado que a marca não deve lançar novas gerações totalmente baseadas em motor a combustão.
“Não acho que precisamos definir uma data para eliminar completamente” os carros movidos a gasolina, disse Samuelsson, mas “não veremos carros de nova geração totalmente equipados com motor a combustão”.
Qual é o papel do novo EX60 nessa estratégia?
Na quarta-feira, a Volvo iniciou a produção do modelo elétrico EX60 em sua fábrica de Gotemburgo. O SUV médio, segundo o texto original, tem autonomia de até 810 quilômetros e pode rodar até 340 quilômetros com uma carga rápida de dez minutos. As entregas devem começar primeiro na Europa durante o verão local, com lançamentos posteriores nos Estados Unidos e na Ásia.
O EX60 foi posicionado com preço semelhante ao XC60, seu equivalente híbrido plug-in. O movimento é tratado como incomum no setor, já que veículos elétricos normalmente custam milhares de dólares a mais do que híbridos plug-in comparáveis.
- Produção do EX60 começou em Gotemburgo
- Entregas iniciais estão previstas para a Europa
- Lançamentos nos EUA e na Ásia ocorrerão depois
- Preço foi alinhado ao do XC60 híbrido plug-in
Quais tecnologias ajudam a reduzir custos?
Entre os fatores apontados para a redução de preço está a tecnologia de megacasting, que permite reunir partes da estrutura de alumínio em uma única peça de grande porte. O texto também cita a tecnologia cell-to-body, na qual as células da bateria são integradas diretamente à carroceria do veículo.
Essas soluções já aparecem como parte do esforço da indústria para ganhar escala e eficiência na produção de elétricos. O texto menciona que a Tesla adotou tecnologia semelhante e que a Toyota planeja usar esse tipo de recurso em um novo veículo elétrico previsto para 2027.
Como está o desempenho financeiro da Volvo?
A Volvo registrou prejuízo líquido de 2,9 bilhões de coroas suecas em 2025, equivalente a US$ 313 milhões, segundo o texto original. A companhia busca voltar à lucratividade, mas a pressão sobre os resultados continuou em 2026, com queda de 11% nas vendas globais no trimestre de janeiro a março em relação ao mesmo período do ano anterior.
Samuelsson afirmou ainda que a alta dos preços da energia, em razão do conflito no Oriente Médio, pode alterar a percepção dos consumidores sobre carros elétricos e veículos movidos a gasolina.
“Os clientes do mundo todo foram lembrados de que um carro a gasolina talvez não seja a alternativa ideal”, afirmou.