Um estudo publicado em 14 de abril de 2026 concluiu que os verões estão ficando mais longos, mais intensos e começando mais cedo em dez cidades analisadas ao redor do mundo, com destaque para Sydney, na Austrália, onde o período de condições típicas de verão cresce cerca de 15 dias por década. De acordo com informações do Guardian Environment, a pesquisa relaciona esse avanço sobretudo ao aquecimento global induzido pela ação humana.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da University of British Columbia e publicado na revista Environmental Research Letters. O cientista Ted Scott, doutorando envolvido no estudo, afirmou que a percepção de muitas pessoas sobre mudanças nas estações é confirmada pelos dados: o verão chega de forma mais abrupta, dura mais tempo e oferece menos alívio térmico.
O que o estudo mediu sobre a duração do verão?
Os pesquisadores definiram o verão não pelas datas do calendário, mas pelo intervalo anual em que as temperaturas ficam acima de um limite historicamente típico para a parte mais quente do ano em cada cidade. Esse limite foi estabelecido com base em dados de 1961 a 1990, e depois comparado com décadas anteriores e posteriores.
Na média das dez cidades avaliadas, a duração do verão aumentou seis dias por década. Em Minneapolis, no estado de Minnesota, o crescimento foi de nove dias por década. Já em Sydney, o avanço foi de cerca de 15 dias por década, ou duas vezes e meia a média observada no conjunto analisado.
“I had the sense that they feel longer and they also feel like the transitions are much more abrupt. It feels like we had spring weather and then suddenly, boom, it’s completely warm.”
A fala de Scott resume uma das principais conclusões do estudo: a transição entre as estações está ficando mais brusca, com condições de verão surgindo mais repentinamente, em vez de ocorrerem de forma gradual.
Por que Sydney chamou mais atenção na pesquisa?
Segundo o estudo, Sydney registrou o caso mais extremo entre as cidades analisadas. Na capital de Nova Gales do Sul, o limite usado para caracterizar condições de verão foi de 21°C. A partir disso, os autores calcularam que o período de verão na cidade se expandiu de forma acelerada ao longo das últimas décadas.
De acordo com Ted Scott, entre 1961 e 1970 o verão em Sydney costumava começar em 6 de janeiro e terminar em 9 de março. Entre 1991 e 2000, essa média passou para 21 de dezembro a 12 de março. Já na década mais recente analisada, de 2014 a 2023, o verão passou a começar em 27 de novembro e terminar em 28 de março.
Na prática, isso significa que os verões recentes em Sydney se aproximam de 125 a 130 dias, enquanto na década de 1960 duravam cerca de 65 dias. O estudo também apontou aumento em outras cidades, como Toronto, com pouco mais de oito dias adicionais por década, e Paris e Reykjavik, com 7,2 dias.
Quais são as ressalvas e os impactos apontados por especialistas?
O professor adjunto Andrew Watkins, da Monash University, afirmou que o estudo utilizou bases de dados globais agregadas, em vez de séries desenvolvidas por serviços meteorológicos locais. Ainda assim, ele disse que isso não altera a conclusão central de que os verões estão ficando mais longos e os invernos, mais curtos.
“It doesn’t change the story, which is absolutely right and is what we all, as scientists, have seen: summers are getting longer, winters are getting shorter.”
Watkins observou que os resultados referentes a Sydney provavelmente representam uma área mais ampla, incluindo a região oeste da cidade, conhecida por registrar temperaturas cada vez mais extremas. Ele também destacou que a mudança tem efeitos diretos sobre a vida cotidiana e a saúde da população.
Entre os impactos mencionados pelos pesquisadores e especialistas estão:
- temporadas de incêndios mais longas;
- mais ondas de calor;
- maior intensidade de extremos climáticos;
- efeitos sobre calendários escolares, esportivos e agrícolas.
A professora Sarah Perkins-Kirkpatrick, da Australian National University, afirmou que a aceleração dos verões em Sydney não surpreende, diante das mudanças observadas nas últimas décadas. Segundo ela, a reprodução dos resultados com dados locais poderá confirmar os detalhes específicos encontrados pelo levantamento.
Para Watkins, a tendência é coerente com o que se espera em um cenário de mudança climática e está ligada à continuidade do uso de combustíveis fósseis e das emissões de dióxido de carbono. A avaliação do especialista é que, além de adaptação, será necessário reduzir esse uso para mitigar os efeitos futuros.