A USA Rare Earth, uma empresa americana, anunciou a compra da mineradora brasileira Serra Verde. Este é o único empreendimento fora da Ásia que produz terras-raras em grande escala. A negociação avalia a companhia brasileira em US$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 14 bilhões, e a previsão é que o acordo seja finalizado no terceiro trimestre deste ano. De acordo com informações do DCM, essa operação ocorre em meio ao domínio crescente dos Estados Unidos e China no setor.
A transação inclui um pagamento de US$ 300 milhões, equivalente a R$ 1,5 bilhão, em dinheiro, além da emissão de aproximadamente 126,8 milhões de ações da USA Rare Earth, a serem transferidas aos atuais donos da Serra Verde. As empresas Denham Capital, Energy & Minerals Group e Vision Blue Resources se tornarão sócias majoritárias da nova companhia, detendo 34% da participação. Caso o acordo seja aprovado, será formado um grupo com oito operações distribuídas pelo Brasil, EUA, França e Reino Unido.
Qual o impacto da operação na cadeia produtiva?
A atuação da nova companhia abrangerá toda a cadeia produtiva, desde a extração dos minérios até a fabricação de ímãs para tecnologias como motores elétricos e equipamentos militares. A USA Rare Earth recebe apoio de iniciativas federais americanas, incluindo um financiamento recente de US$ 1,6 bilhão, ou R$ 8 bilhões. Apesar de possuir um depósito mineral no Texas, a empresa ainda não começou a explorar comercialmente o local, cuja baixa concentração de terras-raras encarece a operação.
No Brasil, o projeto da Serra Verde, localizado em Goiás, utiliza a técnica da argila iônica, vista como mais eficiente e de menor custo para extração. Todo o material é processado no país antes de ser exportado. Especialistas acreditam que esta operação pode aumentar o interesse internacional pelo Brasil na cadeia global de minerais estratégicos.
Quais são os benefícios do acordo?
O acordo também prevê um contrato de fornecimento de quinze anos, com preços mínimos garantidos, diminuindo os riscos comerciais. Este movimento surge após a China impor restrições às suas exportações de terras-raras, levando países a buscar fontes alternativas de fornecimento. O Brasil tem reservas estimadas em 21 milhões de toneladas de óxidos de terras-raras, atrás apenas da China.
Especialistas destacam que o Brasil pode ampliar sua participação no mercado global ao desenvolver políticas para incentivar etapas de refino e processamento, evitando que atue apenas como fornecedor de matéria-prima. O interesse crescente por terras-raras ressalta a importância desse recurso na indústria moderna, especialmente em tecnologias verdes e de defesa.