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Unidade prisional em Icoaraci recebe missa de lava-pés para reinserção social

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Nesta quinta-feira, 2 de abril de 2026, a Unidade de Custódia e Reinserção de Icoaraci (UCRI), vinculada à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), sediou a tradicional missa de lava-pés. O evento, realizado no solário da unidade prisional localizada no distrito de Icoaraci, em Belém (PA), contou com a participação de detentos e foi conduzido pelo arcebispo metropolitano de Belém, Dom Júlio Endi Akamine. A cerimônia integra o calendário da Pastoral Carcerária e visa fortalecer o processo de ressocialização por meio da assistência religiosa garantida no sistema penitenciário paraense.

De acordo com informações da Agência Pará, o rito do lava-pés envolveu a participação voluntária de 12 pessoas privadas de liberdade. A celebração foi organizada no espaço aberto da unidade para garantir que todos os custodiados pudessem acompanhar o momento, que faz parte das atividades de reinserção social coordenadas pelo governo do estado.

Qual o significado do gesto de lava-pés no sistema prisional?

O gesto realizado durante a cerimônia faz alusão direta à passagem bíblica em que Jesus Cristo lavou os pés de seus discípulos durante a Última Ceia. No contexto carcerário, a ação é utilizada para promover reflexões sobre humildade, serviço ao próximo e a possibilidade de novos começos. O arcebispo Dom Júlio Endi Akamine destacou a importância pedagógica e espiritual da iniciativa para aqueles que buscam a transformação pessoal durante o cumprimento de suas penas.

Realizamos essa celebração porque Jesus nos ensinou, sendo Mestre e Senhor, a servir. Esse gesto representa a humildade e o compromisso de agir em favor do outro, especialmente em um espaço que também é de reflexão e transformação.

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A Pastoral Carcerária, que atua voluntariamente nas instituições prisionais do estado, desempenha um papel contínuo no apoio moral e espiritual aos detentos. Segundo os organizadores, essas ações ajudam a humanizar o sistema penitenciário e a fortalecer os vínculos de dignidade necessários para o retorno ao convívio em sociedade.

Como a assistência religiosa contribui para a ressocialização?

Para a gestão da unidade, a religiosidade é um dos pilares fundamentais no processo de recuperação do indivíduo. O diretor da UCRI, coronel da Polícia Militar Marcelo Costa, explicou que o trabalho de custódia deve estar aliado a oportunidades que permitam ao interno vislumbrar um futuro diferente. A assistência religiosa atua como um fator de equilíbrio emocional e disciplina interna.

O diretor pontuou que tais atividades impactam positivamente a segurança e a convivência no presídio. Segundo o coronel Marcelo Costa, a presença de lideranças religiosas e a realização de cultos ajudam a reduzir as tensões naturais do ambiente de confinamento, levando mensagens de fé e esperança que auxiliam na manutenção de um clima de tranquilidade entre os custodiados e os agentes públicos.

Qual a percepção dos internos sobre o evento religioso?

A participação dos detentos foi marcada por momentos de emoção e reconhecimento. O interno Dalvame Oliveira, que representou o grupo durante uma homenagem ao arcebispo com a entrega de flores, relatou que o rito é visto como um suporte para enfrentar as dificuldades do cotidiano prisional. Para os participantes, a presença da igreja sinaliza que a sociedade e as instituições não os esqueceram, incentivando a busca por uma mudança de conduta.

É um gesto muito grande de humildade e amor. A gente fica emocionado, porque são ações que ajudam na nossa transformação. Aqui dentro a gente enfrenta muitas lutas, tanto espirituais quanto pessoais, e esse tipo de momento fortalece a gente.

Além da assistência religiosa, a unidade de Icoaraci mantém um cronograma de atividades voltadas ao trabalho e à educação. O objetivo da Seap é garantir que o período de privação de liberdade seja aproveitado para a capacitação dos internos, oferecendo alternativas reais para que não retornem ao crime após a soltura. O programa de ressocialização inclui:

  • Atividades educacionais e alfabetização;
  • Oportunidades de trabalho interno e manutenção predial;
  • Cursos de capacitação técnica;
  • Assistência psicossocial e familiar;
  • Calendário regular de assistência religiosa diversificada.

As ações integradas entre as forças de segurança e as entidades da sociedade civil, como a Igreja Católica e a Pastoral Carcerária, reforçam o compromisso com o cumprimento da Lei de Execução Penal (Lei 7.210/1984), legislação federal que estabelece a assistência religiosa como um direito assegurado aos detentos em todo o país. A missa de lava-pés encerrou-se como um símbolo de que a reinserção social é um processo contínuo e multifacetado, dependente da cooperação entre o Estado e a comunidade.

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