
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na terça-feira (7 de abril de 2026) que poderá exterminar a civilização do Irã caso o país asiático não reabra o Estreito de Ormuz. Esta passagem marítima é uma das rotas mais cruciais para o transporte mundial de petróleo, e seu bloqueio possui potencial para elevar os preços internacionais do barril, impactando diretamente o valor dos combustíveis no Brasil. A declaração, vista por especialistas como uma promessa de genocídio, eleva a tensão no Oriente Médio e sugere a devolução da nação à idade das pedras, ignorando as diretrizes mais básicas dos tratados de direitos humanos e do direito internacional.
De acordo com informações da Agência Brasil, a ameaça afeta uma nação herdeira da civilização persa, com uma história ininterrupta estimada entre dois e três mil anos. Trump vem utilizando suas redes e comunicados oficiais para pressionar o regime iraniano de forma agressiva, prometendo retaliações catastróficas. Tradicionalmente, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) acompanha o cenário defendendo a resolução pacífica e diplomática de conflitos na região.
Quais são as implicações legais das declarações do presidente estadunidense?
O professor de direito internacional da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Gustavo Vieira, classificou a postura de Washington como gravíssima para a estabilidade e a paz global. Ele argumenta que o discurso atinge em cheio as bases da coexistência entre as nações soberanas.
“Isso é uma ameaça de um crime de genocídio, de crimes contra a humanidade e de guerra que já foram categorizados desde o Tribunal de Nuremberg e estão normatizados pelo Estatuto do Tribunal Penal Internacional Permanente”
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Elaini Silva, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), ressalta que a fala do mandatário desrespeita a Carta da ONU. Segundo a pesquisadora, prometer o extermínio de um povo ultrapassa o uso pontual e estratégico da força.
Como os ataques já impactam a infraestrutura e a cultura no território do Irã?
Mesmo que a aniquilação total anunciada não se concretize de imediato, a destruição física do território iraniano encontra-se em andamento ativo. Levantamentos recentes expõem a gravidade dos bombardeios sistemáticos na região. Autoridades locais e organizações internacionais detalham os seguintes prejuízos causados pelas investidas militares de Israel e dos Estados Unidos desde o dia 28 de fevereiro:
- Danos severos a pelo menos 300 unidades de saúde iranianas;
- Ataques contra cerca de 600 centros educacionais, englobando escolas e universidades;
- Destruição ou avaria de 160 monumentos históricos, segundo cálculos oficiais da Unesco.
O antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que a agressão externa possui o efeito colateral de fortalecer a coesão interna. Como os iranianos possuem uma identidade nacional robusta, a perspectiva de humilhação tende a consolidar o apoio popular a qualquer regime que se posicione em defesa da soberania pátria.
A relevância do território ameaçado vai além da geopolítica militar atual. O legado persa abriga inovações filosóficas e científicas que influenciaram profundamente toda a humanidade ao longo de milênios. A destruição desse patrimônio histórico e cultural representaria um ataque irreversível à própria formação da civilização ocidental moderna.
De que forma a Casa Branca reage aos questionamentos sobre crimes de guerra?
Pressionado na segunda-feira (6 de abril) nos jardins da Casa Branca, Donald Trump optou por evitar o escrutínio direto da imprensa internacional. Quando um jornalista perguntou de forma explícita se ele estava se comprometendo a cometer um crime de guerra, o presidente estadunidense apenas virou o rosto e pediu para mudar de assunto, ignorando o peso do questionamento.
Durante uma coletiva no mesmo dia, após um repórter inquirir sobre a provável violação de normativas internacionais ao mirar infraestruturas puramente civis, o líder norte-americano acusou a imprensa de falta de credibilidade. Ele justificou suas ações afirmando que impedirá Teerã de obter um arsenal nuclear, embora relatórios da própria inteligência dos Estados Unidos indiquem há anos que o Irã não tentava desenvolver tais artefatos de destruição em massa.
Em uma publicação virtual recente, Trump confirmou a gravidade da iminente operação militar, admitindo que o extermínio não era o que desejava, mas que provavelmente aconteceria. Logo depois, emitiu uma mensagem contraditória pedindo que Deus abençoasse o povo do Irã. A postura reforça, segundo os analistas de geopolítica, um desrespeito inédito aos consensos multilaterais construídos após as tragédias da Segunda Guerra Mundial.