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Tratamentos contra pulgas em pets contaminam aves no Reino Unido, dizem especialistas

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Pesquisadores e entidades de conservação defenderam restrições ao uso de tratamentos contra pulgas e carrapatos em cães e gatos no Reino Unido após um estudo identificar contaminação disseminada em penas de aves canoras comuns de jardim. A pesquisa analisou amostras de cinco espécies, coletadas por voluntários e examinadas por cientistas da Universidade de Sussex, e encontrou pesticidas associados a danos neurológicos e prejuízos à reprodução. De acordo com informações do Guardian Environment, o debate ocorre enquanto o governo britânico abriu uma consulta pública sobre restringir a venda desses produtos.

Segundo a reportagem, quase todas as amostras de penas testadas continham ao menos uma entre três substâncias: permetrina, imidacloprido ou fipronil. Esses inseticidas são proibidos para uso agrícola, mas continuam comuns em tratamentos veterinários contra pulgas e carrapatos. Os pesquisadores afirmam que fipronil e imidacloprido são conhecidos por prejudicar o sucesso reprodutivo de aves de jardim e por afetar funções neurológicas, enquanto a permetrina já foi associada à desaceleração do crescimento e à redução do desenvolvimento das penas de filhotes de aves silvestres.

O que o estudo encontrou nas penas das aves?

O estudo mais recente, financiado pela entidade de conservação Songbird Survival, fez análises químicas em penas de melros, chapins-azuis, tentilhões, ferreirinhos e pintassilgos. De acordo com os dados citados na reportagem, pesticidas foram encontrados em 100% das amostras.

Os resultados apontaram:

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  • permetrina em 98% das amostras;
  • imidacloprido em 88%;
  • fipronil em 72%;
  • clorpirifós em 96% das amostras.

A presença de clorpirifós chamou atenção porque a substância foi proibida no Reino Unido após evidências de que prejudica o desenvolvimento cognitivo de crianças, segundo a reportagem.

Por que especialistas pedem restrições aos produtos veterinários?

Conservacionistas, veterinários e acadêmicos assinaram uma carta aberta pedindo que o governo enfrente o que chamaram de falhas sistêmicas na regulação de medicamentos veterinários. Na carta enviada à secretária de Meio Ambiente, Emma Reynolds, os signatários afirmaram que tutores de animais deveriam ter confiança de que os produtos usados protegem seus pets.

“Pet owners should feel confident that the products they use protect their pets”

A discussão ganhou força porque, segundo a reportagem, mais de 80% dos cães e gatos no Reino Unido recebem ao menos um tratamento contra pulgas ou carrapatos por ano. Muitos deles são aplicados mensalmente na forma de produtos “spot-on”, que podem ser removidos no banho e acabar em águas residuais, rios ou no solo.

A autora do estudo, Dr Cannelle Tassin de Montaigu, afirmou que os resultados mostram exposição crônica da fauna silvestre a pesticidas.

“[Our study] shows that wild animals are chronically exposed to pesticides”

Ela disse ainda que os efeitos sobre filhotes de aves canoras ainda não foram totalmente explorados, mas alertou para o risco de prejuízos fisiológicos ou comportamentais irreversíveis decorrentes da exposição contínua, mesmo em baixos níveis, durante o desenvolvimento inicial.

“Given the neurotoxicity of fipronil and imidacloprid, even low-level, chronic exposure during early development could lead to irreversible physiological or behavioural impairment in chicks.”

O problema é o uso desses produtos ou a frequência de aplicação?

Segundo Tassin de Montaigu, o problema não é a existência de tratamentos contra pulgas e carrapatos, mas a frequência com que eles são usados, muitas vezes de forma preventiva. Ela comparou essa rotina ao tratamento de piolhos em crianças, argumentando que a aplicação mensal automática em animais de estimação deveria ser revista.

“We wouldn’t treat children for lice every single month. We treat when it’s necessary, but we don’t do this with pets. And that should change.”

Susan Morgan, diretora-executiva da Songbird Survival, classificou os achados como profundamente alarmantes e defendeu que um primeiro passo efetivo seria tornar esses produtos disponíveis apenas com prescrição veterinária.

“A label on a box isn’t enough. We need informed conversations between vets and pet owners to protect pets, homes and the environment”

Como o governo britânico respondeu ao tema?

O Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido, citado por meio de um porta-voz, afirmou que o governo está comprometido com a recuperação da natureza e com a limpeza dos rios. Também declarou que trata com seriedade a poluição da água por tratamentos contra pulgas e carrapatos e que lançou recentemente uma coleta de evidências para orientar decisões sobre a melhor forma de enfrentar o problema, inclusive por meio de mudanças na forma de comercialização.

Na semana anterior à publicação da reportagem, o governo iniciou uma consulta de oito semanas sobre a possibilidade de proibir a venda livre desses tratamentos para cães e gatos no Reino Unido. A iniciativa responde a preocupações sobre o impacto dos produtos em aves canoras, peixes e outros organismos aquáticos.

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