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Tratamentos antipulgas para pets podem ser restringidos no Reino Unido

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O governo do Reino Unido abriu uma consulta pública de oito semanas para avaliar novas regras que podem restringir a venda de tratamentos antipulgas para cães e gatos à base de pesticidas. Pela proposta em análise, esses produtos deixariam de ser vendidos livremente em pet shops e passariam a ser disponibilizados apenas por veterinários ou farmacêuticos, com a justificativa de garantir o uso correto. A discussão ocorre após estudos e monitoramentos apontarem que substâncias usadas nesses tratamentos chegam ao meio ambiente e podem afetar rios, aves e outros animais. De acordo com informações do Guardian Environment.

Atualmente, os tratamentos tópicos contra pulgas e carrapatos podem ser comprados livremente no país. Aplicados sobre a pele de cães e gatos, esses produtos passam para os pelos e, depois, alcançam o ambiente. Segundo a reportagem, isso pode ocorrer, por exemplo, quando tutores lavam as mãos após a aplicação ou quando os animais entram em cursos d’água.

Por que o governo britânico quer rever a venda desses produtos?

A proposta parte da preocupação com o impacto ambiental de ingredientes como fipronil e imidacloprido, descritos como inseticidas potentes. O entendimento de autoridades britânicas é que a restrição da venda a profissionais de saúde animal ou farmacêuticos poderia orientar melhor os tutores e reduzir usos considerados inadequados ou excessivos.

A ministra da Água, Emma Hardy, afirmou que o governo está comprometido com a recuperação da natureza e a despoluição dos rios, ao mesmo tempo em que reconhece a importância desses tratamentos para a saúde e o bem-estar dos animais. A declaração foi reproduzida pelo Guardian no contexto da consulta sobre a eventual limitação da venda.

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“This government is committed to restoring nature and cleaning up our rivers. These treatments play a vital role in pet health and welfare, but it is right that we look at whether they should only be made available for sale via medical practitioners who can advise the public on their correct usage.”

Quais evidências ambientais são citadas no debate?

Segundo a reportagem, pesquisas recentes indicam que resíduos desses tratamentos têm sido detectados em cursos d’água. Um estudo financiado pela Veterinary Medicines Directorate concluiu que a aplicação de certos produtos antipulgas e anticarrapatos por tutores estava contribuindo para a presença dessas substâncias na água.

Outra pesquisa mencionada encontrou pelos de cães e gatos contaminados sendo usados por aves canoras na construção de ninhos. Os cientistas relataram maior número de ovos que não eclodiram ou de filhotes mortos em ninhos com maior incidência de inseticida.

Há ainda preocupação mais ampla com a biodiversidade. A reportagem afirma que uma dose mensal do tratamento para um cão de grande porte pode conter imidacloprido suficiente para matar 25 milhões de abelhas. Os dados também indicam que resíduos de fipronil foram encontrados em 98% das amostras de rios e lagos analisadas pela Environment Agency, enquanto traços de imidacloprido apareceram em 66% das amostras.

O que dizem autoridades e especialistas sobre o uso dos antipulgas?

De acordo com o texto, veterinários frequentemente recomendam tratamentos regulares como medida preventiva, mesmo quando cães e gatos não apresentam pulgas. No entanto, cientistas citados pela reportagem passaram a defender que os animais não sejam tratados contra pulgas a menos que estejam, de fato, infestados.

Abigail Seager, diretora-executiva da Veterinary Medicines Directorate, afirmou que fipronil e imidacloprido têm papel importante na proteção de pets e pessoas contra parasitas e doenças associadas. Ao mesmo tempo, reconheceu que essas substâncias estão entrando nos cursos d’água e podem estar gerando impactos ambientais mais amplos.

“We know that fipronil and imidacloprid play an important role in protecting pets and people from parasites and the diseases they can carry. However, these substances are entering our waterways and may be having wider environmental impacts.”

Ela também declarou que a consulta busca reunir diferentes perspectivas para orientar decisões futuras sobre a disponibilidade adequada de medicamentos veterinários no mercado britânico, sem deixar de proteger a saúde animal e o meio ambiente.

O que pode mudar na prática para os tutores no Reino Unido?

Se a proposta avançar, donos de cães e gatos poderão deixar de comprar esses tratamentos livremente em lojas para animais. O acesso passaria a depender da distribuição por profissionais habilitados, como veterinários ou farmacêuticos.

  • Consulta pública aberta por oito semanas
  • Possível fim da venda livre em pet shops
  • Distribuição restrita a veterinários ou farmacêuticos
  • Objetivo declarado de garantir uso correto e reduzir impacto ambiental

A discussão acontece em um contexto mais amplo de restrição a pesticidas no Reino Unido. Segundo o Guardian, o governo também assumiu recentemente o compromisso de proibir o imidacloprido e outros dois neonicotinoides, clothianidin e thiamethoxam, no uso agrícola.

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