Lançado em 2023, o projeto Sustenta Carnaval, no Rio de Janeiro, está transformando o destino de toneladas de resíduos têxteis provenientes dos desfiles da Sapucaí. A iniciativa coleta e reaproveita fantasias, adereços e estandartes, desviando-os dos aterros sanitários e abrindo caminho para a economia circular. Além de reduzir o lixo, o projeto recicla materiais com baixa biodegradabilidade, transformando as sobras da folia em matéria-prima. Peças em bom estado são vendidas para foliões, projetos de arte e até exportadas. De acordo com informações do Mongabay Brasil, o projeto capacita mulheres em oficinas criativas, gerando renda e promovendo a consciência ambiental.
O Sustenta Carnaval, sediado no centro do Rio, implementa um ciclo sustentável que vai desde a coleta seletiva até a revenda dos itens. A iniciativa surgiu em 2020, quando a diretora artística Mariana Pinho observou que as fantasias descartadas seguiam diretamente para os aterros por falta de infraestrutura para a coleta. Atualmente, o projeto já desviou 66 toneladas de fantasias que teriam como destino final os aterros sanitários.
Qual o impacto ambiental do descarte de fantasias de Carnaval?
Segundo dados municipais, as primeiras noites de desfiles geram, em média, 75 toneladas de resíduos. Para Bruna Gama, especialista em Gestão Ambiental e do Agronegócio pela Universidade de São Paulo (USP), é crucial enfrentar essa realidade. Ela explica que as fantasias são compostas por polímeros sintéticos como poliéster, náilon e PVC, além de estruturas metálicas, materiais de baixa biodegradabilidade que permanecem por décadas no ambiente quando descartados em aterros. Ao reinserir esses componentes na cadeia produtiva, o projeto transforma um passivo ambiental em matéria-prima secundária, aplicando os princípios da economia circular.
Como funciona a coleta e o reaproveitamento dos resíduos?
O projeto não lida diretamente com as escolas de samba devido ao grande volume de materiais. A cada 90 minutos, milhares de pessoas deixam a Sapucaí, gerando uma pressão para desocupar o espaço rapidamente. O Sustenta Carnaval depende da Companhia Municipal de Limpeza Urbana da Cidade do Rio de Janeiro (Comlurb), responsável por questionar as escolas sobre o destino das fantasias. Se as escolas não recolherem os trajes, a equipe do Sustenta Carnaval tem cerca de dez minutos para transportar as roupas e adereços para o galpão do projeto. A Comlurb se encarrega do lixo comum, como latas e garrafas.
É uma operação conjunta, cronometrada e extremamente delicada
Qual o destino dos materiais reaproveitados?
Após a coleta, os materiais são levados para a sede do projeto, onde são separados, categorizados e armazenados. Os trajes e adereços são reutilizados de diversas formas. A lista de compradores inclui foliões, companhias de teatro e cinema, editoriais de moda e escolas de samba de outros municípios e estados. Além disso, os acessórios podem ser aprimorados por meio de upcycling, transformando objetos em boas condições em novos itens.