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Soro antiofídico avança após homem receber 200 picadas de cobras letais

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A majestic King Cobra in its natural habitat, amidst lush greenery, showcasing its striking features.
A majestic King Cobra in its natural habitat, amidst lush greenery, showcasing its striking features. Foto: Mohan Kumar — Pexels License (livre para uso)

O americano Tim Friede, de 58 anos, morador do estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, submeteu-se a mais de 200 picadas intencionais das serpentes mais letais do planeta ao longo de quase duas décadas. O objetivo do ex-limpador de janelas e cientista amador é desenvolver uma imunidade que possa servir como base para a criação de um soro antiofídico universal, capaz de salvar milhares de vidas afetadas por acidentes ofídicos anualmente em diferentes regiões globais.

De acordo com informações do Guardian Environment, os sacrifícios físicos do pesquisador estão prestes a gerar resultados práticos na medicina contemporânea. A Centivax, empresa de vacinas sediada na Califórnia, contratou o americano no ano de 2019 e conseguiu isolar seus anticorpos para neutralizar toxinas de diversas espécies altamente venenosas.

Como as picadas de cobras afetam a população mundial?

Atualmente, os acidentes ofídicos representam um grave problema de saúde pública em escala global, afetando especialmente pessoas em situação de vulnerabilidade social em países em desenvolvimento na Ásia e no continente africano. Os números oficiais documentam a gravidade da situação em vários aspectos:

  • Cerca de 5,5 milhões de indivíduos são picados por cobras todos os anos.
  • Ocorrem aproximadamente 138 mil mortes anuais decorrentes dos ataques de serpentes.
  • Cerca de 400 mil vítimas sofrem desfigurações severas e deficiências físicas permanentes.

Estudos científicos indicam que a crise climática agravará consideravelmente esses índices nos próximos anos. O aumento constante das temperaturas globais altera o comportamento tanto dos seres humanos quanto dos répteis, ampliando as zonas de sobreposição e o risco de encontros indesejados na natureza e em áreas urbanas.

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Quais foram os riscos enfrentados durante as duas décadas de testes?

A longa jornada para alcançar a imunidade sanguínea quase custou a vida do pesquisador americano. A partir do ano de 2001, ele começou a injetar pequenas misturas de veneno e soro fisiológico centenas de vezes antes de permitir que as serpentes o mordessem diretamente nos braços e nas mãos. O experimento ocorreu no porão de sua residência, onde ele mantinha uma coleção viva com cerca de 60 cobras.

No primeiro ano de testes, um grave incidente quase encerrou o projeto de forma trágica. Ele permitiu ser picado por uma naja monóculo e, logo na sequência, por uma naja egípcia. O choque provocado pelo veneno simultâneo de duas espécies extremamente perigosas causou um colapso imediato, resultando em um coma profundo que durou vários dias e exigiu internação hospitalar de urgência.

As pessoas diziam que eu era louco, é claro. Algumas tentaram me impedir. Eu entendia que era perigoso, mas pessoas estão morrendo de picadas de cobra e eu estava irritado com isso. Não conseguia tirar isso da cabeça. Arrisquei minha pele e estou feliz por ter feito isso.

Quais são as piores lesões causadas pelos venenos injetados?

Além do episódio do coma profundo, o cientista amador sofreu repetidos choques anafiláticos ao longo de sua trajetória. Um de seus dedos desenvolveu necrose severa e quase precisou ser amputado pelos médicos após o ataque direto de uma cascavel. O ferimento mais assustador ocorreu na perna, provocado novamente por uma naja monóculo, cujo veneno necrosante fez com que todo o tecido muscular da região começasse a se desintegrar rapidamente.

O músculo simplesmente explodiu para fora da minha perna. Tive que cortá-lo com uma lâmina de barbear. Fiquei sem andar por dois meses depois disso. Quase disse que já chegava naquele ponto.

Para conseguir atingir a imunidade celular atual, ele também superou o desafio extremo de suportar 22 picadas da taipan do interior. Esta serpente nativa do território australiano possui um veneno tão concentrado que uma única mordida tem letalidade suficiente para matar mais de cem seres humanos adultos.

Quando o novo soro antiofídico estará disponível para o público?

O executivo-chefe da Centivax, Jacob Glanville, confirmou que os anticorpos replicados de Friede já demonstraram eficácia comprovada em testes avançados de laboratório. Uma pesquisa científica divulgada no ano passado revelou que o material biológico isolado conseguiu neutralizar com total sucesso as toxinas de 19 cobras peçonhentas pertencentes à família dos elapídeos. Este importante grupo taxonômico abrange aproximadamente metade de todas as espécies venenosas conhecidas pela ciência, incluindo mambas, corais e grandes najas.

Antes de solicitar a liberação para aplicação médica em seres humanos, a empresa de biotecnologia planeja realizar os primeiros ensaios clínicos do novo soro universal em animais de estimação na Austrália, com testes rigorosos agendados para este ano. Enquanto o processo regulatório avança, o americano, que parou com as injeções diretas e esvaziou os terrários de seu porão, mantém os níveis de anticorpos no sangue excepcionalmente altos e monitorados por especialistas.

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